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domingo, 15 de fevereiro de 2009

MUITAS VEZES CAUSAMOS DORES A TODOS

"Queridos meus. Tenho procurado me organizar para com equilíbrio possa estar nas devidas condições de através das linhas expressar toda minha saudade aos que tanto sofreram e ainda sofrem por minha despedida tão difícil para todos.

Muitas vezes tomamos atitudes impensadas e imprudentes, causando dores para todos. Eu resolvi seguir um caminho inverso á todo amor e cuidados que minha mãezinha traçou para mim. Não devo aqui, justificar minha imprudência, mas sim o que aprendi com essa rápida partida. Após o acidente, fiquei muitos dias desesperado, perguntando sempre qual a razão de estar ali, vivo e ao mesmo tempo, sem forças para erguer-me, da grande dor que sentia.

Somente o amor de mãe faz com que a gente perceba, que a vida havia se extinguido e eu deveria seguir outro caminho, para o encontro da paz. Foi assim, que foi socorrido pelos médicos além, dando-me o remédio correto para minha dor e amenizando a culpa de tão triste acontecimento. Hoje tive a permissão, para enviar essa mensagem aos meus queridos familiares. Mãe, pai, irmãos, sobrinhos queridos, quanta saudades sinto de vocês. Como gostaria de estar fisicamente ao lado de vocês, com a mesma alegria, e com a mesma vontade de correr para o mar e sentir as ondas batendo forte em meu corpo.

Não há culpados, pois tudo obedece as leis divinas, onde somos todos um dia chamados de uma forma ou de outra. Estou estudando muito, para compreender e um dia ensinar, os motivos de tantos jovens partirem, nos dias de agora. Preciso realmente entender, pois há nesta colônia, jovens de todas as idades. Meninas e meninos, que partiram, deixando um grande vazio em seus lares.

Perdão, pelos meus desatinos, pelas minhas loucuras, sou também um aprendiz, nessa grande escola da vida. Beijos muito doces, em minha linda e querida mãe. Pai se cuida, e ame sempre a vida, pois ela é presente de Deus. Irmãos amo vocês, amo meus sobrinhos e também os amigos, que também sempre me amaram. Fiquem com Deus e sempre orem por mim. Agradeço as flores e o carinho que sempre me enviaram através dos pensamentos.

PS: Desculpem os erros na escrita, mas o português nunca foi minha matéria preferida.Com amor eterno".

Assinado : Bruno (Psicografia)

Data: 26 de junho de 2008
Local:
Centro Espírita Nova Esperança -Mongaguá (SP)
Médium : L.

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

ESTAMOS LIGADOS PELOS SENTIMENTOS

Trecho do livro "Fala Miguel", de Maria Helena M. Lapenda, uma obra psicografada que narra o falecimento e a trajetória, no novo plano de vida, do jovem Miguel Luiz Lapenda, assassinado aos 20 anos de idade, em setembro de 2000, vítima de assalto
Amanheceu, era domingo, dia que praticamente estamos de “folga”. Era um domingo lindo de sol, aqui, todos os domingos são lindos, todos da colônia amanheceram em festa, pois sabíamos que os que tinham chegado aqui ontem, estavam ótimos, vinham de outra colônia e foram promovidos para estudarem na Universidade. Estávamos esperando a apresentação, pois logo depois delas temos o costume de fazer festas. As nossas festas têm música, poesias, lanches leves e muito bate-papo.

Estávamos na praça principal da colônia, numa temperatura como se fosse na Terra, a primavera, com uma brisa suave, ouvimos um grito de dor, era uma jovem que acabava de chegar na colônia, chorava inconsolada com a separação dos pais. O mentor me mostrou numa máquina tipo TV, que toda vez que os familiares aumentavam o choro, ela aqui, também aumentava. É incrível como nós estamos ligados aos nossos, pelos sentimentos.

Ela se chama Patrícia, é uma jovem linda, uma super gata, que desencarnou como eu, foi assassinada, mas nem ela e nem os familiares se conformavam. Como a Patrícia é um espírito que em outras vidas aqui no mundo espiritual viveu junto comigo e com outros amigos, resolvemos trazê-la aqui para a Colônia para acompanhá-la de perto, pois nessa última encarnação ficou com muitas ilusões, por ser linda, rica e poderosa. Tudo isso junto, é uma prova muito forte; é difícil que se passe com total sucesso. Quando ela começou a chorar, os mentores mais evoluídos, com mais experiência, vieram dar passes. Foi aí que ela se acalmou e foi levada para a enfermaria. Apliquei passes, coloquei as minhas duas mãos em sua testa, das minhas mãos saía uma energia colorida.

Patrícia foi relaxando, até adormecer e ficar completamente solta, leve. Aproveitei a oportunidade e a desliguei da sua família terrena, para que ela ficasse um pouco em paz. Quando abriu os olhos e me viu ao seu lado, me deu um grande abraço emocionado, e falou: "Como é bom estar com vocês, meus irmãos, onde encontramos quem nos dê forças para superar a separação dos meus familiares". Eu respondi: "Esta separação é temporária. Reaja e conte com todos nós para te ajudar, te dando forças nesta batalha. Escrevendo este livro vamos poder ajudar muitas mães a ficarem bem, na paz, para que elas dêem paz para os filhos desencarnados." E ela escutava o que eu estava falando com muita atenção.

Passados três meses desde que ela chegou e já bem recuperada, voltou a fazer parte da nossa grande família, a nossa família da Colônia São Bernardo. Aqui é a nossa casa, onde estamos em crescimento. Não me sinto distante da minha família da Terra, só não existe mais a matéria que volta ao pó e o espírito volta ao céu, onde é e sempre foi o seu lugar.

Hoje dez meses depois que desencarnei, vou vivendo tão feliz que até estranho : é o tempo todo só felicidade, sem brigas pela sobrevivência, sem ter que ter dinheiro para comprar minha casa e tudo que quiser. O nosso dinheiro aqui no céu é a fé que temos em Deus, a confiança que com ele tudo podemos. Na Terra também, mas é mais difícil acreditar que tudo chega do nada. Podemos com Deus sentir muita paz, em situações super trágicas.
Estamos sentados em uma pracinha bem em frente da portaria do prédio, não temos porteiro, tudo funciona pelo nosso pensamento. Orlando, que é um de nossos superiores, chegou bastante apavorado, disse que havia vários jovens que estavam tristes. A razão da tristeza, como sempre, eram os pais, que faziam vibração contrária, ou seja, sentindo saudades com revolta. Choro sem medida afeta a todos os desencarnados que ainda estão em tratamento. Orlando nos levou, eu, Michael, Thomas, Richard, Andréa, Patrícia, Alexandre, Ricardo e Severino, para darmos passes nos jovens e nos pais na Terra. Para a Terra fui eu, Thomas, Andréa, Alexandre e Ricardo.

Chegamos primeiro na casa dos pais do jovem Arnaldo, eles estavam em um estado de dar dó, todos revoltados com Deus, xingando, blasfemando, só que eles não estavam sozinhos, tinham a companhia de espíritos sem nenhuma evolução, que estavam influenciando para a desunião. Como eles não rezavam, não se ligavam em Deus, desde que o filho partiu, eram presas fáceis para espíritos vadios. A mãe vivia na cama muito doente e o pai não parava em nenhum emprego. Os espíritos sem evolução não nos viram, impedimos que eles nos vissem para podermos trabalhar mais tranqüilos.

Começamos a dar passes na mãe, que apesar de estar na cama e doente, tinha uma melhor índole para se ligar às coisas de Deus. Os passes foram fazendo efeito, ela foi sentindo sono, acalmando-se, entrando na faixa vibratória do bem, aí sim conseguimos fazer a mesma coisa com o pai. Ele era o mais revoltado com a partida do filho, era o que mais necessitava de ajuda; ajuda espiritual para que voltasse a viver e para que deixasse seu filho viver em paz. Na hora em que estávamos com as mãos estendidas na cabeça do pai, da própria cabeça, saiam uns raios que pareciam que iam queimar nossas mãos, então aumentamos nossas luzes e só assim os raios começaram a mudar, para faixas de luz, chuva cor prata e cor ouro. Então, ele se acalmou e conseguimos por os dois na cama dormindo.

Os pais precisam tomar consciência que a morte física de um filho, resulta em um trabalho diário de adaptação dos pais com a separação até os dias em que também virão para o Além. É um exercício diário de amor, resignação, confiança em Deus e humildade. Voltamos para a Colônia e Arnaldo já estava bem depois de um tratamento intensivo. Estamos todos maravilhados, como a vida muda! Nos comparamos com rio que corre para o mar, sempre que desvia do seu caminho, demora para chegar onde deve chegar,

Se nós soubéssemos, ainda encarnados, como é fácil viver, tudo seria diferente. Tudo nos é ensinado pelos ensinamentos de Jesus, só que não damos atenção, dizemos que já sabemos e fazemos tudo do nosso jeito egoísta e sem fé. Mas a vida ensina e ela também não tem pressa.

Para receber o livro gratuitamente, em pdf, peça por e-mail

Salvamento no Umbral e carta às mães
Quando amamos não sofremos
Família Lapenda: uma história de amor
Entrevista de Helena Lapenda a Luiz Gasparetto

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A FELICIDADE COMPARTILHADA

Logo após acabar o curso na Universidade de Atlanta (EUA), em 1990, o jovem Christopher McCandless tomou uma decisão que iria mudar sua vida. Doou os 24 mil dólares que tinha no saldo bancário a instituições de caridade e desapareceu sem avisar a família.

Já não era a primeira vez que Chris decidia fazer uma viagem pelos vários Estados americanos, sozinho, dependendo da natureza e do que encontrava no caminho.
Mas, daquela vez foi diferente. A sua raiva quanto à civilização em que vivia, quanto aos pais e à mentalidade materialista da época, foi fundamental para a sua tomada de decisão.

A partir daquele dia não mais regressaria à sua casa. Viveu assim, por muito tempo, desbravando o país, andando a pé, ou contando com caronas de estranhos para se locomover. Trabalhava aqui e acolá. Ganhava um pouco de dinheiro, comprava suprimentos e continuava sua caminhada, livre, em busca de uma felicidade há tanto sonhada. Sua história ficou conhecida através de escritos que deixou por vários cantos, sob um pseudônimo, e que depois foram colecionados pelo escritor Jon Krakauer.

O solitário andarilho, então, foi ao encontro daquela que seria a maior de todas as suas aventuras. Embrenhou-se no Alasca, buscando sobreviver apenas do que a natureza lhe daria. Passaram-se meses. Através de um diário que mantinha, o jovem ia descrevendo seus dias. Seu corpo foi encontrado em decomposição no ano de 1992, dentro de um saco de dormir, no interior de um pequeno ônibus abandonado na floresta. Calculou-se que já havia falecido há cerca de duas semanas. A causa oficial da sua morte : fome.

O autor do livro, que conta a história dramática do jovem, relata que uma das frases mais significativas encontradas em suas anotações dos últimos dias de vida, foi a seguinte: A felicidade... só é verdadeira... quando partilhada.
* * *
Não nascemos para vivermos sós. Somos seres sociais por natureza, a ponto de nosso isolamento em excesso se fazer prejudicial ao corpo, à mente e ao Espírito. Logo, toda fuga da vida, toda tentativa de escapar da dor, dos desconfortos dos relacionamentos, será sempre frustrada. Precisamos uns dos outros, esta é a lição.

A partir de artigo do Momento Espírita. Leia texto integral

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domingo, 28 de dezembro de 2008

QUANDO AMAMOS NÃO SOFREMOS

Esta é a nova postagem com trechos do livro "Fala Miguel", de Maria Helena M. Lapenda, uma obra psicografada que narra o falecimento e a trajetória, no novo plano de vida, do jovem Miguel Luiz Lapenda, assassinado aos 20 anos de idade, em setembro de 2000, vítima de assalto.
Sabe amigos, escrever um livro é tão fascinante, eu nunca pensei que um dia fosse escrever um, mas as informações aqui do Além, precisam chegar até vocês, é como um alerta, “ACORDEM” para o seu espírito que está dentro de seu corpo. Você realmente é espírito, pois este dura para sempre, o corpo volta ao pó. As noites aqui são lindas, são escuras e claras ao mesmo tempo, o céu todo estrelado, as estrelas brilham como diamantes. Estávamos na porta do prédio onde moro, o meu apartamento é muito confortável, tem cama, quase nunca a uso, computador, é uma máquina parecida com o computador da Terra, só que nós não nos comunicamos com ela, só com o nosso pensamento.

Tenho também muitas plantas, muitas flores, a varanda do meu apartamento está virando uma pequena floresta. Tem uma poltrona super confortável, onde eu passo quase o tempo todo lendo quando eu estou em casa, que é muito raro, pois gosto sempre de estar dando um “rolezinho para não perder o costume”! Na porta do prédio estava no bate-papo, eu, Mike, Charlie, Lucila, Andréa e Ricardo. Conversávamos sobre a vida, com o corpo material e sem, só com o espírito. O Mike disse: "Nossa como é bom viver, não importa como, com ou sem material, tanto faz. Se quando eu estivesse encarnado soubesse como funciona nossa mente, pois é ela que controla a nossa vida, a minha teria sido bem diferente. Se soubesse dominá-la os meus pensamentos teriam sido outros, a minha vida teria sido um paraíso. Vamos à Terra com o objetivo da evolução, mas na hora em que estamos lá, esquecemos o objetivo e tudo fica nublado. A oportunidade de uma encarnação que é uma benção, não podemos desperdiçá-la, Deus quer que crescemos, mas ainda não temos isso em nossas mentes, um dia com certeza tudo mudará".

E o Charlie, falou: "Mas os encarnados de hoje, tem muitas chances, muitos livros que esclarecem muitas coisas, tem muitos centro Espíritas que as pessoas podem freqüentá-los, até os padres de hoje em dia, falam da vida após a morte. No nosso tempo era bem mais difícil." Charlie e Mike desencarnaram há quinze e vinte anos atrás.

Falou Andréia: "Minha mãe até hoje, cinco anos depois de minha partida, ainda não se conforma com o meu desencarne, no começo isso me fez sofrer muito, se os pais soubessem o quanto nos faz sofrer com inconformismo, parariam na hora com o sofrimento demasiado. Saudade saudável sim, lágrimas que escorrem dos olhos deslizando igual o rio correndo para o mar, também pode, mas sofrimento demasiado, revoltado, inconformado, não pode, demonstrar falta de fé em Deus, retardando o nosso reencontro, quando eles desencarnarem, vai demorar o triplo do tempo do que os pais conformados. Minha mãe mesmo pode continuar inconformada, é problema dela, já não quero ter mais nada com isso, não quero sofrer, confio plenamente em Deus e na confiança, não tem lugar para sofrimentos".

"São poucos os jovens desencarnados que tomam esta decisão", falou Lucila. A decisão de ser feliz, independentemente dos familiares, o mais comum é o sofrimento, aqui e na Terra, pela ligação forte de amor que os seres humanos sentem uns pelos outros. Eu ouvi a história, eles já desencarnaram faz anos, nenhum menos de cinco anos, eu estou fazendo sete meses aqui e fico espantado com a resistência dos pais, em não deixarem que os filhos evoluam aqui no Além, para onde todos vêm um dia. Isso pra mim está mais para egoísmo do que para amor, quando realmente amamos não sofremos, ficamos totalmente numa boa. Que os pais se desesperem nos primeiros dias, logo após o desencarne é aceitável, mas não por muito tempo, tem que cada vez mais se apegarem a Deus: Deus é tudo; Deus é paz; Deus é amor; Deus é vida; Deus é sabedoria; Deus é alegria. Aceitar a vontade de Deus é questão de inteligência, pois não tem outro jeito. Se você ficar contra, só vai ficar com amarguras e um dia você vai aceitar a vontade de Deus, pode se passar mil anos, aí você vai ver o quanto sofreu a toa. Se aceitar a vontade de Deus, receberá imediatamente todas as bênçãos, ele colocará sobre você, o manto de sua proteção. Sabe como podemos aceitar a vontade de Deus? Controlando os pensamentos e sentimentos, vinte e quatro horas por dia, até dormindo.

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Veja também :
Parte I :
Chegou a minha hora
Parte II :
Mãe, quero dizer que te amo
Parte III : A pimeira psicografia
Parte IV : Vejo filhos chorando de desespero...
Parte V : Seus filhos vivem com Deus...
Parte VI : As noites de setembro são como colo de mãe
Família Lapenda: uma história de amor
Entrevista de Helena Lapenda a Luiz Gasparetto

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domingo, 21 de dezembro de 2008

SALVAMENTO NO UMBRAL E CARTA ÀS MÃES

Esta é a oitava postagem com trechos do livro "Fala Miguel", de Maria Helena M. Lapenda, uma obra psicografada que narra o falecimento e a trajetória, no novo plano de vida, do jovem Miguel Luiz Lapenda, assassinado aos 20 anos de idade, em setembro de 2000, vítima de assalto.

O salvamento no Umbral é a parte prática das aulas da Universidade. Saímos todos os dias de treinamento para por em prática nossos ensinamentos. Nosso grupo tem como objetivo resgatar jovens desencarnados na cidade de São Paulo. O nosso grupo é formado por jovens da Universidade e alguns adultos que não nossos orientadores. Somos orientados a não abordar ninguém, eles se quiserem que nos abordem, o livre arbítrio é integral, sem mais nem menos, você é aquilo que quer ser.

Os Espíritos no Umbral geralmente vivem em bandos, uns escravizando os outros em grande algazarra, tem também os que viveram sozinhos sempre apavorados, pois pensam que ainda estão na Terra. Vamos sempre para o Umbral mediano onde ficam aqueles Espíritos que acabaram de desencarnar, geralmente foram delinqüentes quando encarnados, isto é, não conseguiram o objetivo da encarnação que é a evolução do Espírito. Nosso papel é resgatá-los quando eles quiserem e fazer que eles tomem consciência da missão na Terra que não foi cumprida, para esperar em uma nova encarnação, ou seja, uma nova oportunidade para a evolução do Espírito.

Andamos cantando no Umbral e permitimos que todos nos vejam, pois se nós não quisermos eles não nos vêem. Os que já estão cansados de ficarem no mal nos seguem, levamos todos para o pronto-socorro do Umbral, sempre estão em estado lastimável, sujos, barbados, unhas enormes, roupas sujas e rasgadas e com muita fome. No pronto socorro passam por uma transformação radical, se alimentam, descansam e ai sim que tomam a decisão se querem ou não irem para uma colônia de regeneração apropriada para esses Espíritos. A média é bem alta, de dez Espíritos só dois querem voltar para o Umbral. No Umbral é sempre noite. Fomos para lá em um tipo de ônibus que se chama "amparador", onde o Espírito depois de convertido a Deus sempre dorme com passe que damos e nesse aerobus ou ônibus especial eles ficam confortáveis até chegarem ao pronto-socorro.

Avistamos uma mulher que já se passara muitos anos que estava vagando. Estava com uma aparência de fazer pena, os cabelos grudados por um sebo horrível em pé num lado e o outro grudado na cabeça, a roupa que vestia era um farrapo de estopa velha e suja. Ela chegou na frente de nosso grupo e gritou: "Não agüento mais ficar aqui! O que posso fazer para ficar bem como vocês?" Charlie respondeu: "Se a senhora estiver realmente arrependida de tudo que fez e faz para ficar longe das leis de Deus, ai então a senhora vem conosco e será feliz". Ela respondeu: "Eu vou, mas e meus filhos, eles ficam? Quem vai cuidar deles?" "Não tem quem cuida de quem, aqui é Deus que cuida de todos e cada um de si".

"Como assim?", perguntou. "Os seus filhos foram seus filhos quando todos estavam encarnados na Terra, oportunidade dada por Deus para todos os Espíritos evoluírem, aqui no mundo Espiritual continuamos juntos com a nossa família quando possível, quando todos alcançarem a mesma evolução Espiritual, mas sem a responsabilidade que a senhora tinha por eles na Terra, lá os pais tem grande responsabilidade com os filhos, aqui não, cada um é que tem responsabilidade por si mesmo". A senhora parou, pensou e então falou: "Eu quero começar, a saber, o que é o amor que muita gente fala, nunca me dei esta oportunidade e vou me dar agora". Então nos reunimos a sua volta e todos nós lhe demos passes. Ela acabou adormecendo, a colocamos no "amparador", foi levada para o pronto socorro do Umbral para um check-up geral onde vão ver o que ela mais precisa.

Muitos pensam que ainda tem o corpo físico. Dona Ruth é como ela se chamou na sua última encarnação, continua no hospital, que tem ao lado de uma casa de repouso para adaptação completa do espírito no bem, qualquer probleminha com ela, já está junto do hospital, vai aprender a tirar todas as ilusões que trouxe da encarnação passada, já desencarnou há vinte anos e nada aprendeu, ou melhor, quase nada, pois sempre se aprende alguma coisa. A dificuldade foi passar a maior parte do tempo na implicância, na birra com tudo e com todos, picuinhas que não levam a nada, a não ser ao sofrimento. Toda semana vou visitar D. Ruth, saiu de lá com o coração em festas, saltitante de alegria, como é bom ver a transformação de um Espírito sofredor, em Espírito de luz.

Ontem fomos visitar a colônia onde vivem as crianças. É complicado dizer que a pessoa que desencarna criança, aqui continua criança: o que vale mesmo é a idade do espírito. Nesta colônia de criança que fomos, as crianças cantavam e dançavam. O pátio principal da colônia estava todo enfeitado com balões azuis, rosa e laranja, são balões diferente dos da Terra, são brilhantes e de todos os tamanhos, fazem círculo no ar e ficam enfeitando o céu.

Os grupos recitavam lindos versos, foi uma das coisa mais lindas que já vi aqui neste quase sete meses que estou de volta ao mundo dos espíritos. Quero falar um pouco para as mães que tiveram filhos que desencarnaram crianças.

Mães, seus filhos estão realmente na casa do Pai, não podiam estar melhor, são quase sempre Espíritos de grande luz, que desencarnaram por onde superior, eles não discutem, apenas obedecem, cumpriram seus papéis na Terra. Mães, pais, parentes e amigos, só mandem pensamentos de amor para as crianças desencarnadas. Aqui elas estão protegidas, felizes, brincam, estudam, amam e evoluem. Com o passar do tempo, cada Espírito recupera a sua idade e passam a viver em colônias apropriadas para cada idade, gosto preferências, etc... Ou melhor, a colônia perfeita para cada Espírito, naquele momento, pois estamos sempre em constante evolução. Todas aqui, crianças, jovens ou adultos, ficam na torcida para que nossos familiares que ficaram na Terra se conforme e aceitem a vontade de Deus. Se eles se conformam, todos nós ganhamos muito. Primeiro ganhamos amor, ficamos em paz para nos desenvolverem e curtimos a vida desencarnados.

Na hora em que eles desencarnarem, o reencontro conosco é imediato, somos nós que vamos ajudar a saída do espírito do corpo material. Eu já sei que eu vou participar do desligamento do espírito, quando minha mãe, ou melhor, quando o corpo material que ela veste nesta encarnação, morrer. Não sei quando será, o que importa é que com certeza esse dia chegará e aí a festa do reencontro será perfeita. Não só do desencarne da minha mãe vou participar, mas também do desencarne do meu irmão.

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Veja também :
Parte I :
Chegou a minha hora
Parte II : Mãe, quero dizer que te amo
Parte III : A pimeira psicografia
Parte IV : Vejo filhos chorando de desespero...
Parte V : Seus filhos vivem com Deus...
Parte VI : As noites de setembro são como colo de mãe
Parte VII:
Sou desencarnado e desencanado
Família Lapenda: uma história de amor

Entrevista de Helena Lapenda a Luiz Gasparetto

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

SOU DESENCARNADO E 'DESENCANADO'

Esta é a sétima postagem com trechos do livro "Fala Miguel", de Maria Helena M. Lapenda, uma obra psicografada que narra o falecimento e a trajetória, no novo plano de vida, do jovem Miguel Luiz Lapenda, assassinado aos 20 anos de idade, em setembro de 2000, vítima de assalto.


Assim que sai do hospital de primeiros socorros a recém desencarnados, fui levado para a minha atual Colônia onde moram jovens mais 'evoluídos' e já fui estudar. O coordenador da colônia, Sr. RInaldo, chegou para mim e falou: "Miguel, você já está matriculado na Universidade do Amor, só não fará o curso se você não quiser. Você começa amanhã mesmo". Quando mandei minha primeira mensagem para minha mãe, falei que já estava estudando na Universidade, ela ficou tão feliz, que só repetia: "Estão vendo, aqui na Terra não tínhamos dinheiro para Miguel estudar a lá ele está na melhor Universidade do Universo". E agradecia a Deus sem parar.

O prédio da Universidade é enorme. O prédio com seis andares tem várias salas de aulas, sala de vídeo, laboratório, farmácia, pátio com belos jardins, enfim tudo. Os jardins chamaram minha atenção, com vários chafarizes de água cristalina, o barulho da água caindo dá um clima especial ao local de uma paz enorme, a grama é bem cortada e de cor verde bandeira, as flores são de todos os tamanhos, cores e perfumes. Não temos uniformes, mas quase todos por aqui preferem roupas brancas. No meu primeiro dia de aula, me apresentei para os meus colegas de turma e para a professora, era aula de Perdão, isso mesmo, a matéria era Perdão. Matéria de extrema importância para os desencarnados e encarnados também. Comecei minha apresentação: - Chamo-me Miguel Luiz, mas todos costumam chamar-me simplesmente de Miguel. Vivi na Terra nesta última encarnação apenas vinte anos e nove meses. Nasci em 19/12/1979 em Recife, Pernambuco. Desencarnei em 21/09/2000 em São Paulo, Capital. Em Recife vivi no bairro de Piedade e em São Paulo, no interior de São Bernardo do Campo, em um sítio que eu amo muito, lugar muito lindo com muitas árvores em um condomínio onde eu tenho grandes amigos.

Filhos de pais separados, vivi com a minha mãe e com meu irmão. Tínhamos dificuldades financeiras, mas colocávamos o bom humor na jogada. Aproveitei para crescer, pois o meu Espírito estava muito apegado a matéria e nesta encarnação consegui com a ajuda das grandes dificuldades financeiras a dar o devido valor para a matéria. Comecei a trabalhar cedo, com 15 anos entregava folhetos na rua. O meu primeiro patrão foi o tio Milam, um vizinho de onde morei na Terra, fiquei mais ou menos dois anos, depois fui trabalhar com outro vizinho, o Carlinhos, fiquei com ele também uns dois anos. Pedi as contas e fui realizar um sonho. Ajudava em casa com prazer e orgulho, no começo não, mas depois fui me liberando e passei a ter orgulho de poder ajudar nas despesas de casa. O meu lazer preferido era ir acampar na praia e pegar onda. O tempo que passei na Terra cresci em desapego, tenho vários pontos que preciso melhorar, mas agradeço a Deus por já ter conseguido crescer neste sentido.

Acabei minha apresentação, todos os alunos disseram seus nomes e me abraçaram. A dona Fátima deu um intervalo e voltou ao assunto da aula – “o Perdão” Começou falando dos benefícios e importâncias fundamentais do Perdão, o quanto ele limpa o Espírito. "É como material de limpeza de uma casa da Terra, se você está com a louça suja com gordura, se passar simplesmente água não vai resolver seu problema, precisa de sabão, o Perdão é o sabão da alma e do Espírito, para deixarmos nossos Espíritos, ou melhor, nossas consciências limpas, precisamos usar o perdão", disse. Para ficarmos limpos e de coração puro, sem perdão nada feito. "Precisamos perdoar Deus sim, pois pensamos que Deus não gosta da gente só porque nossa vida não vai como desejamos, como imaginamos que seria a melhor forma, mas ela, a vida, sempre vai pela melhor forma, não temos é paciência de esperar e ver o que acontece", completou.

Outra matéria interessante é a do “Amar”: Aprendemos aqui a amar sem perguntas, a pergunta “por quê?” Não existe em nosso vocabulário, amamos por amar. Vocês devem estar pensando, agora que o Miguel desencarnou quer virar santo e mandar essas mensagens impossíveis de realizarmos. Não é nada disso, quando estamos na condição de desencarnados tudo fica mais fácil de perceber; na Terra com a luta pela sobrevivência da matéria, não deixamos fluir a energia de Deus. Ela falou para mim: “Miguel, ame seu assassino e ele se arrependerá do que fez". Eu nunca, em momento algum, tive ódio em meu coração com relação a essa pessoa, tudo que Deus permite que aconteça é para o nosso crescimento e está certo. Estou com Deus e não abro mão desta condição de Fé. Sou “desencarnado e desencanado” graças a Deus! Tanto que já consigo enxergar vários benefícios que meu desencarne trouxe. Muitas mães vendo o exemplo de minha mãe ficam e ficarão bem, diminuindo os sofrimentos dos filhos aqui do Além.

Cada dia que passa eu vejo aumentar a necessidade de melhor aproveitar a vida na Terra quando estamos encarnados, é a maior chance que Deus dá aos Espíritos de crescerem e evoluírem, mais ai quando encarnados nos enchemos de ilusão e a maior é que pensamos que tudo é para sempre, não aproveitamos o momento. Jovens creiam, Jesus está do nosso lado, não vamos ter pena de nós mesmos, vamos ter amor e acreditar que podemos. Aproveitem ainda o tempo na Terra, para se ligar a vida Espiritual.

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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

AS NOITES DE SETEMBRO SÃO COMO COLO DE MÃE

Esta é a sexta postagem com trechos do livro "Fala Miguel", de Maria Helena M. Lapenda, uma obra psicografada que narra o falecimento e a trajetória, no novo plano de vida, do jovem Miguel Luiz Lapenda, assassinado aos 20 anos de idade, em setembro de 2000, vítima de assalto.


As noites de setembro de 2000 foram as mais estranhas e as mais maravilhosas que trago na memória. Quando me vi de volta ao mundo espiritual, fiquei aparentemente paralisado, estupefato, maravilhado. A sensação de liberdade que senti sem o corpo físico é algo inigualável. A leveza do ser Espírito, o poder flutuar é o maior barato. A felicidade foi enorme. As primeiras noites depois do dia vinte e um foram tranqüilas, uma paz e uma segurança que nunca ninguém me tinha falado que existia, é como se você estivesse no colo de sua mãe dormindo e o mundo a sua volta fosse totalmente livre, feliz e bom.

Noites de setembro de 2000... Nunca tinha sentido noites assim, como uma grande amiga, como uma cama de pena de ganso, confortabilíssima. Noites de setembro, não me deixe esquecer de ti, como um grande amor que nunca esquecemos, nem depois de cem encarnações. Eu amo vocês!

Noites de Setembro. “Mamãe” é a palavra que mais gosto de pronunciar, é a palavra que tem o amor em todas as ações. Vocês jovens, meus irmãos que ainda estão encarnados, repensem suas vidas, o que fazem com os seus pais, vejam que uma encarnação não pode ser desperdiçada, que a vida na Terra é muito passageira e cheia de ilusões. Não pensem que esta vida é para sempre, se fosse, o planeta Terra ficaria estacionado não existindo a evolução do Espírito.

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Parte V : Seus filhos vivem com Deus...
Família Lapenda: uma história de amor
Entrevista de Helena Lapenda a Luiz Gasparetto

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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

SEUS FILHOS VIVEM COM DEUS "NUMA BOA"


Esta é a quinta postagem com trechos do livro "Fala Miguel", de Maria Helena M. Lapenda, uma obra psicografada que narra o falecimento e a trajetória, no novo plano de vida, do jovem Miguel Luiz Lapenda, assassinado aos 20 anos de idade, em setembro de 2000, vítima de assalto.

Terceira mensagem de Miguel Lapenda: "Mãe, nosso beijo de saudade é mais forte agora. Você tem sentido minha presença com mais certeza, isso me deixa tão feliz, que são inevitáveis às lágrimas de alegria. Não se abale com as dificuldades, tudo está bem, pode acreditar. Nós estamos juntos, eu, você, o mano e claro o tio Pedro e tia Cynthia. Meu beijo especial (especial e espiritual) para ele, isso quer dizer cheio de vibrações de força e de paz, transmita a ele o meu carinho e do tio Formiga, que nos ajuda a toda hora. Continue rezando por todos nós. As suas preces me fortalecem a cada dia.

Vou indo nessa, que o tempo é curto mesmo! Reze comigo no dia vinte e um, a gente vai se encher de luz e de alegria. Eu te amo também!"

Assinado : Miguel Luiz Lapenda

Data : 17 de setembro de 2001.
Local : Centro Espírita: "Perseverança" - São Paulo (SP)
Médium: Marcus Vinícius Almeida Ferreira (Quito)

Minha mãe nunca brigou com Deus pela minha partida aparentemente prematura, com 20 anos. Sempre fala que reagiu assim por respeito a mim, para que eu pudesse ser feliz no Além. Continuamos ligados a todos que amamos na Terra, todos os sentimentos nos chegam como “telegramas, sedex” os que recebo, graças a Deus, são de amor, mas tem muitos jovens que sofrem com telegramas totalmente desorientados, desequilibrados.

“Mães de anjos”, repensem o que sentem, pois seus filhos recebem tudo sem censura e já não agüentam mais tanta tristeza, por uma coisa que é absolutamente temporária : a separação. Queiram vocês ou não, todos vêm para o Além. Então, a aceitação só é conseguida através de treinamento diário, aprendendo a controlar a mente, para reduzir a saudade enchendo o coração com amor e deixando o egoísmo fora de nossas vidas, respeitando o desencarnado como um ser vivo e bem vivo. Esses nossos parentes estão na infância espiritual, não aceitando a vontade de Deus e deixando uma boa parte de desencarnados sem paz. E o pior é que eles pensam que estão fazendo o melhor para os seus filhos.

Pois acreditem, seus filhos vivem com Deus e “numa boa”. Só existe a separação da matéria. Não acreditem que estamos longe de vocês; estamos bem próximos e todos pedem que as famílias reajam com Deus no coração, pois estamos vivos e não é justo sermos tratados como mortos.

Então como se deve pensar nos desencarnados, para ajudá-los? Pense que não voltaremos a Terra nesta vida. Então, não tem volta. Se não tem volta, o que vocês podem fazer é viver esta separação temporária bem, feliz e harmoniosa. Primeiro, se é uma separação temporária, o desespero é uma tolice. Segundo, é a vontade de Deus e Deus é sábio. Terceiro : aprender amar incondicionalmente, não importa onde a pessoa esteja, temos que amá-la sem egoísmo. Todos partem da Terra no dia e na hora certa. Os filhos dos filhos são filhos de Deus. Pai é só Deus e filhos somos todos nós.

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terça-feira, 29 de julho de 2008

VEJO FILHOS CHORANDO DE DESESPERO ...

Esta é a quarta postagem com trechos do livro "Fala Miguel", de Maria Helena M. Lapenda, uma obra psicografada que narra o falecimento e a trajetória, no novo plano de vida, do jovem Miguel Luiz Lapenda, assassinado aos 20 anos de idade, em setembro de 2000, vítima de assalto.

Mamãe, Gui . Não me canso de falar e quando puder, se assim puder, estarei junto de vocês, como sempre foi. Você nem imagina como eu tenho encontrado a adaptação mais depressa. Definitivamente, estava preparado para tudo. Sou feliz, muito feliz, mamãe! Eu me recordo bem, quando estava na janela lá de casa, desejando iniciar a reforma pelas paredes, minha maior reflexão agora, é a melhor reforma que venho fazendo, a de mim mesmo, junto com você, com o Gui, com a minha família.

A gente está mudando para melhor, mamãe. E isso é tão bom, nos traz tanta felicidade. Por falar nisso, meu obrigado de filho que me considero ao tio Pedro, ele é um cara muito legal, eu sempre achei isso. Sobre o papai, esqueçam. Qualquer comentário demonstra mágoa e isso não faz bem.

A gente anda numa elevação que dá gosto, não é mesmo? Gui, cara, como você é grandão! Eu admiro você, pra caramba. Sabe, olhando assim para você e ao mesmo tempo analisando tudo o que me rodeia onde estou, eu me pergunto: O que é que eu estou fazendo aqui? Esse lugar é seu. Lugar de anjo, de gente boa, de gente que só tem amor no coração, sem precisar de mais nada. Você é tão desprendido e eu tão imperfeito, estou aprendendo com você meu irmão. Mãe, não vejo a hora de me ser útil, de trabalhar. Mas ainda é cedo, tenho convicção. É que nós queremos abraçar o mundo quando chegamos aqui, sem preocupação, como é o meu caso. Tem muito jovem que chora de desespero quando vê os pais sofrendo. Eu tenho é paz na consciência, isso me dá energia. Eu quero dar um beijo especial na tia Annabel que nos acolheu, indicando o nosso caminho que já era aquele, só faltava à mão dela para nos levar. Eu estou feliz. Que Deus traga muita paz para esse lar amigo. Eu te amo, mamãe.

Assinado : Miguel Luiz Lapenda

Data : Natal de 2000.
Local : Centro Espírita: "Perseverança" - São Paulo (SP)
Médium: Marcus Vinícius Almeida Ferreira (Quito)
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sábado, 12 de julho de 2008

MIGUEL LAPENDA : A PRIMEIRA PSICOGRAFIA

Esta é a terceira postagem com trechos do livro "Fala Miguel", de Maria Helena M. Lapenda, uma obra psicografada que narra o falecimento e a trajetória, no novo plano de vida, do jovem Miguel Luiz Lapenda, assassinado aos 20 anos de idade, em setembro de 2000, vítima de assalto.

"Mamãe. É mesmo assim, sentido que o tempo é curto para isso, em função de toda a sonolência que ora trago comigo, vem à necessidade de me adaptar mais depressa, pois o tempo passa e existe muita coisa a ser feita. Estou sendo muito ajudado pelo tio Formiga, o Eurícledes Formiga, que junto do bisavô João e muitos outros iluminados de roupa branca, que se apresentaram para mim logo que eu despertei, três dias depois da fatalidade que me desligou.

A respeito disso, sem delongas, gostaria de dizer, mamãe, que já esperava algo de novo para mim, para o meu futuro, e você sabia bem disto. Algo aconteceria que definisse a minha trajetória e no fundo, seria definitiva a mudança. O modo como aconteceu não importa, o que importa é que tenho desenhado por Deus em minha mente o meu caminho e nele consigo me planejar para vencer todas as dificuldades e certo de que meu ideal será completamente alcançado, por que Deus está comigo. Ouvi tanto isso de você e só agora é que consigo registrar melhor no meu íntimo, sem dúvidas e indagações.

Ajude por favor, para que ninguém se sinta culpado pelo que aconteceu, pois estava tudo preparado para minha partida e todos nós nos entrávamos prontos para assimilar essa vontade Divina.

Ninguém deve "viajar" em suposições que pudesse impedir o que já estava escrito. Partiria logo após a minha descida daquele ônibus, foi somente questão de minutos. Juro que sai de casa com vontade de ficar, mas uma certa obrigação forçava a minha saída. Como sempre fui convicto dos meus deveres e obrigações, resolvi atender o desconhecido. Sei da sua luta para que eu ficasse. Era preciso mamãe.

E agora olhando assim para você, reconheço que não fui eu que fui emprestado, foi você, cheinha de luz, que foi emprestada pra mim.

Eu te amo, te amo tanto que quero dizer isso de uma maneira diferente. Nós podemos continuar rezando juntos, aliás, temos feito isso nesses poucos dias que nos separam fisicamente apenas. Levaram-me até você, para que em fortaleça e me alimente das suar forças.

Vou falar um pouco para o Gui agora: Ô cara, valeu! Você é especial como eu sempre imaginei. Aquele seu ato inesquecível e você sabe do que me refiro, demonstrou toda a sua luminosidade que vejo em você. Continuamos juntos com a mãe e vou ajudar você a fazer dela, a pessoa mais feliz desse mundo. Olha só o meu conselho: Segue aí a sua vida e não se preocupe que ela não vai ficar sozinha.

A maior necessidade é sua, de crescer e se projetar garantindo a vida de quem nos deu a chance de triunfarmos perante Deus. Eu ano você, meu irmão, meu cavaleiro, minha vida!

Mãe, eu sou seu filho para sempre, filho-irmão, mas sempre filho, por favor!

Diga ao papai que não pense que seu eu estivesse lá com ele, seria diferente. Na verdade eu sempre estive com ele e ainda estarei disposto a fazer tudo para ajudá-lo no que quer que ele precise de mim. Seria muito doloroso para ele, se acontecesse por lá, o que aconteceu por aqui. E Deus quis poupá-lo disso.

Vou me formar agora, em pouco tempo, na Universidade do Amor e todos vocês vão se orgulhar de mim. Beije meu pai, mamãe, beije a vovó que me recebeu com os meus sinais de amor. Beije o tio Pedro, que tem dedicado carinho ao Guilherme e auxiliando você.

Beije a tia Annabel, que ouviu o chamamento de Deus. Meu beijo especial, como eu nunca lhe dei. Ah! Meu joelho não dói mais, já sarou e eu estou bem, muito bem.

Fique comigo, mamãe, fique assim sentido como eu, que nada mudou. Obrigado, eu cresci em Espírito, graças a você. Muito obrigado, eu te amo!
Seu filho, Miguel".

Assinado : Miguel Luiz Lapenda
Data : 01 de outubro de 2000
Local : Centro Espírita: "Perseverança" - São Paulo (SP)
Médium: Marcus Vinícius Almeida Ferreira (Quito)

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Parte I :
Chegou a minha hora

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FILME FALA DO SENTIDO DA VIDA E DA FELICIDADE

Muitos adolescentes (talvez eu e você) já pensaram em sair para a escola e abandonar o barco da sociedade: queimar os documentos, abandonar pais e amigos, colégio, compromissos e, principalmente, planos. Tudo para por o pé na estrada, sem rumo, pensando em viver uma silenciosa vida de protesto contra um mundo com o qual não concordamos. No filme "Na Natureza Selvagem", inspirado na história real de Christopher McCandless (Emile Hirsch), um jovem rapaz abandona sua vida de conforto para buscar a liberdade pelos caminhos do mundo, uma viagem que o leva ao Alasca selvagem. Escrito e dirigido por Sean Penn, foi tido pela crítica norte-americana como "perturbador, envolvente e impressionante quanto belo". Não se trata, numa exceção à nossa lista de filmes selecionados, de um filme de temática espiritualista; mas fala da vida com uma profundidade que merece a recomendação.

Este é o quarto longa do também ator Sean Penn e venceu o Oscar em duas categorias (melhor ator coadjuvante e montagem). O roteiro também é assinado por Penn e se baseia no livro homônimo de não-ficção de Jon Krakauer, que conta a vida de Christopher McCandless, um rapaz que no início dos anos 1990 abandonou tudo, entregou à caridade todo o dinheiro guardado para custear seus estudos e caiu no mundo em direção ao Alasca, sem sequer avisar a família. Pode-se encarar Chistopher de duas maneiras: como um egoísta arrogante, impulsivo e mimado que fez essas escolhas para agredir seus pais ou como uma espécie de herói romântico.

Em seus escritos, como um diário, Chistopher enfatiza o que há de belo na natureza, rejeitando os bens materiais e se autodefinindo como "viajante estético". Adotando o pseudônimo de Alexander Supertramp, o rapaz desistiu de ter documentos, dinheiro e residência fixa. Fez de tudo para não ser encontrado por sua família, vivendo em plena liberdade, seguindo textos de escritores como Leon Tolstói, Henry David Thoreau e Jack London. Em seu caminho, o personagem faz alguns amigos, como um casal de hippies; um fazendeiro; uma garota por quem se interessa e um viúvo solitário, que vê nele o neto que nunca teve. Para conferir autenticidade, muitas das cenas foram rodadas nos lugares por onde Chris passou realmente. Depois de hesitar por dez anos, a família McCandless concordou em dar o seu aval à produção.

Doloroso e verdadeiro, o roteiro traz a realidade da busca pelo sentido da vida e fala sobre a dor da solidão. E toca quando o personagem, num momento extremo, conclui que "a verdadeira felicidade tem que ser compartilhada". Veja o trailer abaixo.

Ficha Técnica - Duração: 140 minutos - Ano de Lançamento (EUA): 2007 - Direção: Sean Penn - Roteiro: Sean Penn, baseado em livro de Jon Krakauer - Música: Michael Brook, Kaki King e Eddie Vedder - Elenco : Emile Hirsch (Christopher McCandless)Marcia Gay Harden (Billie McCandless)William Hurt (Walt McCandless) Jena Malone (Carine McCandless)

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segunda-feira, 30 de junho de 2008

MÃE, QUERO DIZER QUE TE AMO - Miguel Lapenda


Esta é a segunda postagem com trechos do livro "Fala Miguel", de Maria Helena M. Lapenda, uma obra psicografada que narra o falecimento e a trajetória, no novo plano de vida, do jovem Miguel Luiz Lapenda, assassinado aos 20 anos de idade, em setembro de 2000, vítima de assalto.

Minha mãe ficou sabendo do meu desencarne no hospital. Ela se manteve em atitude de respeito a mim e fé em Deus. No momento em que fui lhe dar um beijo, ela estava no pátio do hospital eu que já era apenas espírito. Me aproximei dela e lhe dei um beijo bem grande. Um cachorro sentiu a minha presença e começou a latir em minha direção, minha mãe e as pessoas que estavam com ela, viram o cão latindo para o nada, então o meu irmão que é médium e tem um grande facilidade em sentir a presença de Espíritos, disse para minha mãe: "Mãe, é Miguel. Ele veio lhe dar um beijo". E ela recebeu meu beijo, muito emocionada e com muito amor.

Queria agradecer tudo o que minha mãe fez por mim nesta encarnação, o quanto o meu espírito pode crescer, evoluir. Onde mais me ajudou foi no desencarne, me auxiliando a manter a serenidade e equilíbrio que são fundamentais nesta hora, para que tudo transcorra naturalmente sem dramas e nem ilusões.

Logo que cheguei na Universidade, fiquei sabendo que a minha mãe psicografaria este livro, quando mandei minha primeira mensagem e falei para ela: "Eu te amo tanto, que quero dizer isso de uma maneira diferente". Essa é a maneira diferente, ou seja, comunicação direta com minha mãe.

Pude ver também neste tempo, antes de ser levado para o hospital, meu velório, ou melhor, o velório do corpo que usei nesta encarnação e graças a Deus, transcorreu sem dramas. Quando os familiares não se conformam, quem sofre são os que desencarnaram. No meu foi tudo tranqüilo e sereno.

Enfim, fui levado para o hospital, não posso dizer que era um hospital de primeiro mundo, mas sim um hospital de um mundo sensacional, espetacular, onde tudo e todos são movidos pelo amor. Me senti como estivesse no paraíso e realmente eu estava, sendo amado por todos. Me recuperei muito rápido, ou melhor, me adaptei a minha nova condição de desencarnado muito rápido. Graças a Deus, tive muita ajuda de minha mãe, pois os enfermeiros me levaram até ela na Terra, para que eu alimentasse das suas forças.

Nós íamos em uma ambulância parecida com o aerobus, o nosso ônibus aqui do Além. Todo pensamento de fé de minha mãe, era como um soro glicosado. Fiquei ótimo em poucos dias e fui levado para a minha nova morada, um lugar chamado Colônia São Bernardo. Também comecei rápido a estudar na Universidade do Amor.

Minha mãe sentia que eu iria mandar notícias logo, mas não sabia como era que iria receber estas notícias. Dez dias depois que eu desencarnei a tia Annabel Formiga, que eu não conheci quando encarnado, chamou minha mãe para ir ao Centro Espírita Perseverança. A tia Annabel não esperava uma mensagem minha, mas alguma notícia através do tio Formiga. Qual não foi a surpresa para todos, quando leram no microfone que tinha mensagem de Miguel Luiz, para sua mãe.

Minha mãe foi a que ficou menos surpresa, pois ela tinha certeza absoluta que isso iria acontecer.

Quando cheguei ao Perseverança estava bem emocionado e ainda meio anestesiado com tantas mudanças em apenas dez dias. Mas Deus me deu a graça de poder me comunicar com minha mãe e meu irmão, em tão pouco tempo de desencarnado. Falar para eles que eu estava bem a cada dia melhor, recebendo as luzes e o amor que eles me mandavam sem parar e o quanto isso me ajudou.

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sexta-feira, 20 de junho de 2008

MIGUEL LAPENDA : CHEGOU A MINHA HORA


Passaremos a publicar a partir de hoje, em
capítulos, o livro "Fala Miguel", de Maria Helena Marques Lapenda, uma obra
psicografada que narra o falecimento e a trajetória, no novo plano de vida, do
jovem Miguel Luiz Lapenda, assassinado aos 20 anos de idade, no dia 21/09/2000, ao ser vítima de assalto.
Chegou minha hora. Quando anoiteceu, eu sabia que era minha hora de retornar ao mundo Espiritual. Por volta das 18:00 horas fui dormir um pouco, pois pretendia sair para uma "balada". Minha mãe não quis me acordar, quando meu amigo Rodrigo me ligou. Eu tinha colocado o despertador para tocar às 21:00 horas e ele tocou, minha mãe e meu irmão já estavam dormindo, um sono tão pesado que nem conseguiram jantar. Agora sei o motivo desde sono, era para que eles não impedissem a minha saída.

Fui acordar a minha mãe para pedir o cortador de unhas e ela sonolenta, brigou comigo para que eu não saísse. Mas era preciso, o meu prazo de permanência na Terra havia acabado e quando o tempo acaba, não tem jeito. Passei os últimos dias na Terra dormindo bastante, pois a loja em que trabalhei um ano, me mandou embora sem motivo, mas agora sei que tinha muitos motivos, era preciso que eu dormisse bastante para que o meu Espírito fosse trabalhado pelos meus mentores, na aceitação da minha partida.

Sexto sentido de mãe é fantástico. Uns quinze dias antes da minha partida, ela só falava que não queria que eu andasse de ônibus; íamos comprar um carro, mas não deu tempo. No dia 21 de setembro de 2000, eu parti, fui assassinado no trólebus no bairro do Jabaquara em São Paulo. Vinte e um de setembro é uma bela data para se deixar a Terra. A deixei com saudades, mas consciente que a separação física de todos que amo, é temporária e o tempo passa muito rápido.

Fui assassinado com quatro tiros, sem motivo, pois nada de mim roubaram. Como desencarnei não importa, o que importa é que eu tenho dentro de mim, à vontade de levar a todos o nome de DEUS e a aceitação de sua vontade para que possamos receber suas bênçãos para transportamos montanhas. Quando aceitamos sem questionar, o que nos acontece, tudo é luz. Quando levei os tiros, depois do pânico veio o sono leve, suave, sono de mudança, de transformação. Sentia uma claridade imensa em minha volta, não abri os olhos, mas mesmo assim sentia a claridade.

Quando dei por mim, já estava deitado em cima do meu corpo sem vida, o meu espírito saiu do meu corpo facilmente, com naturalidade como se estivesse preparado para este momento. Ouvi até música, não sabia de onde ela vinha, mas ouvia claramente uma música suave, só orquestrada, que me deu uma grande emoção, não pude conter as lágrimas, que corriam pela minha face sem controle. Muita emoção por deixar a Terra e muita emoção por retornar ao meu verdadeiro lar. Era um choro de emoção, sem nada que pudesse me atrapalhar neste momento tão lindo, como, por exemplo, revolta, incompreensão.

Abri meus olhos e vi em minha frente muitas pessoas, homens e mulheres, todos com uma linda luz em volta deles, como uma lâmpada acesa, vestidos com roupas brancas. Um homem se apresenta e diz ser Eurícledes Formiga, parente do meu pai, mas que eu não o conheci quando encarnado. O tio Formiga era espírita quando encarnado e era médium de psicografia, levou muito consolo aos parentes de desencarnados, através das mensagens mediúnicas que recebia no "Centro Espírita Perseverança". Também era poeta, advogado, jornalista e tantas outras coisas que desempenhou com sabedoria e continua trabalhando aqui no Além. Tem sido um pai pra mim, sempre que posso estou com ele, que é sempre uma grande aventura a sua companhia.

O outro homem disse ser meu bisavô, João Regadas, que também não conheci quando encarnado. Eles dois e os outros me colocaram em uma maca e me deram passes, adormeci e só acordei no hospital. O mais incrível é que antes de me colocarem na maca, aconteceu tantas coisas em tão pouco tempo; fui dar um beijo em minha mãe que acabava de chegar ao hospital Jabaquara, em São Paulo, onde fui socorrido, mas já cheguei lá sem vida física.

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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

DERAM UM TÉCO NA MINHA CABEÇA - Thiaguinho

“Ô, Manêro aí...

A moça aqui tava achando que eu tava querendo curtir com a cara dela. Achou que eu tinha vindo só pra brincar. Pô, não é não...

Gostei daqui, mano ! Me trouxeram aqui e eu gostei. Parece até a minha religião. O Rasta... já ouviram falar dela. Rastafari. Mó legal... + que d+.

A gente fumava uns e ficava zen e era só paz e amor.

Pô. Minhas idéias ainda estão meio bagunçadas. Mas, tá bom, eu vou contar.

Morri mermo... Eu nem merecia isso. Eu era um cara mó tranqüilo. Sussa mermo. Daí, um dia, eu não pude pagá o bagulho e mandaro uns mano pra dá cabo de mim. Me bateram, me chutaram, me xingaram de monte e ainda deram um téco na minha cabeça. Putz! Como doeu. Ainda dói, sabe...

Mas o engraçado é que também me sinto em paz.

Antes de dá um chego aqui, hoje, eu tava lá na praça, encostado num mano que tava fumando um. Tô zen. Tô calmo. Gostei daqui e do povo daqui. Massa! Todo mundo certinho, ninguém de ‘dread’...

Nossa! Aqui tem cheiro bom. Sabia que eu ficava mó tempão sem banho? Eu ficava...

Nem faço idéia do que vô fazê agora. Eu não sei do meu futuro. Minha avó veio me ver um dia, me tirar da rua, dizendo que ia me levar prum lugar legal. Mas não quero ir, sabe!!? Tô bem assim. Mas agora tava ouvindo do tio aí que tem um lugar interessante pra gente ir. Fiquei com vontade de ir pra esse lugar aí. Acho que vou pega uma carona com um desses que tão sendo levado. Eu ouvi que o tio aí falou que a gente pode ir e que se não gostar pode voltar.

Dessa eu gostei. Achei manero mermo. Acho que vô dá uma espiada num buraco desse. De repente entro numas de ficar bonzinho... apesar que eu já sou bonzinho. Mas eu vou. É... tô decidido. Vô segui os mano de branco e vê no que vai dar...

Legal. A moça aqui não sabe escrever do meu jeito, mai ta valendo...

Valeu a parada. Abraço pro povo daqui. Se der eu volto, falô!”


Assinado : Thiaguinho

Sorocaba, Julho de 2007.
Local : Sorocaba ( SP )
Médium : S.A.O.G.

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domingo, 17 de junho de 2007

A CULPA NÃO FOI DE NINGUÉM - Nariz

"Ô cara ! Legal te ver aqui. Nunca imaginei que um dia pudesse te ver num lance de reza. Apesar da gente não ter sido muito amigo, vi hoje uma oportunidade de falar. Lembra do acidente ? Cara ... não vi nada. Sei que era minha hora e levei o maior susto quando vi um monte de gente tentando socorrer.Se não fosse o poste seria outra coisa. Eu tinha mesmo de passar pro lado de cá.


Manêra sua banda. Saudades do povo.

Minha mãe ainda chora, mas não posso fazer muita coisa. Sempre que ela chama por mim, vou até ela e tento acalmá-la, até que ela dorme e quase sempre sonha comigo. Ô, véio, as coisas não acabam. Aqui é demais. Ainda estou me adaptando. Fui recebido pela minha avó e hoje moro com ela e umas amigas dela. A gente acha que o pessoal mais velho não tem nada a ver, mas tenho aprendido muito.

Pô... foi triste o meu velório. Eu tava lá. Que dó da minha mãe. Mas um dia serei eu a lhe esperar.

No começo eu me perguntava o ‘por quê’. Hoje sei que meu tempo tinha acabado. Fala pros cara que eu tô bem e pra dar mais valor pra vida. A gente só vê isso quando perde. Eu que queria tanta coisa, não tive tempo. Sei que você ficou triste e incomodado quando morri. Sei que você não parava de pensar em mim. Só aí vi que a gente era ligado de uma outra forma, não só a material.

Não sofri. Foi sossegado. Só a impressão ruim dos nego tentando me tirar do carro. A culpa não foi de ninguém. Diz pro Fantini que, numa boa, eu tô bem e que ele deve deixar a culpa pra lá. Sei que ele é cobrado, mas nada a ver.


Ô !! Valeu você ter vindo aqui. Diz pra minha mãe que tô bem e que sou feliz. Até ajudo a minha avó quando precisa. Aqui tudo é tranqüilo e também tem muita gente da nossa idade. Dá até pra jogar uma bolinha.

Tô indo nessa.
Saudade do povo.
Abraço na rapaziada, falou ?!
Té mais.”

Assinado : Nariz

Data : Novembro de 2005.
Local : Sorocaba ( SP )
Médium : S.A.O.G.

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terça-feira, 5 de junho de 2007

RECADO DE LARISSA

"Oi. Meu nome é Larissa. Estou com medo. Estou meio desorientada. Tudo se acabou.

Foi um acidente horrível, mas não senti muita coisa. Me lembro apenas da batida. Um outro carro. Eles estavam embriagados. Meninos inconseqüentes, felizes, com uma arma poderosa nas mãos. Não puderam controlar e nos acertaram. Muito pavor, muitos gritos. Tive medo da morte, mas ela até que foi suave.

Não me lembro de meus pais. Sinto falta deles, mas não consigo encontrá-los. Não sei se morreram também. Se fizeram a passagem, não fomos mandados para o mesmo lugar. Ainda sinto algumas dores, mas já fui medicada. Me disseram que estas dores não são minhas, mas são restos de sentimentos do corpo físico.

Uma caixinha de jóias. Me lembro dela e lá existe um anel de pérola simples, mas muito querido. Minha irmã o usa para estar mais próxima de mim. Tem também uma correntinha com um crucifixo que minha avó olha sempre. Toca-o como se estivesse a me tocar. Fui feliz. Tinha ou tenho, não sei ao certo, 15 anos. Acho que estávamos nos preparando para a minha festa de 15 anos. Seria tudo lindo e mágico. Tudo em tons de rosa.

Filomena, minha avó querida, eu a amo muito. Vovô, não chore mais, sempre estarei perto de vocês... de você. Vovô, quando o Senhor se senta na varanda e, olhando para o jardim, fica se perguntando “onde estará minha menina?!” Estou bem ali, tocando seu rosto, com minhas mãos nas suas...

Quero agradecer as orações que desde o início me aliviaram as dores e me confortar. Beijos vovó e vovô. A minha irmã Carolina (irmã de alma) desejo muito amor e muita paz. Que você, minha querida, siga sempre no caminho do bem. Um dia nos encontraremos. Seja feliz. Com saudade".
Assinado : Larissa
Data : Março de 2006.
Local : Sorocaba (SP)
Médium : S.A.O.G.



Veja também a psicografia "O RETORNO DE LARISSA"

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