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terça-feira, 28 de julho de 2009

A FELICIDADE É UMA PERGUNTA SEM RESPOSTA

Essa é uma pergunta que já tirei há muito tempo da cabeça, justamente porque não sei respondê-la. Não sou o único. No decorrer de todos estes anos, convivi com todo tipo de pessoas: ricas, pobres, poderosas e acomodadas. Em todos os olhos que cruzaram com os meus, sempre achei que estava faltando algo. Algumas pessoas parecem felizes: simplesmente não pensam no tema. Outras fazem planos: vou ter um marido, uma casa, dois filhos, uma casa de campo. Enquanto estão ocupadas com isso, são como touros em busca do toureiro: não pensam, apenas seguem adiante. Conseguem seu carro, às vezes conseguem até sua Ferrari, acham que o sentido da vida está ali, e não fazem jamais a pergunta. Mas apesar de tudo, os olhos traem uma tristeza que nem estas pessoas sabem que tem.

Não sei se todo mundo é infeliz. Sei que as pessoas estão sempre ocupadas: trabalhando além da hora, cuidando dos filhos, do marido, da carreira, do diploma, do que fazer amanhã, o que falta comprar, o que é preciso ter para não sentir-se inferior, etc.

Poucas pessoas me disseram: “sou infeliz”. A maioria me diz “estou ótimo, consegui tudo o que desejava”. Então pergunto: “o que lhe faz feliz?” Resposta: não há resposta. Mudam de assunto. Mas sempre existe algo escondido: dono de empresa que ainda não fechou o negócio que sonhava, a dona de casa que gostaria de ter mais independência ou mais dinheiro, o recém-formado se pergunta se escolheu sua carreira ou a escolheram por ele, o dentista queria ser cantor, o cantor queria ser político, o político queria ser escritor, o escritor quer ser camponês.

Posso apostar que todo mundo está sentindo a mesma coisa. Folheio as revistas de celebridades: todo mundo rindo, todo mundo contente. Mas como freqüento este meio, sei que não é assim: está todo mundo rindo ou se divertindo naquele momento, naquela foto, mas de noite, ou de manhã, a história é sempre outra. “O que vou fazer para continuar aparecendo na revista?” “Como disfarçar que já não tenho dinheiro o suficiente para sustentar meu luxo?” “Ou como administrar meu luxo fazê-lo maior, mais expressivo que o dos outros?”

Enfim, fico com os versos de Jorge Luis Borges: “Já não serei feliz, e isso não importa/ há muitas outras coisas neste mundo”.

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domingo, 26 de julho de 2009

"A VOLTA" : LIVRO TRAZ 'PROVAS' DA REENCARNAÇÃO




Na Segunda Grande Guerra, em missão ao longo do Pacífico, um piloto da Marinha americana foi abatido pela artilharia japonesa. Seu nome poderia ter sido esquecido e sua memória não passaria de uma cruz a mais no "Memorial dos Heróis de Guerra", em Washington, de não fosse pelas desconcertantes memórias de um menino chamado James Leininger. Filho único, James, à época com apenas 2 anos, começou a ter pesadelos quase todas as noites e acordar seus pais aos berros, debatendo-se em agonia, gritando frases como: "O avião está em chamas!" A partir de então, o pequeno James passou a transmitir informações detalhadas não apenas em seus pesadelos mas também desperto, enquanto brincava e desenhava, no dia-a-dia da família. Mostrava um conhecimento sobre aviões que jamais lhe havia sido transmitido, passou a revelar nomes e sobrenomes, dados geográficos e até mesmo o que (descobriram mais tarde) seria a designação de um porta-aviões da 2ª Guerra Mundial. Como James poderia deter tantas informações se ainda não estava em idade escolar? Seriam lembranças de situações vividas pelo menino que seus pais desconheciam? Seriam memórias de uma vida passada? Seria mesmo a reencarnação uma hipótese a ser considerada?

Muito poucas pessoas -- incluindo aqueles que conheceram piloto -- acreditam que James é o soldado reencarnado. Seus pais, Andrea e Bruce, naturalmente céticos, provavelmente eram as pessoas menos susceptíveis a acreditar em tal história. Mas ao longo do tempo, foram convencidos pelas evidencias de que seu filho teve uma vida anterior. Segundo eles, James precocemente demonstrou interesse por aviões (nada surpreendente para um menino americano). Mas quando completou dois anos, passou a ter pesadelos regulares e acordar gritando, pedindo socorro. Andrea diz que a mãe dela foi a primeiro a sugerir que James estava lembrando uma vida passada.

Certa vez, Andrea comprou-lhe um avião de brinquedo e mostrou ao filho o que parecia ser uma bomba na sua parte inferior. Ela diz que James a corrigiu, revelando o nome técnico do equipamento. Foi justamente quando os pesadelos pioraram, ocorrendo de três a quatro vezes por semana e Andrea decidiu estudar o trabalho da consultora e terapeuta Carol Bowman (autora de "O Amor me trouxe de volta"), que acredita que os mortos, não raro, renascem. Com a orientação de Bowman, eles começaram a incentivar James para compartilhar suas memórias e imediatamente os pesadelos começaram a tornar-se menos frequentes. James também começou a falar mais facilmente sobre seu passado, o que, segundo a autora, é comum em crianças até os cinco anos de idade. "Eles não tiveram o condicionamento cultural ou experiência suficiente nesta vida", disse ela.

Ao longo do tempo, o menino revelou detalhes sobre a extraordinária vida de um ex-combatente -- principalmente na hora de dormir, quando ele estava sonolento. Dizem que o James disse que o avião tinha sido atingido por japoneses e caiu. Contou também detalhes sobre missões, equipamentos utilizados por um avião tipo Corsair, sobre o porta-aviões do qual arrancou a partir ("Natoma") e o nome de alguém que voou com ele ("Jack Larson"). Após alguma investigação, Bruce descobriu que "Natoma" e Jack Larson eram reais. O "Natoma Baía" foi um pequeno porta-aviões, utilizado no Pacífico durante a Segunda Guerra; e Larson estava morando em Arkansas. A partir de então, desvendar esta história se tornou obsessão de Bruce, pai de James. Ele passou a pesquisar na Internet, consultar registos militares e entrevistar homens que serviram a bordo do "Natoma Baía".

Seu filho disse que tinha sido "abatido" em Iwo Jima. James também havia assinado um de seus desenhos da infância com a inscrição "James 3." Bruce logo descobriu que o único piloto da esquadra morto em Iwo Jima foi James M. Huston Jr e que sua aeronave tinha recebido uma rajada de balas no motor. Tais informações foram confirmadas por outro piloto, Ralph Clarbour, que fazia a retaguarda naquela operação de guerra e que pilotava ao lado de James M. Huston Jr. durante uma incursão perto de Iwo Jima, em 3 de março de 1945. Clarbour disse que o viu o avião do companheiro ser atingido por fogo antiaéreo. "Eu diria que ele foi atingido na cabeça, bem no meio do motor", disse ele.

Com tantas evidências, os pais passaram a acreditar que seu filho teve uma vida passada em que ele era James M. Huston Jr. "Ele voltou porque deve terminar alguma coisa, a qual desconhecemos." Mas Paul Kurtz, Professor da Universidade Estadual de Nova York em Buffalo, que dirige uma organização que investiga alegações paranormais, diz que os pais se "auto-enganaram". "Eles são fascinados pelo misterioso e eles construíram um conto de fadas", defende. Com o passar dos anos, as lembranças de James começam a desvanecer-se, mas sua paixão por aviões persiste."Ele parece ter experimentado alguma coisa que eu não acho que seja única, mas a forma como lhe foi revelado é bastante surpreendente", observa Bruce.

Apesar dos céticos, este tem sido considerado o caso mais documentado de reencarnação já estudado e a história é tão atraente que virou livro: "A Volta" (Editora BestSeller, 320 págs, R$.19,90) , escrito a seis mãos pelos pais Bruce Leininger e Andrea Scoggin Leininger e pelo romancista Ken Gross. Para saber mais, visite o blog do livro, que será lançado em agosto. E baixe aqui o primeiro capítulo de "A Volta".


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sábado, 25 de julho de 2009

MINHA VIDA NO PRIMEIRO ANO DE SUA MORTE

Querida Alice, na semana que passou, acordei pensando em você. E, várias vezes por dia, me pegava com alguma cena sua na cabeça. Voltei à reportagem em que contei os últimos 115 dias de sua vida e percebi que completava um ano de sua morte. Você entrou no hospital para morrer em 15 de julho. Nesse dia, na cama asséptica do apartamento, você me pediu para tirar suas meias dos pés. Você nunca gostou de meias nos pés, sentia-se presa. E você não gostava de nada que lhe prendesse, porque muitas vezes se sentia aprisionada numa vida que não sonhou. Mas nos últimos tempos da doença, você sentia muito frio. Na cama do hospital, tirei suas meias e descobri que você estava morrendo com as unhas dos pés pintadas de cor de rosa. Dei um meio sorriso triste. Era tão você, morrer de unhas feitas. Quantas vezes me alertou que uma mulher só podia sair de casa bem vestida, maquiada, com brincos e de salto alto. Então, com os pequenos pés ao sol, você me olhou e disse: “Acho que a história que você está escrevendo sobre mim está chegando ao fim”.

Só naquele instante eu abarquei a grandeza do que você tinha me dado. Você permitiu que eu testemunhasse o fim da sua vida e contasse uma história que jamais leria. Você me deu a história de sua vida – e a de sua morte. Era minha a narrativa de sua existência, a marca escrita de sua passagem no mundo. Ninguém nunca havia confiado tanto em mim. “Eu vou escrever uma história linda sobre você”, eu disse. Foi nossa última conversa. Mais tarde, naquela mesma noite, você ainda acordou e perguntou se eu e o fotógrafo Marcelo Min havíamos comido. De novo, era tão você. Estar morrendo e preocupada se estávamos bem alimentados.

Era você a mulher que alimentava. A merendeira de escola que alimentou por décadas crianças famintas de comida e afeto nas escolas de periferia. O câncer – palavra que você nunca pronunciou – a impedia de comer, envenenava seu sangue. Então, você comia pela minha boca, me engordando com bolos e pães de queijo. E, dia após dia, enquanto lembrava dos cheiros da cozinha de sua mãe, no interior de Minas Gerais, me transmitia receitas, lambuzando-se de recordações. Naquelas conversas telefônicas de cada dia, você na sua casa, eu na revista, comíamos por lembranças. E, pelas suas memórias, minha vida povoou-se de sabores de um fogão de lenha desconhecido.

Na tarde de 18 de julho de 2008, seus olhos erraram pelo quadrilátero do quarto do hospital. Eram dois oceanos agitados de saudade salgada. Então a derradeira tempestade amainou e você fixou sua última cena.

No último sábado, completou-se um ano de sua morte. Eu comi uma feijoada por você. O arroz do restaurante estava como você gostava e, com paciência, me ensinou dezenas de vezes a preparar. A percepção de que a comida nos dá vida e metáforas foi algo que sempre nos uniu. Pela manhã, ao me vestir, eu hesitei diante de um par de tênis, tão mais confortável. Mas quando vi, estava enfiando nos pés um salto alto que você aprovaria. Por que você está tão arrumada?, amigos me perguntaram. Eu respondia com a metade de um sorriso secreto. Essa data era só nossa.

Ailce, aconteceu muito nesse ano. Um pouco mais até do que minha sanidade era capaz de suportar. Você sabe, a vida é sempre mais faminta do que supomos. Logo que a conheci, eu descobri que a narrativa da sua história seria a reportagem mais difícil da minha trajetória. Como fazer uma reportagem cujo fim era a sua morte? Só foi possível porque aprendemos a amar uma a outra. Você, a personagem de uma vida. Eu, a narradora de uma morte. Você morreu e eu contei a sua história. Apalpei cada palavra na busca daquelas que dessem a dimensão real de sua passagem pelo mundo. Como contadora de histórias reais, sempre que escrevo meu maior medo é reduzir a vida de alguém. Com você, essa preocupação pesava ainda mais sobre meus ombros doloridos, já que você nunca leria a escritura de sua vida. Eu precisava merecer em cada linha o poder amoroso que você tinha me dado.

Você acreditava em Deus, embora tenha brigado com ele em alguns momentos. Brigava porque acreditava. E porque não entendia como ele fora capaz de deixá-la morrer quando você finalmente planejara viver. Quando você havia jogado o relógio fora e dançava e viajava, os olhos bem abertos para não perder nada, devorando o ar em grandes bocados como se ele fosse acabar de repente. Espero que você esteja no lugar para onde acreditava ir. Eu, que sou bem mais cética, de algum jeito armei dentro de mim a convicção de que você leu meu texto e se reconheceu. Não há como saber se é uma fantasia que precisei criar. Só por essa vez, abracei o mistério sem questionar.

O que eu não adivinhava, Ailce, era que o luto por você seria tão prolongado. Eu sempre soube que não entramos na vida do outro impunemente. Sempre acreditei que uma reportagem só acontece, de verdade, quando transforma a vida do personagem e do narrador. Eu compreendia que ao entrar na sua vida você faria parte da minha para sempre. Ao contar sua história você estaria na minha. Mas eu não adivinhava que doeria tanto – e por tanto tempo.

Depois que você morreu, um caminhão atingiu o carro em que eu viajava, em seguida sofri um assalto com tiros e duas pessoas queridas receberam o diagnóstico de câncer. Em janeiro, perdi alguém que também amava, pela mesma doença. Em seguida, alguém que amo precisou me deixar. Seis meses depois de você morrer, eu não conseguia mais comer nem dormir. Perdi oito quilos. Eu estava encharcada de morte. Do fundo da minha fragilidade exposta, eu buscava sinais de que a vida persistia em algum canto. Mas era afogada pela névoa espessa dos tantos fins e quase-fins.

Em abril, retalhos de sol começaram a aparecer aqui e ali. E eu voltei a dormir uma noite inteira sem remédios. Eu havia entendido a grande lição que sua vida tinha me dado. Tinha compreendido o que sempre soube em teoria. Meses antes de conhecer você eu tive uma profunda experiência de meditação, em outra reportagem. A partir dela, comecei a viver a experiência, ao mesmo tempo brutal e libertadora, de que na vida só há uma certeza: a de que não temos nenhum controle. Mas essa, me parece, é a lição mais difícil de aprender. Pode levar uma existência inteira para entendermos a que talvez seja a maior de todas as verdades humanas. Ou podemos morrer sem alcançar a essência da matéria de que somos feitos.

A morte é essa falta de controle levada à máxima radicalidade. Qualquer pretensão de controle é ilusão. A vida é risco. Não há nenhuma garantia, como você aprendeu de forma tão dura. Apavorada com a doença, o acidente, o assalto, o abandono, a morte de quem amava, me parecia impossível dormir. Se acordada, vigilante, tudo isso acontecia à minha revelia, como eu poderia dormir? Toda vez que saía de casa me sentia na iminência de uma catástrofe.

A partir da sua morte, em seis meses todos os pesadelos de quem vive se materializaram em mim como vida vivida. Tomada de desespero, eu me agarrava a uma das tantas imagens famosas de Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Em alguns momentos dessa queda brutal no precipício da verdade, acho que até a coragem me faltou. Mas um dia, depois de tantas ilusões arrancadas de minhas entranhas como pedaços de onde brotava sangue vivo, eu finalmente entendi. A falta de controle sobre o vivido não é uma maldição. Ao contrário, ela nos liberta. Se não ficamos perdendo tempo tentando antecipar e planejar cada passo, podemos nos dedicar apenas a viver. Sem postergar, sem adiar, sem deixar para depois. Se é impossível controlar, para que gastar tempo tentando? O mais sensato é enfiar o pé no mundo, sabendo que vamos nos lambuzar. É a incerteza do que nos espera na próxima esquina o encanto da vida.

Analisei então, Ailce, os grandes e pequenos momentos da minha trajetória e descobri que os melhores capítulos haviam sido os inesperados, não os planejados. A filha que nasceu aos 15 anos, numa gravidez adolescente que tantos viram como tragédia, o professor que me mostrou que ser repórter era a melhor profissão do mundo quando eu já tinha decidido seguir outra profissão, o grande amor que apareceu numa festa que eu pretendia não ir porque estava com sono. Minhas melhores reportagens aconteceram quando tudo parecia dar errado. As histórias mais fascinantes que contei foram aquelas em que ouvi algo totalmente diferente do previsto. Se nos fechamos para o imprevisível, como a vida poderia ser menos do que um tédio? É o que ainda não sabemos, o que está para acontecer, que contém o germe da vida.

Quantas vezes não percebemos, depois de algum tempo, que a suposta catástrofe se revelou o melhor que poderia ter nos acontecido? Como a demissão de um emprego que detestávamos, mas achávamos que era preciso manter porque nos garantia segurança. O casamento que nos aniquilava, mas que pensávamos ter de segurar porque era garantido. A viagem de férias para o mesmo lugar para não nos arriscar nem mesmo à possibilidade de algo novo acontecer. Todas aquelas coisas que soam seguras, mas que matam nosso desejo.

O que aprendi com sua vida e sua morte, Ailce, é que a segurança não é uma bênção, é um perigo. Ter maturidade, tornar-se adulto, não é, como tantos dizem, acatar o manual, seguir o rebanho, fugir do risco. Ao contrário. A sabedoria é abraçar o risco, aceitar a impossibilidade de controlar a vida como possibilidade, compreender que só o inesperado pode nos levar a algum lugar. O planejado é o território do previsível, se já sabemos o que vai acontecer, qual é o sentido? O que ganhamos indo sempre ao mesmo lugar, do mesmo jeito, evitando qualquer surpresa? O melhor do humano é a capacidade de se espantar. É pelo espanto que tudo se inicia.

Na semana que passou, quando um tempo inconsciente assinalou dentro de mim o primeiro ano de sua morte, eu atendi ao chamado de uma reportagem daquelas impossíveis de prever o quanto vai exigir de mim. Bati na porta de uma vida e entrei num mundo que vai me revirar pelo avesso. Desde que vivi com você a sua morte, minha alma em carne viva tocava a dor do outro e recuava. Dava os primeiros passos e voltava para trás. Dentro de mim, as cicatrizes ainda eram frágeis e se abriam ao primeiro toque. No primeiro sinal de sangue, eu corria.

Precisei de muito mais tempo do que imaginava para viver meu luto por você, para aceitar a sua morte e todo o imponderável da minha vida que ela continha. Para entender, de verdade, a frase que você me disse no nosso primeiro encontro: “Quando eu tive tempo, descobri que meu tempo tinha acabado”.

Algo se libertou nessa semana dentro de mim. Você é parte da minha história, vive dentro de mim como de todas as pessoas que a amaram, nas células de todas as crianças que salvou da desnutrição. Mas agora vou me deixar viver – e deixar você partir. Parto também eu para todas as vidas possíveis que me esperam. De salto alto e batom vermelho, torcendo pelo desconhecido que me aguarda na virada de cada uma das esquinas do mundo.

Obrigada. Adeus.
Repórter especial de ÉPOCA e autora de A Vida Que Ninguém Vê,
(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Ed. Globo)

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

A CRISE

Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos.

A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias.

Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”.

Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que as soluções.

A verdadeira crise, é a crise da incompetência.

O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia.

Sem crise não há mérito.

É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.

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quinta-feira, 25 de junho de 2009

PACIÊNCIA - Aline Rangel


Em momentos de crise, de conturbação em torno de si, valiosíssimo exercitar a paciência. Não se trata de assumir postura passiva diante de acontecimentos funestos, muito menos de abrir mão da responsabilidade pela ação justa no bem voltado a si ou a outrem. Mas sim de reconhecer os limites que a experiência apresenta, considerando-os como peças também importantes do quebra-cabeça cuja paisagem é um aprendizado mais difícil. A paciência ensina a confiar e aguardar, quando as iniciativas possíveis já foram tomadas, quando os recursos disponíveis já foram devidamente utilizados.

Nada fácil perceber quando se faz imprescindível agir, de forma combativa ou defensiva, protegendo a si e ao outro numa situação de risco. Sutilíssima a linha divisória entre esperar o momento apropriado e ser negligente, deixando de fazer o que é necessário para que as coisas se resolvam da melhor forma. Como saber se o acerto está em parar? Como distinguir paciência de condescendência com os próprios erros? O que indica que não se está sendo irresponsável com faltas alheias, assumindo postura viciosa ao invés de educativa acerca do mal? Como alerta a mestra Eugênia, não há respostas prontas, acabadas para dramas complexos. Mas há pistas para se reconhecer o caminho de resolução. Primeiramente, vale considerar a necessidade de autoconhecimento, a fim de que sejam percebidos os mecanismos de controle do ego. Estes não primam pela solução de conflitos, mas sim por se estar com a razão. Se, diante da dificuldade, providências foram tomadas, pessoas de confiança foram consultadas, a intuição foi ouvida, entre outras iniciativas importantes, cabe aguardar confiante e pacientemente para que o melhor aconteça. Insistir em “resolver” certas pendências acaba por reforçar o pior, em si e no outro, já que não se tem aí o desejo sincero de mudança e crescimento, mas sim a necessidade de que as coisas aconteçam de acordo com caprichos pessoais.

Paciência é conquista daqueles que não se constrangem em aprender com os próprios erros, dos que se sentem à vontade em abrir mão do controle, dos que não se importam em adiar gratificações, de quem não se incomoda em pedir ajuda, daquele que ensaia colocar-se no lugar do outro e respeitar seu ritmo, dos que não desejam “ganhar”, mas sim vencer(a si mesmo, principalmente)… Ter paciência é compreendera vida em profundidade… Seus ciclos, suas ambigüidades, suas surpresas… Ser paciente é aprender a recomeçar, deixando de lado a vergonha e a culpa… É não ter medo de admitir o equívoco e se esforçar por um dia superá-lo, com dignidade… É confiar nas infinitas possibilidades de crescimento, fazendo o que se pode e deixando a Quem Pode o milagre da transformação.

Aline Rangel

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

NOSSOS DESTINOS


Nossos destinos são idênticos.
Não há privilegiados nem deserdados.

Todos percorrem a mesma vasta carreira e, através de mil obstáculos, todos são chamados a realizar os mesmos fins.

Somos livres, é verdade, livres para acelerar ou para afrouxar a nossa marcha, livres para mergulhar em gozos grosseiros, para nos retardarmos durante vidas inteiras nas regiões inferiores;mas, cedo ou tarde, acorda o sentimento do dever, vem a dor sacudir-nos a apatia, e , forçosamente, prosseguiremos a jornada."

Léon Denis (Depois da Morte, cap. XII)

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

DISCUTINDO O PERDÃO - Aline Rangel

Ao se falar em perdão, inúmeras questões delicadas se fazem inevitáveis… Confundido com aceitar um ataque sem defesa, concordar com comportamentos abusivos, apassivar-se diante de situação crítica, esquecer completamente o mal que se haja sofrido, o perdão acaba por se transformar em algo que se dá ao outro, injustamente, ou em atitude reservada, exclusivamente, aos que alcançaram a santidade. Alguém me fere ou prejudica gravemente, e eu, para ser considerada uma pessoa de bem, devo aceitar e esquecer o que aconteceu, independente do quanto tenha sido afetada, de que tipo de consequências tenham sido produzidas. Em nome da “moral e dos bons costumes”, ou mesmo de um dever “cristão”, cotas expressivas de raiva, decepção e mágoa se convertem em doenças graves, num processo autodestrutivo de punição por haver “perdoado” o que nem mesmo foi passível de compreensão.

Como distinguir, então, esse tipo de postura do perdão? Em diálogo publicado neste site, espíritos incógnitos discorrem sobre o tema, desmistificando-o. Perdoar, segundo os orientadores desencarnados, não significa compactuar com o erro, nem gostar da pessoa responsável pelo mal; é um presente que se dá a si mesmo. Importantíssimo resolver esse tipo de pendência, não só em função das mazelas orgânicas que se podem sofrer, como afirmam os mentores desencarnados: “Existem dimensões muito mais profundas, emocionais, espirituais da ausência do perdão que podem gerar verdadeiros infernos na vida do indivíduo, como a incapacidade de se abrir, de confiar, de se vulnerabilizar nos relacionamentos interpessoais, de amar, de relaxar, de ser feliz.” Para tanto, imprescindível colocar limites claros para si, não se obrigando, por exemplo, a conviver com um desafeto. Outro aspecto fundamental é exercitar o desapego – indispensável para quem deseja se desligar de sentimentos menos felizes -, abrindo espaço para que o novo se faça presente na própria vida. O quanto estamos, realmente, disponíveis a abrir mão da mágoa, do ressentimento? Será que estamos dispostos a reconsiderar nossos pontos de vistas, nossa “razão”? Será que desejamos mesmo liberar o outro e o nosso coração para sermos felizes?

Ao fazer estas e outras tantas perguntas melindrosas, é provável deparar-se com uma grande surpresa… A dificuldade em aceitar a humanidade falível do outro tem a ver com esta mesma impossibilidade em relação a si mesmo. Importantíssimo olhar para si, cuidadosa e respeitosamente, encarar falhas e erros graves e disponibilizar-se à mudança, com paciência e bom senso. Não é preciso concordar com as posturas equivocadas do passado, muito menos gostar dos deslizes cometidos. É necessário amar. E o amor não pede perfeição, mas sim confiança no futuro e abertura ao melhor.

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sábado, 20 de junho de 2009

A MÚSICA DA VIDA (POR QUE DÓI TANTO ? )

Não há quem caminhe pelas estradas da vida sem que cruze, em algum momento, pelos caminhos da dor. Em um mundo onde as certezas são relativas, a dor é processo quase que inevitável. Algumas vezes, ela vem carregando consigo a separação de quem amamos. Outras vezes é a doença que se instala. Seja qual for sua origem, a dor vai sempre provocar momentos de reflexão e análise. Ela é o freio que a vida faz em nosso cotidiano, em nossos valores, em nossas manias mesmo, provocando o questionamento das coisas da vida e dos caminhos que percorremos.

Nesse questionamento, alguns optam pelo caminho da revolta. São os que maldizem a Deus, que se veem injustiçados, pois não mereciam. Não veem utilidade nenhuma na dor, a não ser o sofrimento pelo sofrimento. Outros utilizam a dor como aprendizado. São os que entendem os mecanismos de Deus como justos, e Deus como infinitamente amoroso para cada um de nós.

É necessário que repensemos qual o papel da dor para cada um de nós. Ela não é simples ferramenta de castigo de Deus, ou ainda, obra do acaso. Um Deus amoroso jamais agiria por acaso, ou castigaria seus filhos. Toda dor que nos surge é convite da vida para o progresso, para a reflexão, para a análise de nossos valores e de nosso caminhar. Sempre que surge, traz consigo a oportunidade do aprendizado, que não se faria melhor de outra forma. Não se trata de fazer apologia à dor, tampouco de buscá-la a todo custo. Assim, para as dores da alma, devemos buscar os recursos da psicologia e da psiquiatria. Para as dificuldades do corpo físico, os recursos clínicos ou cirúrgicos.

Porém, quando todos esses recursos ainda se mostrarem limitados, a dor que nos resta é nosso cadinho de aprendizado. A partir daí, nossa resignação dinâmica perante os desígnios da vida nos ajudará a entender qual recado e qual lição a vida nos está oferecendo. Quando começarmos a entender que a dor sempre vem acompanhada do aprendizado, começaremos a entender melhor a música da vida, e qual canção ela está nos convidando a aprender a cantar. Afinal, nada que nos aconteça é obra do acaso. Somos herdeiros de nós mesmos, desde os dias do ontem, e hoje inevitavelmente nos encontramos com nossas heranças. As carências de hoje é o que ontem desperdiçamos, e as dores que surgem são espinhos que colhemos agora, de um plantio que se fez deliberadamente.

A dor é mecanismo que a vida nos oferece de crescimento e aprendizado. Porém ela somente será necessária como ferramenta de progresso enquanto o amor não nos convencer e tomar conta do nosso coração.

A partir de mensagem do Momento Espírita. Leia texto integral

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

A MORTE E SEUS ENSINAMENTOS


A morte é uma grande reveladora. Nas horas de provação, quando as sombras nos rodeiam, perguntamos algumas vezes: Por que nasci eu? Por que não fiquei mergulhado lá na profunda noite, onde não se sente, onde não se sofre, onde só se dorme o eterno sono? E, nessas horas de dúvida e de angústia, uma voz vem até nós e diz-nos: Sofre para te engrandeceres, para te depurares! Fica sabendo que teu destino é grande. Esta terra fria não é teu sepulcro. Os mundos que brilham no âmbito dos céus são tuas moradas futuras, a herança que Deus te reserva. Tu és para sempre cidadão do Universo; pertences aos séculos passados como aos futuros, e, na hora atual, preparas a tua elevação.

Suporta, pois, com calma, os males por ti mesmo escolhidos. Semeia na dor e nas lágrimas o grão que reverdecerá em tuas próximas vidas. Semeia também para os outros assim como semearam para ti! Ser imortal, caminha com passo firme sobre a vereda escarpada até às alturas de onde o futuro te aparecerá sem véu! A ascensão é rude, e o suor inundará muitas vezes teu rosto, mas, no cimo, verás brilhar a grande luz, verás despontar no horizonte o Sol da Verdade e da Justiça!


A voz que assim nos fala é a voz dos mortos, é a voz das almas queridas que nos precederam no país da verdadeira vida. Bem longe de dormirem nos túmulos, elas velam por nós. Do pórtico do invisível vêem-nos e sorriem para nós. Adorável e divino mistério! Comunicam-se conosco e dizem: Basta de dúvidas estéreis; trabalhai e amai. Um dia, preenchida a vossa tarefa, a morte reunir-nos-á.

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quinta-feira, 11 de junho de 2009

DEPOIS DE ALGUM TEMPO VOCÊ APRENDE


"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se,e que companhia nem sempre significa segurança. E começa aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com graça de um adulto e não a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair meio em vão."

"Depois de algum tempo, você aprende que o sol queima, se ficar a ele exposto por muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que, não importam quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo (a) de vez em quando, e você precisa perdoa-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos."

"Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm muita influência sobre nós, mas que nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser. Descobre que leva muito tempo para se chegar aonde está indo, mas que, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados."

"Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática.Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas pessoas que o ajudam a levantar-se. Aprende que a maturidade tem mais a ver com tipos de experiências que se teve e o que se aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais de seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva, tem direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama mais do jeito que você quer não significa que esse alguém não o ame com todas as forças, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, e que algumas vezes, você tem que aprender a perdoar a si mesmo."

"E que, com a mesma severidade com que julga, será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára, para que você
junte seus cacos. Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende realmente que pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir mais longe, depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor diante da vida !!!"

Willian Shakespeare
Vídeo divulgado pelo C.E. Fraternidade, de Avaré (SP),
a partir de texto de William Shakespeare, com narração de Moacir Reis.

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

ESCOLHA AS COMPANHIAS PARA SEUS SONHOS


Gostaria de saber o que significa o sonho que tenho. Sonho sempre com minha mãe; que está voltando para casa; que não morreu. Que foi tudo um engano e que estava escondida para ver se sentiríamos sua falta. O que faço? Sinto muito sua falta e esses sonhos me deixam arrasada o dia todo. Por favor me ajudem". L. (por e-mail)

Vou lhe responder utilizando as oportunas observações da autora Cheyla Bernardo Fett, divulgadas no Jornal Boa Nova (Edição 12, de julho de 1997). Como ela bem anota, para alguns, os sonhos podem ter significados ocultos. Para outros, são pura fantasia. Há pessoas que nem sonham. Para nós, espíritas, os sonhos podem ser vistos como uma prova da imortalidade e independência da alma com relação ao corpo. Segundo "O Livro dos Espíritos", a partir da questão 400 até 418, o sonho é a lembrança que temos das experiências que nosso espírito vive no mundo astral enquanto nosso corpo dorme. Durante o sono, a alma se desprende e pode vagar por lugares aqui na terra ou no plano espiritual, encontrando pessoas conhecidas ou não e vivenciando atividades agradáveis ou não, segundo sua natureza.

Uma pessoa acostumada aos vícios pode ter seu espírito atraído a bares ou boates durante o sono, e aí ela vai encontrar espíritos afins e praticar o que gosta. Uma pessoa acostumada a fazer o bem pode encontrar outros bons espíritos e freqüentar hospitais, asilos, visitar espíritos que sofrem no astral e levar sua ajuda. Ou mesmo ir a lugares belos e estudar. Durante esse desprendimento também podemos encontrar entes queridos que se foram e conversar, saber do seu estado ou receber conselhos.

Ao despertarmos, nem sempre nos lembramos completamente do que fizemos no plano espiritual. Às vezes, não nos lembramos de nada, e dizemos então que não sonhamos. Outras, lembramos apenas vagamente do que aconteceu, guardando alguma impressão boa ou ruim da experiência. Apenas em algumas ocasiões podemos nos lembrar dos sonhos com clareza e narrarmos seus detalhes, dos quais guardamos profunda impressão. É o que acontece, por exemplo, quando sonhamos com um parente falecido que nos diz do seu estado no além ou quando alguém, mesmo desconhecido, nos dá conselhos úteis.

Há também os sonhos provenientes do nosso subconsciente. Neste caso não são experiências reais as vividas pelo nosso espírito, mas apenas lembranças das nossas ocupações ou problemas diários. Esses sonhos normalmente são mais confusos, funcionando como uma válvula de escape para nossas emoções.

O motivo de nem sempre nos lembrarmos dos sonhos é a força da impressão que ele nos causa. Se nós simplesmente nos envolvemos com as mesmas atividades que estamos acostumados durante o dia, nenhuma impressão forte guardamos ao acordar. Mas se vivenciamos algo diferente ou importante, ficaremos impressionados e nos lembraremos. Infelizmente, essa impressão forte nem sempre é boa. É o que acontece no caso dos pesadelos.

Os maus sonhos têm como causa algum desequilíbrio oculto ou não em que vivemos. Quando estamos excessivamente preocupados com ganhar dinheiro, podemos sonhar com problemas no trabalho, desemprego, assaltos e coisas parecidas. Se o excesso de zelo for com a nossa aparência, podemos sonhar com acidentes, morte ou doença. Se nos agarramos demais com as pessoas de quem gostamos, às vezes sonhamos com a sua perda ou com desentendimentos. Todo comportamento que se afasta do equilíbrio, revelando orgulho, egoísmo, vaidade, ciúme, avareza e qualquer defeito da alma acaba tendo como conseqüência os pesadelos. Eles servem como alerta de que precisamos nos corrigir para ter paz na consciência.

Há ainda um aspecto mais perigoso, porém interessante: da mesma forma que os bons espíritos aproveitam nosso desprendimento para dar bons conselhos ou conversar, os maus também podem se aproximar para nos perturbar. Eles aproveitam o desequilíbrio moral que citamos acima e nos provocam os pesadelos, que normalmente são aqueles que nos deixam impressionados por mais tempo. Em alguns casos mais graves, em que os pesadelos se repetem ou são freqüentes, acabamos por ter nosso comportamento diário alterado por causa dos sentimentos ruinsdespertados por esses sonhos, como o medo, tornando-nos agressivos e arredios. Nossa saúdetambém fica prejudicada pela falta de descanso noturno.

É aí que o Espiritismo pode novamente nos ajudar. Além de nos esclarecer sobre o que pode estar acontecendo conosco, podemos encontrar socorro no centro espírita. Lá receberemos as lições que nos farão reorientar nossas vidas, através das palestras ou de orientações particulares (conversando com os dirigentes da casa). Podemos achar em nós mesmos os defeitos que nos prejudicam e trabalhar para corrigi-los. É no centro espírita também que pode ser percebida a participação de um mau espírito provocando nossos pesadelos. Uma equipe mediúnica poderá afastá-lo até que reencontremos o equilíbrio. Ao mesmo tempo, os passes ajudarão a recompor a saúde física. Se você ou alguém com quem convive está sofrendo com esse problema, procure o centro espírita. Ele poderá ajudá-los.

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domingo, 24 de maio de 2009

FIQUE FIRME, NÃO DESISTA

Desistir é uma solução permanente para um problema temporário.(James MacArthur)

Eu fico imaginando quantas pessoas
desistiram dos seus sonhos apenas duas ou
três semanas antes de conseguirem
aquela realização tão esperada.

Um dos maiores desafios rumo a uma realização
bem-sucedida é o de manter um
senso de urgência em relação ao seu trabalho,
e ao mesmo tempo ser paciente
o suficiente para permanecer firme
o tempo que for necessário.

É absolutamente importante a presença
de três indispensáveis ingredientes:
acreditar, ter fé e confiar.

Primeiramente:
acreditar naquilo que você está fazendo.

Fé na certeza de que existe um Deus
que em momento algum o desamparará;
e confiar que mediante os valores
que você está estabelecendo,
o retorno fatalmente virá
numa forma multiplicada,
muitas e muitas vezes.

Se você trabalhar em algo o tempo suficiente,
e sinceramente der o melhor de si a cada dia,
e constantemente buscar novos
rumos e estratégias a fim de
aprimorar a sua perfórmance,
sem nenhuma dúvida você será bem-sucedido.

Tudo aquilo que é rico de genuíno
valor e significado toma tempo.

Não me interprete mal.
Com isso não estou
querendo dizer que você deverá
simplesmente esperar que as coisas
aconteçam naturalmente por si mesmas.

Saiba aonde você está indo;
dê o melhor ao seu trabalho;
dê tudo que é possível dar.

Providencie,
transmita os valores para o maior
número possível de pessoas,
e então você se dará conta de que a confiança
que depositou nos seus esforços
será ricamente recompensada.

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terça-feira, 19 de maio de 2009

LIMITAÇÕES NOS ENSINAM A VIVER


"Meu filho foi diagnosticado com DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção). É desatento, tem baixo rendimento escolar e quase nenhuma concentração. Demos algumas tarefas pra ele desde os sete anos no intuito de estimular a responsabilidade, como arrumar o quarto dele, pegar a sujeira do cachorro, e tirar a sacola de lixo do banheiro. Sempre é a mesma coisa, na mesma ordem, todo dia, mas ele sempre me pergunta: 'Mãe o que é que eu tenho fazer mesmo?" Eu repito tudo de novo aí ele diz: 'Ahhhhhh...'. Essas coisas 'domesticas', por si só, não levam ao medicamento, mas o rendimento escolar sim. O caso é que o DDA é pra vida toda... E o remédio (ritalina) também... e os efeitos colaterais idem, pois não posso esquecer que é uma anfetamina. Quanto a ser 'índigo' (possibilidade que acredito), e por ser espirita, fiquei dividida. Penso que se as crianças índigo são uma realidade, será justo eu drogá-lo a pretexto de fins medicinais? Se ele soubesse dos riscos pudesse discernir sabendo que será assim pro resto da vida será que escolheria tomar? Não acho que por ser índigo trouxeram alguma varinha magica ao nascer, mas acredito sim que um outro ponto de vista, idéias inovadoras e outras reminiscências de suas vidas pretéritas podem sim ajudar a mudar nosso planeta. Medicá-lo não seria calar essas lembranças, essas sensações e atrapalhar os desígnios da espiritualidade. Esse é meu medo maior, além dos efeitos colaterais claro, pois a escolha é minha e não dele. Quando saímos da médica, ele pediu pra eu comprar o remédio, dizendo 'eu quero tomar mamãe, assim vou conseguir ser igual as outras crianças e todos vão me aceitar e gostar de mim..." E arrematou assim: "aí você vai ficar feliz comigo né??' Imagine com ficou meu coração? A solução que encontrei por hora foi o placebo. Gostaria de uma opinião." L.C. (Rede de Amigos)

Já falamos crianças índigo e sobre meu posicionamento crítico, principalmente em relação ao que os norte-americanos defendem. Afinal, um espírito especial (que assim, ou qualquer outro nome identifique) e que, como dito, questiona todo tipo de autoridade e rigidez dos pais, muitas das vezes pode ser confundido tão-só com uma criança rebelde e mal educada. Pois creio que a positividade no quebrar as regras passa pela justificada motivação e pela conduta de fazê-lo. Gandhi foi um expoente da desobediência civil, quebrando regras e afrontando o poder de um rico Estado europeu pregando a não violência.

É preciso o equilíbrio e é sabido que crianças precisam de limites claros e bem definidos para se desenvolverem. Mas como estabelecer esses limites com crianças que estão nos questionando o tempo todo, que quebram regras, que não aceitam respostas simplistas ou autoritárias? Por vezes, é uma tentação deixar de lado, fazer de conta que não viu, mas trata-se de um risco. Dizem os educadores que ter uma criança mal-educada em casa é como ter uma bomba prestes a explodir. Ter um "espírito especial" mal-educado em casa é como ter em mãos uma bomba atômica. Tudo para essas crianças é potencializado. Para o bem e para o mal. Pense na hipótese de que Hitler tivesse traços de uma "espírito especial", no sentido de questionamento e inteligência. Sua trajetória, e especialmente as idéias que assimilou durante a primeira infância, certamente contribuiram para transformar-se no que sabemos.

Para mim, seres especiais e superiores são "seres prontos", no sentido de caráter e caridade. As chamadas "índigo" são apenas "espíritos velhos", experientes por encarnações anteriores, preparados e inteligentes. Mas isto não chega a ser necessariamente positivo. Podem ser seres com potencial maior para ajudar, mas precisam dos pais tanto quanto qualquer ser humano para crescer sadio, pleno.

No tocante às suas dúvidas quanto ao tratamento, acredito que as dificuldades enfrentadas por ele não podem ser encaradas fora da realidade da reencarnação. O próprio Chico Xavier, que nasceu com uma especial missão, perdeu a mãe aos cinco anos, foi entregue a uma casa estranha, onde apanhou sem motivação. Começou a trabalhar aos dez anos num ambiente insalubre, com excesso de pó; depois como caixeiro, numa jornada de catorze horas por dia. Em 1931, perdeu a visão do olho esquerdo, passando por cinco operações cirúrgicas de grande risco. Disse certa vez: "Sempre lutei com doenças e conflitos em meu corpo e minha mente. Tantos problemas vão me ajudando a viver e compreender a vida". Curioso saber que nunca se submeteu a cirurgias espirituais, pois acreditava que devia se tratar convencionalmente e conviver com suas dificuldades. No mesmo sentido foi a resposta de Emmanuel quando questionou o mentor sobre sentido de suas doenças: "As lutas e as caminhadas pelo bem não excluem as limitações".

Entendo que há uma razão para o nascimento de seu filho com este caráter especial. Afinal, a dificuldade de aprendizado fez parte da história de vida de verdadeiros gênios. Esse é o caso, por exemplo, de John Nash Jr, retratado há pouco tempo atrás no filme "Uma mente brilhante", que foi diagnosticado com esquizofrenia. Mas ele emergiu como um prodígio da matemática aos 21 anos e fundou a economia moderna. Participou como cientista militar -- quando acreditava ser perseguido por comunistas -- e, internado depois de uma crise psicótica, passou anos alheio, vagando pelo campus de Princeton, onde o apelidaram de "fantasma". Conseguiu recuperar a sanidade de forma milagrosa e suficiente para receber o Prêmio Nobel em 1994.

No caso do DDA, o tratamento baseia-se em medicação e não acredito que esta tenha o condão de anular as qualidades espirituais de seu filho. Mas, melhor do que eu, você sabe que é importante que seja avaliada com critério em função dos efeitos colaterais. Soube que mais de 80% dos portadores de TDAH beneficiam-se com o uso de medicamento, mas, em alguns casos, não apresentam nenhuma melhora significativa, não se justificando o uso. A duração da administração de um medicamento também é decorrente das respostas dadas ao uso e de cada caso. Em hipótese semelhante, acompanhei um amigo que sofreu por quase um ano com as consequências da Hepatite C, entre elas a mais avassaladora foi a depressão. Tentando o suicídio por pelo menos duas vezes, acabou sendo medicado fortemente e acabou quase que perdendo completamente a personalidade. À época, disse à sua mãe que seu estado estava estacionado pelo excesso de medicamentos, o que se comprovou com a melhora progressiva, na medida que foi reduzida a carga de remédios. Por fim ele conseguiu se equilibrar com o fortalecimento da crença em Deus.

Esta mesma crença, fortalecida pelo entendimento da filosofia espírita, lhe ajudará nesta caminhada. Por tudo que disse, acredito que não deve excluí-lo do tratamento, pois pode ser o que ele mais precisa no momento para alcançar um equilíbrio pessoal que deve ser desenvolvido. Em regra, pessoas com uma limitação necessitam, primordialmente, acreditar. Acreditar que são capazes e ter a disposição para o esforço necessário que a vida nos exige.

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segunda-feira, 18 de maio de 2009

EM SONHO, TOQUEI, ABRACEI E BEIJEI MEU FILHO


"Meu filho Eduardo faleceu no dia 21/12/2008, com 27 anos. O Eduardo era um rapaz aparentemente saudável. No dia 3 de dezembro ele estava viajando a serviço, quando a noite no hotel sentiu uma forte dor lombar, que fez com que fosse para o pronto-socorro. Lá descobriram que a artéria abdominal havia sofrido uma rachadura. Foi realizada uma cirurgia para colocar uma prótese. A cirurgia correu bem, mas logo que passou a anestesia e ele foi desentubado sofreu uma parada cardiorespiratória, entrando em coma, e assim ficou até falecer. Foram dias terríveis, de dor e incerteza. Mas, dia desses, sonhei que caminhava em passos rápidos numa noite escura sobre um gramado, e era acompanha por uma pessoa que não lembro quem era. Na minha frente via uma casa com janela grande de vidro e uma sala muito iluminada. Quando cheguei perto notei que haviam pessoas na sala. Ao chegar mais perto vi o meu filho em pé na parte em que a janela estava aberta. Comecei a chorar e corri para a janela, ele se debruçou sobre a janela e me abraçou, dizendo: 'mãe porque tu chora, eu estou bem, e estou lhe preparando uma surpresa, só não posso lhe contar o que é'. Eu o beijei, abracei, e logo estava dentro da sala. Então ele me falou: 'mãe não chora eu to sempre contigo, você não me sente? eu estou bem, não se culpe pelo que aconteceu, se não fosse agora iria ser outro dia, mas ia acontecer. Eu estou feliz, eu moro com estas pessoas que estão aqui comigo'. Nesse momento vi que havia na sala um casal de idosos e um rapaz. Ai, meu filho os apresentou dizendo que o rapaz se chamava Everton, que havia falecido a 5 anos atrás e que era da região de Cruz Alta, e o casal de idosos se chamavam Jaks. Após ele me abraçou. Como num susto eu acordei. E, que em nenhum momento meu filho chorou, ele estava tranquilo, bonito, mais magro, realçava limpeza vestido numa camisa pólo branca. Estou pedindo resposta porque o sonho foi tão real, pois nele eu senti que toquei, abracei e beijei o meu filho. Eu senti. Após esse sonho passei alguns dias mais tranquila, parecia que eu havia aplacado um pouco a minha saudade. Será que meu sonho foi real, ou só loucura de uma mãe saudosa demais?" N.P. (Grupo Partida e Chegada)

Certamente já deve ter visto neste nosso espaço uma série de artigos que tratam sobre sonhos e a dimensão espiritual que eles tem para aqueles que crêem na espiritualidade. Sabemos que o sono é um veículo de desprendimento e ligação com o mundo invisível, oportunidade na qual algumas janelas se abrem. Vamos a muitos lugares, mas também lugares, coisas e pessoas (principalmente aquelas que nos são mais caras) vêm até nós. O que virá não pode ser previsto, mas sim desejado. Por esta razão defendo que devemos buscar pensamentos positivos, reconfortantes e de caridade nos minutos que antecedem o sono. A oração também é um instrumento poderoso, principalmente para aqueles atingidos por pesadelos e visitas indesejadas.

No seu caso, o forte elo de ligação com seu filho lhe permitiu viajar pelo mundo etéreo das imagens e sensações. Os sonhos, defende o escritor Márcio de Carvalho, "são a primeira forma de mediunidade que se conhece". Através deles, projetamos nosso espírito e, não raro, temos contato ou notícias das pessoas que amamos, estajam elas neste ou em outro mundo.

Por isto a importância do pensamento e dos sentimentos. Sabemos que não devemos "perturbar" o espírito de um ente querido com tristeza excessiva, choro e lamentação. Se enviamos irradiações mentais perturbadoras, criaremos problemas para sua vivência numa nova realidade. Por outro lado, os pensamentos de carinho e saudades (sem o ranço de dor) são positivos e pavimentam seu caminho na nova fase da vida.

Pelo que nos conta, é exatamente este o estado de seu filho, acolhido que foi por espíritos que, de alguma forma, lhe são afins. Esta é a informação que nos importa neste momento, pois é um erro buscar ostensivamente informações que não nos é dado conhecer, ou compreender enigmas de nossas vidas que somente a vivência, a seu justo tempo, nos serão revelados. Digo isto, em suma, para que creia na comunicação real e absolutamente clara que teve, ainda que relativamente recente a viagem realizada por seu filho. Mas também para que não se apegue ao significado ou que busque antecipar acontecimentos que estão e não devem sair do futuro. A "surpresa" a qual ele se referiu somente lhe será indicada quando ou muito tempo depois que houver acontecido, sendo relevante apenas conhecer e ter a certeza da presença dele, em qualquer plano que seja, a velar por você e pelas pessoas que amava.

Em troca, ajude-o como puder. Procure comprender melhor os mistérios da vida e da morte e cultive o hábito da oração. Se os sonhos são uma espécie de mediunidade em estado embrionário, a prece serve como um meio de comunicação mais eficiente que e-mails, telegramas ou sedex. Simplesmente porque transporta algo absolutamente mais rico e valioso, o sentimento.

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

A RAZÃO DA VIDA É O SENTIDO DA CAMINHADA

"Você já percebeu que, às vezes, uma vaga tristeza se apodera do nosso coração e nos leva a considerar amarga a vida? É que nosso Espírito, aspirando a felicidade e a liberdade, se sente esgotado, cativo ao corpo e a esta vida, que muitas vezes estranhamos. Com isto, caímos no desânimo e, como o corpo sofre essa influência, toma-nos o cansaço, o abatimento, uma espécie de apatia. E nos julgamos infelizes. A saudade dos amores que já se foram comprime-nos o peito, e a solidão aproveita para se instalar em nossa alma sofrida. Os dias se sucedem e a tristeza teima em nos fazer companhia..."

Quantas vezes você se viu pensando em Deus, pensando na vida; em tudo que o cerca e perguntando qual a função disso tudo?! Quantos leitores nos escrevem encarando a vida como uma interrogação, julgando ser seu destino o sofrimento. Mas, como disse o espírito Ivan Albuquerque, "não nascemos para ser tristes e viver entre dor, gemido e pranto, mas, aqui estamos para alcançar o bem". Nascemos para servir, para sermor felizes, para crescer e amar. Mas o que precisamos entender, principalmente, é que nossas vidas têm uma função, um motivo, que é desempenhar uma missão que não suspeitamos, eis que o esquecimento nos auxilia a começar do nada nossa existência infinita.

E se, no decorrer desse período, advierem as inquietações, as tribulações, as noites sem estrelas, os dias amargos, devemos manter-nos fortes e corajosos para os suportar. Nesses dias difíceis, é importante que fechemos os olhos e, numa oração sincera, peçamos força. Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perda de seres amados, encontram consolação na fé. Já sobre aquele que, ao contrário, nada espera após esta existência, ou que simplesmente duvida, as aflições caem com todo o peso e nenhuma esperança lhe alivia a amargura.

Portanto, entenda que a razão da vida é sentido de uma caminhada. Uma viagem que busca a nossa melhoria e que precisa de nossa disposição para o novo, para ajudar e para o imprescindível exercício da humildade. Somos, todos, peregrinos e companheiros. E como em todas as longas caminhadas teremos surpresas e dificuldades, algumas devidas ao trajeto, outras devido à convivência. Basta nos, no entanto, a certeza de que chegaremos maiores e melhores se nos dispusermos a enfrentar o destino com alegria e coragem.

A partir das mensagens "Uma vaga tristeza" e "Quem eu sou" , do Momento Espírita

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segunda-feira, 4 de maio de 2009

NÃO PERCA OS MOMENTOS BONS

Vou escrever rude e direto. Há ocasiões em que não há tempo para delicadezas e rodeios. Você acha que sua vida é uma droga, que ela não é nada daquilo com que você sonhou.

Deixe suas queixas para quando houver real razões para elas; não estou fazendo o jogo do contente da Polianna e nem usando o argumento "muita gente está pior do que você". O jogo do contente é um jogo de mentiras e o jogo do "muita gente está pior do que você" não consola. A desgraça do outro não é razão para eu estar feliz. Estou simplesmente tentando chamar você à razão. Não é a sua vida que vai mal. É a sua alma.

Da tradição Zen vem esta história que eu quero lhe contar: "Um homem estava numa floresta escura. De repente ouviu um rugido terrível. Era um tigre. Aterrorizado, ele se pôs a correr, mas caiu num precipício. No desespero da queda agarrou-se num galho e ali ficou. Foi então que, olhando para a parede do precipício, viu um pé de morango. E nele, um morango, gordo e vermelho. Estendeu o seu braço, colheu o morango e o comeu deliciosamente". E assim termina a história!

Pode ser mais tarde do que você imagina. Não perca os momentos bons que a vida está lhe oferecendo, mesmo quando você se encontra em desespero. Pode chegar um momento em que você tenha que dizer: "Que pena que não comi com alegria o morango".

Mas aí será tarde. Lembre-se: o passado já foi. Não há como lamentar.

O futuro ainda não chegou. Só não tenha o que lamentar quando ele chegar. A única coisa que temos é o momento presente. Portanto, não perca os bons momentos.

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domingo, 3 de maio de 2009

SONO : O ENCONTRO COM PESSOAS AFINS


É cada vez frequente em nossa caixa de e-mails, na Comunidade no Orkut e na Rede de Amigos do blog o questionamento sobre sonhos. Muitas das vezes, os leitores buscam algo que foge às nossas possibilidades, que é a interpretação das imagens e fatos ocorridos durante o sono. Outras tantas perguntas relacionam-se as lembranças de sonhos que se vão, ficando a nítida sensação de que ocorreram encontros importantes dos quais não recordamos. É sabido -- e já tratamos aqui do assunto -- que o sono é um momento de concessão, no qual nos é permitido superar as dificuldades intuitivas e nos comunicarmos com pessoas afins e entes queridos que se foram. É o momento em que nosso espírito se liberta desse mundo e no qual aprendemos e nos consolamos.

O desprendimento da alma pelo sono constitui oportunidade única para entrarmos em relação com aqueles que se foram ou com nossos mentores. Afirmam-nos a doutrina que "é tão habitual o fato de irdes encontrar-vos, durante o sono, com amigos e parentes, com os que conheceis e que vos podem ser úteis, que quase todas as noites fazeis essas visitas" (questão 414 de 'O Livro dos Espíritos'). Por outro lado, o sonho "é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono". No entanto, nem sempre recordamos nossas experiências após despertar. Dizem os Benfeitores Espirituais que isso se dá porque ainda não temas "a alma no pleno desenvolvimento de suas faculdades" (questão 402 de 'O Livro dos Espíritos).

Em parte o esquecimento pode ser creditado às características da matéria que compõe nosso corpo físico. "O corpo dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais" (questão 403 de 'O Livro dos Espíritos'). É muito justa esta observação da Espiritualidade, pois em nossa condição de Espíritos encarnados, constituem-se memórias conscientes apenas aquelas reminiscências que foram captadas pelos orgãos correspondentes (olhos e ouvidos).

Em função disso, muitos questionam a utilidade destes encontros, alegando que as idéias e conselhos compartilhados durante o sono não possam ser aproveitados na vida. Neste ponto, esclarecem os Espíritos que "pouco importa que comumente o Espírito as esqueça, quando unido ao corpo. Na ocasião oportuna, voltar-lhe-ão como inspiração de momento" (questão 410a de 'O Livro dos Espíritos'). Até porque a grande maioria destes diálogos diz respeito a temas que interessam mais à vida espiritual do que à corpórea.

Portanto, percebemos que a possibilidade de encontro com entes queridos durante o sono é real e freqüente. Aliás, o sono é "a porta que Deus lhes abriu para que possam ir ter com seus amigos do céu" (questão 402 de 'O Livro dos Espíritos'). Mas, para que isso aconteça, mais do que o simples fato de querer quando desperto, é preciso evitar que as paixões nos escravizem e nos conduzam, durante o sono, a campos menos felizes da experiência espiritual.

"Aquele que se acha compenetrado desta verdade eleve o seu pensamento, no momento em que sente aproximar-se o sono; solicite o conselho dos Bons Espíritos e daqueles cuja memória lhe seja cara, a fim de que venham assisti-lo, no breve intervalo que lhe é concedido. Se assim fizer, ao acordar se sentirá fortalecido contra o mal, com mais coragem para enfrentar as adversidades" (item 38 do Capítulo XXVIII de 'O Evangelho Segundo o Espiritismo').

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sábado, 2 de maio de 2009

SIAMESES : UM SÓ CORPO ... DUAS ALMAS ...


Abigail "Abby" Loraine Hensel e Brittany "Britty" Lee Hensel, nascidas no dia 7 de Março de 1990, em Carver County, Minnesota (EUA), são um caso extremamente raro no mundo. São gêmeas siamesas atualmente com 19 anos. Quando nasceram, seus pais escolheram não as separar. Para elas, a vida sempre foi um risco: até hoje são conhecidos apenas 500 casos de siameses que sobreviveram ao primeiro ano.Estima-se que não mais que doze vivam atualmente nos Estados Unidos. A história de Abby e Britty é ainda mais rara. Ao longo da história da medicina, foram registrados apenas quatro casos de gêmeos com apenas um tronco e um par de pernas. Cada uma das irmãs Hensel têm próprio coração e do estômago, enquanto eles compartilham três pulmões. A espinha dorsal de ambas as liga à altura da pélvis, de modo que, a partir da cintura para baixo são uma única pessoa. Cada um tem uma sensibilidade e controle de seus membros e do tronco.

Abby e Britty vivem uma estreita união, mas, ao mesmo tempo, defendem a sua independência: eles são um modelo de boa amizade e da harmonia, da dignidade e da flexibilidade no que diz respeito ao difícil conceito de liberdade individual. A família vive em uma casa estilo colonial, construída em terras planas de vinte hectares de superfície. Patty, é enfermeira de emergência, e o pai, Mike, um carpinteiro e designer de jardins. Ambos confessam que, quando do nascimento das gêmeas, ficaram presos ao desespero. Na época, os especialistas não estavam de acordo sobre a viabilidade de uma intervenção para separar as irmãs. O risco era de que uma delas não sobrevivesse. "Como é que iríamos determinar quem deveria viver?", lembra.

O mundo as conhece desde 1997, quando foram apresentadas por
Oprah Winfrey. Aos 8 anos elas foram capa da revista americana Life que abriu a matéria com o título "Um Corpo, Duas Almas". Vieram ao Brasil em 1998 e deram entrevista à extinta TV Manchete. Antes das irmãs norte-americanas, ficaram famosos, no século XIX, os siameses, Chang e Eng, que de atracão de circo tornaram-se prósperos agricultores. Eles casaram-se e mantinham residências separadas, tendo tido ao todo 21 filhos.

Este artigo pretende servir como exemplo de superação para aqueles que se lamentam das dificuldades da vida. Afinal, a comoção causada Abby e Britty não é apenas um produto da ignorância ou insensibilidade das pessoas. Tal como Freud salientou, o sobrenatural, em qualquer forma que está presente, provoca-nos medo. E, do ponto de vista Espírita, o exemplo serve para profundas reflexões sobre o sentido da vida e sobre este grande aprendizado que é a reencarnação. Isto porque nem sempre os espíritos que vieram juntos em tal situação são afins e, ao contrário, muitas vezes vieram reatar sentimentos desfeitos e reajustar sentimentos (Livro dos Espíritos).

Os espíritas explicam que são espíritos que se odeiam ou se amam patologicamente, gerando um fluxo de energia que se funde reciprocamente. Concluindo naturalmente que são reencarnações expiatórias, de aversões e ódios seculares. Conforme bem explica o médico
Zacharias Calil, "entende-se se tratar provavelmente de dois espíritos ligados por ódio extremo, talvez de muitas reencarnações, e que renasçam nestas condições não por livre escolha ou punição divina, mas por uma espécie de determinismo originado na própria lei da causa e do efeito. São impelidos por uma irresistível atração de ódio e desejo de vingança, buscam-se sempre e acabam se reencontrando por vezes em situações dramáticas, que os obrigam a partilhar o próprio sangue, as funções vitais e o próprio ar que respiram".

Essa convivência que poderá ser longa ou curta estabelecerá laços de parceria e apoio, despertando os sentimentos de amizade, de respeito mútuo, e com isso se inicia uma reconciliação pelo perdão. Algumas outras razões possíveis falam em casos que são espíritos que levaram a simbiose psíquica às últimas consequências, reparando agora, na própria carne, o crônico egoísmo. Portanto, se você ainda acredita que sua vida é um insuportável fardo, tente repensar as supostas razões de sua revolta.

Por Marcos Grignolli

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