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terça-feira, 12 de maio de 2009

ESPIRITISMO NÃO SE CONFUNDE COM APOMETRIA

O médico carioca residente em Porto Alegre, José Lacerda, desde os anos 50, espírita que era então, começou a realizar numa pequena sala do "Hospital Espírita de Porto Alegre", chamada "A Casa do Jardim", atividades mediúnicas normais. Com o tempo ele recebeu instruções dos espíritos e realizou investigações pessoais que desaguaram em um movimento ao qual ele deu o nome de Apometria. Não irei entrar no mérito nem no estudo da apometria porque eu não sou apometra, eu sou espírita o que posso dizer é que a apometria, segundo os apometras, não é espiritismo. Porquanto as suas práticas estão em total desacordo com as recomendações de "O Livro dos Médiuns".

Não examinaremos aqui o mérito ou demérito porque eu não pratico a apometria, mas segundo os livros que tem sido publicados, a apometria, segundo a presunção de alguns, é um passo avançado do movimento Espírita no qual Allan Kardec estaria ultrapassado. Allan Kardec foi a proposta para o século XIX e para parte do século XX e a apometria seria o degrau mais evoluído. Tese com a qual, na condição de espírita, eu não concordo em absoluto.

Na prática e nos métodos de libertação dos obsessores a violência que ditos métodos apresenta, a mim, a mim pessoalmente me parecem tão chocantes que fazem recordar-me da Lei de Talião que Moisés suavizou com o Código Legal e que Jesus sublimou através do amor. Quando as entidades são rebeldes os doutrinadores depois de realizarem uma contagem cabalística ou de terem o gestual muito específico expulsam pela violência esse espírito para o que chamam de magma da Terra. O colocam, mentalmente, em cápsulas espaciais e disparam para o mundo da erraticidade.

Não iremos examinar a questão esdrúxula desse comportamento, mas se eu, na condição de espírito imperfeito que sou, chegasse desesperado num lugar pedindo misericórdia e apoio na minha loucura, e outrem, o meu próximo, me exilasse para o magma da Terra, para eu experimentar a dureza de um inferno mitológico ou ser desintegrado, eu renegaria àquele Deus que inspirou esse adversário da compaixão. Com qual autoridade? Quando Jesus disse que o seu reino é dos miseráveis.

A Doutrina Espírita centraliza-se no amor e todas essas práticas novas, das mentalizações, das correntes mento-magnéticas, psico-telérgicas para nós espíritas merecem todo respeito, mas não tem nada a ver com espiritismo. Seria o mesmo que as práticas da Terapia de Existências Passadas nós realizarmos dentro da casa espírita ou da cromoterapia ou da cristalterapia, fugindo totalmente da nossa finalidade. A Casa Espírita não é uma clínica alternativa, não é lugar onde toda experiência nova vai colocada em execução. Tenho certeza de que aqueles que adotam esses métodos novos, primeiro, não conhecem as bases Kardequianas.

Então se alguém prefere a apometria, divorcie-se do Espiritismo. É um direito! Mas não misture para não confundir. A nossa tarefa é de iluminar, não é de eliminar. O espírito mau, perverso, cruel é nosso irmão na ignorância. Então os espíritos perversos merecem nossa compaixão e não nosso repúdio. Coloquemo-nos no lugar deles. Que sejas como conosco quando nós éramos maus e ainda somos aqui com nós. Basta que alguém nos pise no calcanhar ou nos tome aquilo que supomos que é nosso, para ver como irrompe a nossa tendência violenta e nós nos transformamos de um para outro momento.

Não temos nada contra a Apometria, as correntes mento-magnéticas, aquelas outras de nomes muito esdrúxulos e pseudo-científicos. Não temos nada. Mas como espíritas, nós deveremos cuidar da proposta Espírita. E da minha condição de Espírita, os resultados tem sido todos colhidos da árvore do amor e da caridade. Não entrarei no mérito dos métodos, que são bastante chocantes para a nossa mentalidade espírita, que não admite ritual, gestual, gritaria, nem determinados comportamentos, porque a única força é aquela que vem de dentro. Para esta classe de espíritos são necessários amor, caridade e oração.

Divaldo Franco
Trecho de depoimento à Rádio Boa Nova (Agosto/2001)
Imagem: curso de apometria em São Paulo (fevereiro de 2008)

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segunda-feira, 30 de março de 2009

CRIANÇAS ÍNDIGO, CATÁSTROFES E OS ESPÍRITAS

"Minha cunhada começou a estudar e a frequentar um centro kardcista de São Paulo, fui algumas vezes com ela, mas não consegui criar afinidade. Essa mesma cunhada me procurou esse domingo, me dizendo que foi convocada para uma reunião com todos os trabalhadores do centro. Essa reunião foi presidida pelo mentor espiritual da casa e o motivo dessa convocação era para informar de uma catástrofe que estava prevista para 2013, mas que será antecipada para 2010. Achei muito estranhos os dados que ela me passou, e a proporção da tragédia também, achei tudo meio fantasioso. Me fez refletir sobre o assunto e perguntei, para que então os espíritos estariam passando uma informação, se ela disse, que eles já a dão como irreversível. Ela me disse que o tal mentor, disse, que nós aqui da terra estamos atrapalhando o desenvolvimento de outros planetas e que por isso ocorreria uma tragédia que se abateria por toda a costa brasileira e outros continentes. Já ouvi especulações e previsões sobre o mesmo assunto, para anos diferentes, mas nunca assim transmitida por um centro.
Ela me falou que o próprio mentor disse que é de conhecimento de outros centros essa informação e então decidi me informar. A.O.
Embora não seja adepto de polêmicas tão caras ao meio espírita, a mensagem de nossa leitora A.O. e outros visitantes, tratando do mesmo tema, me obriga a fazer algumas ponderações. As chamadas previsões a que se refere surgiram no meio espírita há alguns anos e vem se espalhando como um e-mail viral, apoiado em meias verdades e muita fantasia. Trata-se de um “que” de fanatismo ão e muito de falta de bom-senso ou estudo crítico, caracteres fundamentais do Espiritismo defendido por Kardec e que é a corrente com a qual me identifico e defendo. Tais males, comuns a diversas religiões, manteve-se afastado do Espiritismo, mas invadiu as mentes com força a partir do momento em que as divergências na doutrina fizeram surgir grupos tão ímpares.

Estas “previsões” não são nenhuma novidade e tais eventos têm sido previstos e estudados há séculos por diversos grupos espiritualistas. Mas agora eles têm sido anunciados por espíritos supostamente confiáveis. Resumindo, o que dizem é que o planeta passará por mudanças incríveis nunca vistas antes. Dizem que a geografia do planeta passará por profundas alterações. As pessoas terão maior tendência para o espiritual e para a mediunidade. Espíritos mais perfeitos já começam a encarnar em nosso meio (a polêmica das “crianças índigo”). Espíritos retardatários que não aproveitarem bem sua última encarnação, terão que encarnar em planeta inferior à Terra. A própria física conhecida sofrerá mudanças. Isso para resumir o que tem sido falado a respeito.

Isto não passa de uma verdade parcial e que resume-se à ciranda de evolução do ser humano e do próprio planeta. Todos nós nascemos e renascemos para aprender e evoluir e, sendo a Terra nossa residência, evidentemente também passará por reformas e melhorias. Nada de anormal. Nesta esteira, surgem, como sempre os vanguardistas que gostam de propagandear “novos conhecimentos” e os inevitáveis e indesejáveis “gurus”, que aproveitam-se de maneira consciente ou não do interesse e do pânico gerados.

Um deles chama-se Albertino Saloio, um suposto médium português de Figueira da Foz e que apresenta-se como “parapsicólogo” e “profeta do século 21”. Desde 2005, ele vem divulgando previsões e fundando suas idéias em uma série de tragédias pinçadas aqui e ali (ataque às Torres Gêmeas, tsunamis e os grandes incêndios) e que, a seu entender, justificariam novas e inevitáveis catástrofes. Segundo ele, o mundo está “convalescente” e “a ganância do lucro dum capitalismo neoliberal, a ganância das forças do mal”, levarão ao que chama de “novo holocausto”. Segundo a “Mãe Diná de Portugal”, “meteoritos ou outros corpos celestes” se chocarão com a Terra e haverá “tremores de terra, ondas gigantes, a partir do ano 2010, para terem uma melhoria a partir do ano 2016”. Mas adverte : “ninguém espere bons tempos durante estes anos que ainda faltam”.

Confuso, junta às suas previsões o discurso moralista da existência da Aids como “castigo” de Deus e tem coragem de incluir neste impensável balaio de desgraças até mesmo a “gripe aviária” que atingiu a China há pouco mais de quatro anos. Por aí vai seu pensamento irresponsável, mas sequer vale a pena reproduzi-lo...

Pena, no entanto, que não seja único. Na Rússia, um jovem chamado Boriska, um reconhecido superdotado, passou a ser encarado como um ser especial, capaz de antecipar o futuro, curiosamente recheado de desgraças. Ele nasceu na cidade de Volzhskii num hospital suburbano, embora oficialmente, com base nos documentos oficias, a sua terra natal é a cidade de Zhirnovsk, na região de Volgogrado. Seu aniversário é 11 de janeiro de 1996. O menino possui uma memória excepcional e uma incrível capacidade para captar novas informações. Contudo, os seus pais logo notaram que seu filho estava adquirindo esses informações inéditas, de algum outro lugar …

Foi então que Boriska disse sobre sua “vida anterior” em Marte, sobre o fato de que o planeta foi, de fato, habitada, mas como resultado das mais poderosas e destrutivas catástrofe, perdera sua atmosfera e que hoje todos os seus habitantes tiveram de viver em cidades subterrâneas. Interessantemente, Boriska acha que agora finalmente chegou o tempo para que os “seres especiais” nasçam na Terra. “O renascimento do planeta se aproxima. Novos conhecimentos virão em grande quantidade, trazendo uma mentalidade diferente para os terráqueos.” E suas previsões são de que “os pólos vão se inverter” . A primeira grande catástrofe com um dos continentes aconteceria em 2009. Próxima em 2013 e será ainda mais devastadora.

Para outros arautos do catastrofismo há uma notória insatisfação de "Deus" com a resistência ao evangelho cristão e, para punir os incrédulos, haverá o desaparecimento de bebês e crianças, provocando um caos mundial. Em 1991, Bill Lambert, diretor da Casa da Teosofia da Nova Inglaterra (EUA), afirmou que este evento será necessário para a evolução do planeta. Acidentes ocorrerão nas ruas e nas estradas, nas ferrovias, na aviação, nos portos etc. Tal como ocorreu no dia 11/09/2001 quando o World Trade Center foi alvo do maior atentado terrorista da história.

O progresso de todos os seres da criação é o objetivo de tudo que acontece. Tenhamos a consciência aberta ao bom-senso e procuremos entender o mundo à nossa volta, cientes de que a solidariedade é o verdadeiro laço social, não só para o presente, mas, como está em "Obras Póstumas" (Kardec), "estende-se ao passado e ao futuro, pois que os mesmos indivíduos se encontram e se encontrarão para juntos seguirem as vias do progresso, prestando mútuo concurso. Eis o que faz compreender o Espiritismo pela eqüitativa lei da reencarnação e da continuidade das relações entre os mesmos seres". Ou seja, a vida é feita de dificuldades, alegrias e provações, tudo no intuito da evolução e o simples aniquilamento de pessoas não me parece a melhor maneira de conseguir a melhoria do caráter do ser humano. Eu, você e Deus bem sabemos disso. Pena que alguns dirigentes não alcancem tal entendimento.

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sábado, 24 de janeiro de 2009

FRASES DE ALLAN KARDEC - IV

"Fora da Caridade não há salvação"

"O Espiritismo se dirige aos que não crêem ou que duvidam, e não aos que têm fé e a quem essa fé é suficiente; ele não diz a ninguém que renuncie às suas crenças para adotar as nossas, e nisto é consequënte com os princípios de tolerância e de liberdade de consciência que professa. Repetiremos, pois, a todos os espíritas: acolhei com solicitude os homens de boa-vontade; não façais violência à fé de ninguém; ponde a luz em evidência, para que a vejam os que quiserem ver".

"Reconhecei, pois, o verdadeiro espírita na prática da caridade por pensamentos, palavras e obras, e persuadi-vos de quem quer que nutra em sua alma sentimentos de animosidade, de rancor, de ódio, de inveja ou de ciúme, mente a si próprio se tem a pretensão de compreender e praticar o Espiritismo ."

"Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade".

"Nascer, Morrer, Renascer ainda e Progredir sem cessar, tal é a Lei".

"Todo efeito tem uma causa; todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a potência de uma causa está na razão da grandeza do efeito".

"Reconhece-se a qualidade dos Espíritos pela sua linguagem; a dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica, isenta de contradições; respira a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a moral mais pura; é concisa e sem palavras inúteis. Nos Espíritos inferiores, ignorantes, ou orgulhosos, o vazio das idéias é quase sempre compensado pela abundância de palavras. Todo pensamento evidentemente falso, toda máxima contrária à sã moral, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou simplesmente frívola, enfim, toda marca de malevolência, de presunção ou de arrogância, são sinais incontestáveis de inferioridade num Espírito".

"Melhorados os homens, não fornecerão ao mundo invisível senão bons espíritos; estes, encarnando-se, por sua vez só fornecerão à Humanidade corporal elementos aperfeiçoados".

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domingo, 27 de julho de 2008

OS ESPÍRITOS TUDO SABEM E TUDO PODEM ?

Os espíritos tudo sabem e tudo podem? Quantas pessoas já fizeram essa pergunta, e já ouvimos diferentes respostas. Por exemplo: já ouvimos que os espíritos, não sendo mais do que as almas dos homens que já viveram na Terra, nada tem a nos ensinar. Já lemos em livros de autores estrangeiros, traduzidos para o nosso idioma, que os mortos nada tem a ensinar aos vivos, porque são mortos. Por outro lado já deparamos com um grande número de pessoas que acreditam, que ao desencarnar os espíritos passam a tudo saber e poder.

Na pergunta de n.° 238 de "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec perguntou: As percepções e conhecimentos dos espíritos são infinitos? Em uma palavra, sabem eles todas as coisas? A reposta foi: Quanto mais se aproximam da perfeição mais sabem – se são superiores, sabem muito. Os espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes em todos os assuntos. Deduzimos dessa resposta que estão errados aqueles que pensam, que basta ser um espírito desencarnado para ter toda a sabedoria possível e conhecer todas as coisas e assuntos. Este é um triste engano que tem levado muitas pessoas à sérias decepções, e pior ainda, culpam a Doutrina Espírita por isso. Se tivessem se dado ao trabalho de estudar um pouco o Espiritismo, se forrariam de tais decepções.

Por outro lado equivocam-se os que pensam que os espíritos não tem nada a nos ensinar, pois, tem e muito. A sua simples manifestação já nos ensina sobre a imortalidade do ser, imortalidade dinâmica que caminha para a perfeição. Apesar das advertências, ainda existem os que se fanatizam por espíritos e acham que eles tudo podem e sabem.(...).

Saber o princípio das coisas, ter domínio sobre o tempo e ter todas as percepções são coisas de espíritos muito evoluídos. Sabemos que eles se interessam por nós, aliviam nossos sofrimentos, nos aconselham, mas como eles conhecem as finalidades dos acontecimentos, não se angustiam como nós. Eles se entristecem, mesmo, quando nos rebelamos contra a vida e contra Deus, pois sabem que as conseqüências serão, a de nos atrasar na evolução e trazer mais dores em nosso caminho.Vale a pena ser espírita? Claro que sim, mas ser espírita com lucidez, amante do estudo, do conhecimento (...).

Não pode existir Espiritismo sem estudo, sem aplicação do aprendizado, sem transformação moral, sem o desenvolvimento das potencialidades do ser. Somos seres em desenvolvimento. Somos imperfeitos, mas perfectíveis, por isso, os pequenos gestos de bondade ajudam em nossa caminhada. O Espiritismo é uma terapia para a alma cansada, doente, aflita, é a terapêutica do amor. Como não pode existir Espiritismo sem estudo, também não pode existir Espiritismo sem amor. Se você decidiu, espontaneamente, ser espírita, seja-o por inteiro. Desenvolva a fé racional, tenha por lema a caridade, espalhe em torno dos teus passos a bondade e a esperança.

Amilcar del Chiaro Filho
Jornal Verdade e Luz, nº. 182 (Março de 2001)

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DO MARAVILHOSO E DO SOBRENATURAL

"Para os que consideram a matéria a única potência da Natureza, tudo o que não pode ser explicado pelas leis da matéria é maravilhoso, ou sobrenatural, e, para eles, maravilhoso é sinônimo de superstição". Allan Kardec. ( "O Livro dos Médiuns")

Os fenômenos mediúnicos são de todos os tempos e estão em todas as raças. Ao longo da história dos povos a intervenção dos Espíritos é como um sopro forte, agitando, sacudindo, alterando o clima psíquico dos homens. Essas presenças imateriais, constantes, vivas e atuantes entrevistas por muitos, pressentidas por outros, transformam-se, ao sabor das fantasias de mentes imaturas, em fatos maravilhosos e sobrenaturais coloridos com as tintas fortes da imaginação.

E à medida que o tempo avança a tradição oral se encarrega de transmitir os fatos maravilhosos de geração em geração. Muita coisa hoje considerada folclórica teve a sua origem em fatos mediúnicos, destes decorrendo superstições as mais diversas, profundamente enraizadas na alma do povo. Desde o feiticeiro, na mais antiga, remota e primitiva das aldeias indígenas, que pratica a sua medicina numa tentativa de esconjurar os maus Espíritos e atrair os bons, até o nosso sertanejo, o homem simples do povo, que e apega às simpatias para garantir a sua defesa contra os mesmos maus Espíritos e granjear a proteção dos bons, vemos o conhecimento espontâneo, intuitivo e natural que o ser humano tem da imortalidade da alma e da comunicabilidade entre os "mortos"e os vivos.

Embora muitas crendices tenham-se originado de fatos mediúnicos, há ainda uma enorme variedade de superstições que nada têm a ver com eles e são conseqüência da ignorância e do temor ante o desconhecido. Em decorrência surgiram as fórmulas mágicas, as simpatias, os talismãs como recursos de defesa.

A Doutrina Espírita tem explicação lógica e racional para todas as coisas e situações da vida. lançando luz sobre problemas considerados inextricáveis, esclarece com raciocínio claro tudo o que está ao alcance da mente humana. Essas explicações são simples e objetivas, despojadas de misticismo e quaisquer crendices. Não se justifica, portanto, que entre os espíritas sejam cultivadas certas crenças , sejam adotadas atitudes que constituem um misto de ritualismo superstições. É exatamente na prática mediúnica que mais se encontram estes resquícios.

A fé, sob o domínio do pensamento mágico, é novamente envolvida nos véus dos mistérios e, não sendo raciocinada, deixa de esclarecer e libertar. Concessões vão sendo feitas, gradativamente, até que ao final já não exista quase nada que lembre a Doutrina Espírita qual a deturpação e práticas estranhas enxertadas.

Não se justifica que a mediunidade seja encarada em nosso meio como alguma coisa sobrenatural e os médiuns como pessoas portadoras de um dom maravilhoso que as torna seres da parte, diferentes dos demais. Tudo isto é fruto, unicamente da falta de estudo. E quando os postulados básicos da Doutrina Espírita sequer são conhecidos, restará apenas o mediunismo ou o sincretismo religioso. Neste campo o maravilhoso e o sobrenatural imperam.

A Doutrina Espírita não é isto. Por essa razão não se pode postergar o estudo da obra de kardec, estudo este que deve ser metódico e constante. Pode ser que assim, penetrando no sentido cada vez mais profundo do que seja o Espiritismo no seu todo global, abrangente, consigamos um pouco do bom senso, de lógica e de firmeza.

Publicado originalmente na "Revista Reformador" (1995). Leia texto integral

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sexta-feira, 21 de março de 2008

AUTENTICIDADE DA PSICOGRAFIA

Transcrevo abaixo a indagação recebida por e-mail de uma leitora do blog, questionando uma suposta comunicação se seu pai e , por eventualmente ser de interesse de outras pessoas, a resposta que lhes enviamos.


Meu pai faleceu há quase dois anos de cancer, foi em 07/05/2006 o nome dele é "X", no começo tanto da doença como o sentimento de perda foi muito difícil e aceitei melhor após ler muitos livros espiritas, meu pai em vida era quase um ateu... Bom após seu falecimento eu consegui me reerguer e sinto muitas vezes o carinho dele e é reciproco, sei que está bem, eu sinto isso. Mas minha irmã foi atrás de contato com ele e recentemente recebeu uma carta, porém tenho duvidas se realmente é meu pai.. Ele não assinou com a assinatura dele.. Como posso ter certeza se foi ele... Assinado : L.



Olá L.. Recebi com atenção sua mensagem e, sinceramente, gostaria de lhe dar uma resposta exata à indagação. Contudo, os segredos da espiritualidade não se constituem numa ciência exata. Há céticos que afirmam que a psicografia é um caso de ilusão ou fraude, mas ninguém até o momento conseguiu comprovar que as obras psicografadas por médiuns sérios sejam fraudes. Ao contrário, Carlos Augusto Perandrea, professor adjunto do Departamento de Patologia, Legislação e Deontologia da Universidade Estadual de Londrina (PR) e criminólogo e perito credenciado pelo Poder Judiciário, estudou as assinaturas dos textos psicografados por Chico Xavier utilizando as mesmas técnicas com que avalia assinatura para bancos, polícia e justiça, a grafoscopia. O resultado do seu estudo comprovou que as assinaturas dos desencarnados nos textos psicografados eram idênticas às assinaturas destes quando vivos.

A mensagem ao lado foi psicografada por Chico Xavier, de trás para diante, no idioma inglês, na sede da União Espírita Mineira, após um concerto em benefício do "Abrigo Jesus", realizado em 4 de abril de 1937, pelo violinista Levino Albano Conceição, cego desde os sete anos de idade.

Esta saudação, recebida em dois minutos, escrita em caracteres invertidos, poderá ser lida em um espelho. Lê-se, então, o seguinte:

"My dear and generous friends of the fraternity's doctrine. Good health and peace in God, our Father! Let us learn the life in the love's law, from the instructions of Jesus Christ, Except this work almost always in the earthly world represent the struggle and studies of the vanity and from the darkness of the little men's science. Your Brother. Emmanuel

Quando entrevistado sobre o tema o fenômeno da psicografia, Chico dizia que tecnicamente não saberia defini-lo. "Sei apenas que os espíritos amigos tomam o meu braço e escrevem o que desejam", disse. Revelou, contudo, que suas faculdades se acentuavam em todos os aspectos quando estava escrevendo sob a influência de espíritos. "E realmente sinto-me na companhia dos amigos desencarnados, quando eles permitem, com tanta espontaneidade, como se fossem deste mundo, que nós vemos e ouvimos naturalmente", ressaltou.

Ademais, L., a forma de escrita se manifesta de maneira distinta, dependendo das faculdades de cada médium. Há a os "intuitivos", em relação aos quais as idéias surgem bruscamente, podendo ser passadas para o papel; já nos médiuns "semi-mecânicos" observa-se movimentos involuntários das mãos, acompanhadas ou não das idéias a serem escritas. Os médiuns "mecânicos" se caracterizam pelo fato de movimentar as mãos escrevendo sob a influência direta dos Espíritos, sem interferência da própria vontade. Agem como máquinas a transmitir do invisível para o mundo material. São raros. No Brasil, destaca-se o trabalho do próprio Chico Xavier.

Por isto não há, concretamente, como analisar a psicografia recebida por sua irmã sem saber as faculdade do médium transcrevente. E perceba que a identidade da assinatura só será justificável se tratar-se de médium "mecânico"; embora, ainda assim, seja necessário observar as condições do desencarnado que oferece a comunicação. Isto porque o médium é um mero instrumento e depende da habilidade do comunicante em "utilizar" tal "instrumento".

Deixo, finalmente, para reflexão um texto de Alan Kardec, na Revista Espírita, de abril de 1864 : "Sabe-se que os Espíritos, por força da diferença existente em suas capacidades, estão longe de estar individualmente na posse de toda a verdade; que nem a todos é dado penetrar certos mistérios; que seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens e até menos que certos homens; que entre eles, como entre estes, há presunçosos e pseudo-sábios, que crêem saber o que não sabem, sistemáticos que tomam suas idéias como verdades.

Enfim, que os Espíritos de ordem mais elevada, os que estão completamente desmaterializados, são os únicos despojados das idéias e preconceitos terrenos. Mas sabe-se, também, que os Espíritos enganadores não têm escrúpulos em esconder-se sob nomes de empréstimo, para fazerem aceitas suas utopias. Disso resulta que, para tudo o quanto esteja fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um pode obter têm um caráter individual, sem autenticidade; que devem ser consideradas como opiniões pessoais de tal ou qual Espírito, e que seria imprudente aceitá-las e promulgá-las levianamente como verdades absolutas".

"O primeiro controle é, sem contradita, o da razão, ao qual é necessário submeter, sem exceção, tudo o que vem dos Espíritos. Toda teoria em contradição manifesta com o bom senso, com uma lógica rigorosa, e com os dados positivos que possuímos, por mais respeitável que seja o nome que a assine, deve ser rejeitada".

Feitas estas necessárias observações, espero ter ajudado na análise da questão e aproveito para sugerir uma leitura útil ao seu momento de vida: o livro "Por Trás do Véu de Ísis" (Uma investigação sobre a comunicação entre vivos e mortos), de autoria de Marcel Souto Maior, onde a psicografia é explicada com muita competência por um jornalista não espírita.

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

FRASES DE ALLAN KARDEC - II

O primeiro controle é, sem sombra de dúvida, o da razão, à qual é preciso submeter, sem exceção, tudo quanto vem dos Espíritos.

* * *
Toda teoria em manifesta contradição com o bom senso, com uma lógica rigorosa e com os dados positivos que se possuem, por mais respeitável que seja a sua assinatura, deve ser rejeitada.

* * *
A concordância no ensino dos Espíritos é, pois, o melhor controle, mas ainda é preciso que ocorra em certas condições.

* * *
A única séria garantia está na concordância que exista entre as revelações espontâneas, feitas por grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em diversas regiões.

* * *
Prova a experiência que quando um princípio novo deve ter a sua solução, é ensinado espontaneamente em diversos ponto ao mesmo tempo e de maneira, senão na forma, ao menos no fundo.

* * *
Nossa opinião, aos nossos olhos, não passa de opinião pessoal, que pode ser justa ou falsa, desde que não somos mais infalível que qualquer outro. Também não é porque um princípio nos é ensinado que para nós é a verdade, mas porque recebeu a sanção da concordância.

* * *
Esse controle universal é uma garantia para a futura unidade do Espiritismo e anulará todas as teorias contraditórias.

* * *
...quem quer que quisesse atravessar-se contra a corrente das idéias estabelecidas e sancionadas, poderia bem causar uma pequena perturbação local e momentânea, mas nunca dominar o conjunto, mesmo no presente e, ainda menos, no futuro.

* * *
...as instruções dadas pelos Espíritos sobre pontos da doutrina ainda não elucidados, não poderia constituir lei, enquanto ficassem isoladas. Consequentemente, não devem ser aceitas senão com todas as reservas e a título de informação.

* * *
Daí a necessidade de dar à sua publicação a maior prudência
in Revista Espírita, abril de 1864, "Controle dos Ensinos dos Espíritos"

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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

LIVRO ESPÍRITA : BEST-SELLERS DO ALÉM


Com vendas estratosféricas, e mais de cem milhões de exemplares publicados, os livros espíritas são um fenômeno editorial que cresce a cada dia. Qual o segredo desse sucesso?

Por Luana Villac
Edição: Lauro Henriques Jr.

Quem é o escritor francês mais lido no Brasil? Se você pensou em nomes como Émile Zola, Jean Paul Sartre ou Victor Hugo, esqueça. O título pertence ao pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec. Com 11 milhões de exemplares vendidos no país, o codificador da doutrina espírita deixa seus compatriotas clássicos no chinelo.

Aliás, quando se trata de literatura espírita, os superlativos não se limitam a Kardec. De acordo com o levantamento mais recente da Associação de Editoras, Distribuidoras e Divulgadoras do Livro Espírita (Adeler), as obras do médium Francisco Cândido Xavier já ultrapassaram os 20 milhões de exemplares vendidos. Só o seu primeiro livro, Nosso Lar, de 1944, já vendeu 1 milhão e 648 mil unidades em língua portuguesa. Outros autores contemporâneos, como Divaldo Franco, Vera Lucia Marinzeck Carvalho e Zibia Gasparetto, ostentam números igualmente impressionantes, com vendas superiores a 4 milhões de livros cada um. Para se ter uma idéia da dimensão do feito, uma obra que consiga chegar às mãos de cinco mil leitores já é considerada bem-sucedida no Brasil. Ou seja, o etéreo “lado de lá” é um fenômeno literário incontestavelmente sólido do lado de cá. Sólido, e a cada dia maior.

A crescente demanda, aliada à profissionalização do setor, resultaram em uma enorme expansão do mercado editorial dedicado ao segmento nos últimos dez anos. Hoje há 120 editoras espíritas em atividade, pelo menos mil autores especializados e somam-se mais de 130 milhões de obras editadas no Brasil, que vão desde romances e textos filosóficos até peças de teatro e livros infantis.

Escritores espirituosos

A grande maioria das obras relacionadas ao Espiritismo é psicografada, ou seja, tem sua autoria atribuída a espíritos que as escreveriam por meio de um médium. É o caso, por exemplo, do best-seller Violetas na Janela (Ed. Petit), que teria sido ditado à Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho pelo espírito de uma jovem chamada Patrícia. Nesse sentido, muitos se perguntam até que ponto o autor “terreno” participaria ou não da produção da obra.

De acordo com Allan Kardec, a psicografia pode se dar de forma consciente, semimecânica ou mecânica, dependendo do grau de consciência do médium durante o processo. No primeiro caso, o médium teria plena noção daquilo que escreve, apesar de não reconhecer em si a autoria das idéias contidas no texto. Assim, teria a capacidade de influir nos escritos. Para evitar essa interferência terrena, os médiuns têm que passar por longos anos de prática. “Quando psicografo não interfiro. Escrevo apenas o que me é ditado”, afirma Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho. “Mas foi só com muito treino e estudo que aprendi a distinguir essa diferença e ser uma intermediária fiel.”

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LIVRO ESPÍRITA : SUCESSO ASSOMBROSO


Polêmicas à parte, a literatura espírita caiu no gosto popular e conquistou definitivamente seu lugar ao sol. “Antigamente havia certa resistência às obras espíritas nos pontos de venda, mas, de alguns anos para cá, elas vêm ganhando espaço de destaque na exposição em muitas livrarias”, afirma Ary Dourado, presidente da Adeler. Mas o que estaria por trás desse vigor impressionante?

O fator socioeconômico pode ser um dos elementos. Segundo o último censo do IBGE, de 2000, o Brasil conta hoje com 2,3 milhões de espíritas. É um público letrado, adulto (média de 35 anos) e, em geral, com boa situação financeira. Entre as religiões com maior número de fiéis, como católicos e evangélicos, os adeptos do Espiritismo apresentaram os melhores indicadores, tanto de escolaridade (98,1% são alfabetizados), como de rendimento: 8,4% deles ganhavam mais de 20 salários mínimos quando foi realizado o censo, enquanto entre o total da população esse número foi de apenas 2,7%.

O forte sincretismo religioso no Brasil seria outro elemento. De fato, quando o assunto é vendagem de livro, o Espiritismo extrapola as fronteiras de seus seguidores: calcula-se que haja cerca de 30 milhões de simpatizantes da doutrina no país. “O Espiritismo brasileiro apropriou-se positivamente da noção católica de caridade, o que redefiniu seus limites e objetivos, conquistando a simpatia de muitos católicos”, afirma o antropólogo Bernardo Lewgoy, autor do livro O grande mediador – Chico Xavier e a cultura brasileira (Edusc). Para ele, essa capitalização do intercâmbio inter-religioso foi impulsionado sobretudo pelo trabalho de Chico Xavier, a partir dos anos 1940.

E foi justamente por meio da psicografia, ou seja, da literatura, que Chico Xavier encontrou o melhor veículo para propagar suas idéias. De acordo com Lewgoy, com os 412 livros que psicografou, o médium mineiro estabeleceu um conjunto de referências e parâmetros para a escrita espírita no Brasil. A começar pelos direitos autorais, que reverteu integralmente para instituições de caridade, num ato registrado em cartório. Chico costumava dizer que não escrevia nada. “Ele realizou, como nenhum outro médium, o ideal de uma ‘interautoria’, isto é, uma parceria autoral entre psicógrafo e espírito”, diz o antropólogo. Com o caminho aberto pela popularização de suas obras, novos autores foram surgindo e seguindo os passos do mestre.

Para o jornalista e escritor Marcel Souto Maior, autor de uma trilogia sobre Chico Xavier que já vendeu mais de 300 mil exemplares, o Espiritismo atrai leitores à procura de respostas para o processo de crise que o mundo atual vive. “A depressão é o mal do século. E há um ocaso das correntes religiosas tradicionais”, afirma Marcel. No entanto, Souto Maior não vê associação entre a popularização do Espiritismo e o fenômeno dos best-sellers de auto-ajuda. “Esses livros apontam soluções fast-food. O Espiritismo exige mais responsabilidade”, diz.

Chave da esperança
Para muitos, contudo, é no conteúdo esperançoso das mensagens que está a chave do sucesso da literatura espírita. “Creio que esse êxito se deva à necessidade premente que, atualmente, o ser humano tem de encontrar um pouco de paz”, afirma Armando Antongini, diretor executivo da Câmara Brasileira do Livro. “Diariamente, e em toda a mídia, nos deparamos com toda sorte tragédias e violências. O público busca nas obras espíritas, e religiosas em geral, por um caminho que dê alguma esperança ao homem.” Os espíritas concordam com essa visão. “As mais belas notícias que um ser humano pode receber são: a morte não existe, Deus o criou para a perfeição e lhe dá inúmeras chances de evoluir por meio reencarnação”, afirma Sônia Zaghetto, membro da Diretoria de Comunicação da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo (Abrade). “As obras espíritas trazem mensagens de coragem e fraternidade entre os homens”. Ary Dourado, presidente da Adeler, completa: “São livros que consolam, esclarecem e descortinam ao ser humano o caminho do auto-conhecimento e da evolução moral”, diz. “Eles respondem de forma lógica e racional aos porquês e para quês da vida”.

Diante da variedade de fatores, talvez a melhor resposta para a questão do início da reportagem seja a do motorista paulistano José Carlos Machado Rodrigues, católico praticante e simpatizante do Espiritismo. Quando perguntado porque gosta dos livros espíritas, respondeu com simplicidade: “é que eles explicam melhor o que a gente quer saber”.

Texto publicado no Especial
"150 anos do Espiritismo" Volume 1 (pág. 60),
do Almanque Abril, da Editora Abril.

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quinta-feira, 5 de julho de 2007

AS COMUNICAÇÕES ESPÍRITAS - I

Em razão de questionamentos de alguns novos amigos e manifestações recebidas na Comunicade Partida e Chegada e no Grupo de mesmo nome no Yahoo, vimos na obrigação de esclarecer a todos, fazendo algumas considerações imprescindíveis. Para tanto trazemos um texto que serve de reflexão. Ele é de autoria de Allan Kardec e diz o seguinte :

"Os espíritos são livres; se manifestam quando querem, a quem lhe convêm, e também quando podem, porque não têm sempre a possibilidade. Eles são estão às ordens e ao capricho de quem quer que seja, e não é dado a ninguém fazer com que venham contra sua vontade, nem fazê-los dizer o que querem calar; de sorte que ninguém pode afirmar que um Espírito qualquer virá ao seu chamado em um momento determinado, ou responderá a tal ou tal pergunta. Dizer o contrário, é provar ignorância absoluta dos princípios mais elementares do Espiritismo; só o charlatanismo tem fontes infalíveis". ("Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas", item 18)

Portanto, este espaço busca, ainda que de maneira precária, ser uma forma de amparo, de conforto a pessoas atingidas de alguma maneira pela dor da perda. Pois cremos que a morte nos deixa às mãos uma pedra bruta, que precisa ser lapidada, a fim de compreendermos seu sentido, avançarmos e progredirmos. A dor que dilacera, mas faz crescer. O fim que significa recomeço...

Como observado acima, temos as limitações que nos impõem as comunicações espirituais e que, embora não entendamos ou aceitemos, certamente fazem sentido no nosso plano de evolução. Digo isto porque no livro que recomendei a alguns novos amigos ("Por trás do véu de Ísis") há o relato de uma mãe que acompanha o repórter em sua investigação e que, percorrendo diversas casas, ainda assim não recebe a tão desejada mensagem do filho falecido. Mas chega uma altura que isto menos importa, pois as experiências vividas, as mensagens dirigidas a outras mães e por ela testemunhadas, bem como a reflexão do próprio sentido da vida lhe trazem o conforto que ela tanto procurava. Um conforto somente possível na Doutrina Espírita.

Por isto, recomendo comedimento na esperança de eventual comunicação. E mais : que leia as mensagens já postadas em nosso Blog, pois, por experiência própria, posso garantir que as maiores lições são transmitidas em textos que não são dirigidos a nós, mas que nos esclarecem, na experiência de outras vidas, o sentido de nossa própria existência.


Marcos Grignolli

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