Cada qual de nós tem uma experiência única de vida, mas a sensibilidade é um elo comum entre muitas das pessoas que chegam ao Blog Partida e Chegada. Em tais pessoas, ao menos uma vez na vida, já foi extremamente presente o sentimento de deslocamento, de simplesmente não pertencer a este mundo ou mesmo de não reconhecer-se nos mais queridos membros da família.
Desamor? Rudeza? Insensibilidade? Não, jamais pense assim. A observação e o mundo espiritual nos mostra que, nos novos tempos do planeta, nos defrontamos, convivemos ou nos reconhecemos pessoas absolutamente "fora do contexto". Fora do mundo competitivo, alheio aos acontecimentos sociais, às pressões familiares e sociais. Falei disso recentemente ao fazer uma resenha do filme "
Na Natureza Selvagem", pois me identifiquei com o adolescente do meu próprio passado que, como muitos, já pensou em abandonar o barco da sociedade: queimar os documentos, abandonar pais e amigos, colégio, compromissos e, principalmente, planos. Tudo para por o pé na estrada, sem rumo, pensando em viver uma silenciosa vida de protesto contra um mundo com o qual não concordamos.
Pois bem, se o mundo não é assim, estamos errados? Longe disso. Apenas temos no coração uma semente viva que podemos chamar de "
verdadeiro sentido da vida".
Frequentemente nos chegam cartas de leitores relatando supostos "dramas" que estão vivendo, sob os quais se debatem, numa angústia interminável. Nada mais distante da realidade. O mundo
atual, para muitos, é uma verdadeira armadilha e as pessoas se aprisionam, se perdem, buscando coisas que realmente não têm importância. O segredo do sentido da vida está em dar importância ao que realmente tem importância. Não há qualquer traço de relevância no apego às coisas, à fama, ao dinheiro, à posição, ao
carreirismo, ao reconhecimento profissional ou mesmo familiar. A verdadeira importância da vida está numa frase curta : "fazer a coisa certa". Proporcione às pessoas que estão ao seu redor, conhecidos ou não, a experiência de conviver com uma pessoa sem melindres, que não se abala com comentários ou com aparência pública, mas que mobiliza horas de folga para "apenas" ouvir um desconhecido que se mostra angustiado ou para exercitar
atos de gentileza com animais, crianças ou mesmo
desafetos.
Geralmente, pessoas questionam como desapegar-se e levar esta vida de paz. Você, ao contrário, demonstra ter este espírito, mas o mundo ao seu redor lhe indica, dia-a-dia, que este "não é seu mundo", que você destoa do grupo; que precisa ficar isolada ou "enquadrar-se". Bobagem. Simplesmente ignore. Este
mundinho que se considera ditador de normas de conduta vem errando a
milênios e não aceita com passividade a existência de uma nova legião de seres de ousa dar importância, na vida, ao que realmente nos faz bem : viver em harmonia.
Daí este sentimento de confusão, de solidão, de questionamento consciente ou não de nossa própria
trajetória. Pois saiba que estamos juntos, eu você e milhões de outras pessoas, mundo afora, que praticam intimamente o bem, sem as amarras das religiões, de falsos gurus ou mesmo de leis imorais (embora legais). Nos fazemos bem e proporcionamos este bem-estar às pessoas que nos rodeiam, mas, via de regra, ao darmos com o nariz na porta, paramos e lá no fundo, questionamos se vale a pena. Posso garantir que sim e verá que estou certo quando, mesmo depois de um grande esforço para realizar algo que simplesmente ache justo, receber um simples "obrigado". Isto é fazer a coisa certá. É sentir-se bem por dentro.
Por vezes, este agir nos traz desconforto e a sensação de solidão. Mas imagine que faz parte de uma corrente e, como acredito, um amplo elo entre o mundo visível e o invisível, onde os espíritos que todos nós somos em essência exerce a experiência diária de viver com justiça. E fazer esta justiça prevalecer em nossa consciência está acima de agradar este ou aquele. Afinal, sabemos que estamos no caminho certo e temos a experiência de que um dia, mais cedo ou mais tarde, todos chegaremos à mesma conclusão. Pense, então, que é apenas uma aluna um pouco mais adiantada nesta escola. Mas que seus
amiguinhos terão chance de alcançá-la e adquirir os novos e preciosos conhecimentos que você já dispõe.