Procuro, via de regra, não polemizar neste espaço sobre crenças pessoais ou temas relacionados à religião, pois acredito que a melhor de todas é aquela que te faz bem. Ademais, minha própria fé na espiritualidade, no reencontro de almas e nos mistérios da vida me impedem de ser cético em relação à mediunidade de quem quer que seja. Mas nunca deixarei de ser crítico e mesmo em pessoas das quais já admirei a tal dom, sempre acreditei que é preciso ser coerente e honesto. E é justamente nesta linha de pensamento que lhe respondo. Busquei o "famoso" Kalinter por vários dias na internet, em publicações especializadas e em conversas com amigos e apurei que se trata, apenas, de um "conhecido desconhecido".Seu site, que já esteve hospedado na plataforma gratuita Vila Bol, agora tem um endereço próprio. Contudo, tudo que se sabe dele é justamente o que ele divulga, o que quer que saibamos. Inexiste reportagens sobre ele, estudos na área ou mesmo depoimentos confiáveis ou cuja autenticidade possa ser apurada. Um suposto vídeo seu no YouTube foi removido. E, além de perguntas em grupos de relacionamento e registros em sites de busca, há apenas uma suposta publicação na qual o indivíduo Kalinter "orienta a enriquecer e ganhar dinheiro (destinado a quem leu Pai Rico Pai Pobre, busca emprego, homem de negócios. Práticas de espiritismo, esoterismo, vidente, ocultismo, astrologia)", mas que remete a uma página na web também desativada. Em seu site, a última atualização é datada de janeiro de 2008 e, eis que, o "médium" desapareceu, sem que nunca tivesse realmente aparecido.
Por tudo isso, pouco há a acrescentar além das próprias evidências. Vale apenas uma comparação, certamente conhecida por quem tem simpatia pela doutrina espírita. Chico Xavier escreveu quatrocentos e doze livros e que nunca admitiu ser o autor de nenhuma dessas obras. Dizia reproduzir apenas o que os espíritos lhe ditavam. Por esse motivo, não aceitava o dinheiro arrecadado com a venda de seus livros, mais de 20 milhões de exemplares. Doou os direitos autorais para a FEB (Federação Espírita Brasileira), organizações espíritas e outras instituições de caridade. "O livro não é meu, é dos espíritos", repetiu por toda a vida. Quando lhe ofereciam dinheiro, o jovem Chico, rapaz pobre, ainda assim recusava. Outros lhe entregavam presentes. Chico se livrava deles com pressa e discrição.
Evidentemente, não buscamos comparações com o médium mineiro, mas a regra vale para todos. Regra de honestidade e justiça. O 'trabalho' ou a escrita é dos espíritos. A outra parte, a doação de tempo a esta atividade, não passa de mero cumprimento de uma obrigação, de caridade cristã. Portanto, a paga, o recebimento de dinheiro ou mesmo de presentes em troca do trabalho mediúnico é inaceitável. Assim ensinou Chico Xavier e assim exige o bom senso. Não creia, portanto, na seriedade de quem se disser espírita e agir de maneira diversa.












