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sábado, 4 de julho de 2009

VIDA DE CHICO XAVIER AGORA EM QUADRINHOS

Foi lançado pela Ediouro o álbum "Chico Xavier em Quadrinhos" (64 pags., 28 x 21, R$.19,00), que narra a vida do divulgador do Espiritismo no Brasil. Os autores são Rodolfo Zalla e Franco de Rosa. A obra conta, em quadrinhos, a infância humilde e sofrida de Chico Xavier na cidade mineira de Pedro Leopoldo, assim como o momento da descoberta da sua comunicação com os espíritos. Verdadeira lição de fé, o livro apresenta a jornada do médium eleito como um dos brasileiros mais importantes do século XX.

A editora colocou no ar um site para divulgar a obra, onde o leitor pode ter informações adicionais.

Abaixo, você pode acompanhar entrevista do quadrinista argentino Rodolfo Zana, falando sobre a obra. Com mais de 50 anos de carreira, Zalla conta o começo da carreira, a vinda para o Brasil e a censura durante a ditadura militar. Faça aqui download de um trecho do livro. E compre pela internet.

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quarta-feira, 17 de junho de 2009

A PRIMEIRA ENTREVISTA DE CHICO PARA A TV

Lançado no início de dezembro, pode ser encontrada nas livrarias ou no site DVD Versátil, a primeira entrevista do médium espírita Chico Xavier (1910 -2002) na televisão brasileira gravada três anos antes de sua participação no programa "Pinga-Fogo". Além dessa entrevista histórica realizada pelo jornalista Saulo Gomes, a obra traz mais de uma hora de extras, incluindo raros vídeos da época com Chico Xavier. Abaixo, acompanhe depoimento do jornalista sobre seu encontro com o médium mineiro.

"Em maio de 1968 consegui minha primeira entrevista com o médium Chico Xavier, para a TV Tupi de São Paulo. A missão parecia impossível.Vários repórteres, inclusive jornalistas espíritas, tentaram, em vão, furar a grande barreira que separava o médium Chico Xavier da imprensa. Havia uma explicação para essa barreira.Chico, na década de 50, havia sido alvo de uma reportagem assinada pelos repórteres David Nasser e Jean Manzon, na Revista "O Cruzeiro", focalizando a materialização de espíritos e, nessa reportagem, realizada em Pedro Leopoldo - MG, o médium foi ridicularizado.

"Em 1967, após um trabalho jornalístico na cidade de Itapira (SP), mostrando a obra espírita do "Instituto Psiquiátrico Américo Bairral", pedi o apoio de seus diretores, especialmente do promotor de justiça José Carlos Ferraz, para fazer minha aproximação com Chico Xavier. Em novembro desse ano, ele levou ao Chico o meu pedido para uma entrevista Como era esperado, a resposta que recebi foi um "não". Insisti. Fiz outros contatos e, em maio de 1968, finalmente fui ao encontro de Chico Xavier. Ele aceitou conversar comigo, sem câmeras e sem microfones, para nos conhecermos melhor.

"Segui para Uberaba com o caminhão de externa da TV Tupi, equipado com 3 câmeras e 9 técnicos, chefiados pelo companheiro Nivaldo Matos. Atendi a exigência de Chico e fui sozinho conversar com ele. Após a sessão, na Comunhão Espírita Cristã, ele me convidou para conversarmos, na cozinha de sua casa, tomando café de chaleira com pão de queijo e bolo de fubá.

"A conversa, que começou por volta das 22:30 hs, só terminou às 4:00 hs da manhã. Nos conhecemos, nos confraternizamos, e fechamos o compromisso de, na noite seguinte, gravarmos a sessão espírita e realizarmos a sonhada entrevista. Foi uma noite de Gala para este repórter! Eu tinha ao meu lado, e diante das câmeras, o intocável Chico Xavier! Haja coração!!!Gravamos a reunião, que terminou com Chico psicografando uma mensagem assinada por Emmanuel. Terminado o encontro espiritual iniciei a entrevista. Mostrei, pela primeira vez na televisão, ao público espírita e não espírita, o médium Chico Xavier psicografando uma mensagem.

"O impacto dessa reportagem, em 1968, foi extraordinário e grandes órgãos de imprensa repercutiram o acontecido.Depois dessa entrevista Chico passou a participar de alguns programas, sempre em minha companhia, inclusive em 1970, no programa "Cidade contra Cidade", apresentado por Sílvio Santos. O material desse DVD é de meu arquivo pessoal".

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segunda-feira, 15 de junho de 2009

CHICO XAVIER : TRAILER BATE RECORDE



O filme só vai estrear em abril de 2010, quando se comemora o "Centenário de Chico Xavier" mas o trailer à disposição na internet registra o fenômeno de mais de 20 milhões de acessos diários desde que foi disponibilizado (reveja aqui). Após o lançamento do seu primeiro trailer na internet, a Columbia e a Sony Pictures informam que mais de 20 milhões de pessoas acessam diariamente. “Isso é fantástico!”, comemora o produtor.

A produção sobre Chico Xavier tem estréia prevista para 2 de Abril de 2.010, bem no dia do aniversário do médium. Cinco anos foi tempo que o diretor Daniel Filho levou para levar a biografia de Chico Xavier, escrita por Marcel Souto Maior ao cinema. As filmagens de "Chico Xavier - Uma Vida de Amor", deverão começar em março deste ano (2009). O ator escolhido para viver o médium mineiro foi Nelson Xavier, de 67 anos, que tem uma notável semelhança com o homenageado.

Acima, veja reportagem do "Jornal da Alterosa" em sua edição de 16 de março de 2009.

Ficha Técnica - Título no Brasil: As Vidas de Chico Xavier - Título Original: As Vidas de Chico Xavier - País de Origem: Brasil - Gênero: Drama - Ano de Lançamento: 2010 - Estréia no Brasil: 02/04/2010 (data em que o médium faria 100 anos) - Estúdio/Distribuidor: Sony Pictures - Direção: Daniel Filho - Produtor Executivo: Júlio Uchoa - Sinopse: Cinebiografia do médium e líder espírita brasileiro Chico Xavier. - Inicio das filmagens: 21 de junho, 2009 - Termino das filmagens: 14 de agosto, 2009 (Previsão)

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quarta-feira, 10 de junho de 2009

ATOR SE EMOCIONA AO FALAR DE CHICO XAVIER



O ator Nelson Xavier se emociona quando fala do médium Chico Xavier. Com 67 anos, o ator vai interpretar o líder espiritual no cinema, com direção de Daniel Filho. O filme — em que Ângelo Antônio viverá o protagonista mais jovem — começa a ser rodado para ser lançado em 2 de abril de 2010, quando Chico completaria 100 anos. Nelson viajou para Pedro Leopoldo e Uberaba, em Minas Gerais, onde Chico nasceu e morou. Em entrevista em sua casa, diante de painel com inspiração oriental, diz que estudar sobre o médium mais famoso do Brasil o reaproximou da mãe, que era espírita e morreu há 10 anos. Acompanhe a seguir, a entrevista concedida ao site "O Dia" e, acima, o emocionado depoimento concedido à Globo Minas.

Como surgiu o convite para fazer Chico Xavier no cinema?

Nelson Xavier — Essa história começou há cinco anos. O Marcel Souto Maior, que escreveu ‘As Vidas de Chico’, me mandou o livro e um bilhete dizendo que gostaria que eu interpretasse o Chico. Li o livro e fiquei estarrecido com o poder de Chico. Nunca tinha me voltado para o fenômeno que é o Chico Xavier, apesar de ter crescido em um ambiente espírita. Isso aconteceu no mesmo ano em que fui ao Festival de Gramado e sentei ao lado de um casal que não conhecia e o cara falou: ‘Você vai fazer Chico Xavier, né?’ Perguntei como ele tinha tanta certeza. E ele disse: “Um passarinho me contou”. Eles eram espíritas. Passei a chamar de sinais. Depois de um tempo, conversei com o Mário Lúcio (Vaz, ex-diretor geral artístico da Globo), ele contou que o Daniel Filho (que vai dirigir o longa) talvez fizesse o filme. Foi a primeira vez que fiz isso na vida: liguei para o Daniel, que é uma pessoa com quem não tenho relação regular, e disse ‘Sei que você vai dirigir Chico Xavier e quero fazer. Se você achar que estou muito velho, eu até faço uma plástica.’ Segui minha vida até que um dia ele me ligou e disse: ‘A resposta é sim’. Quando caí em mim, tive uma crise de choro.

Já tinha tido contato com o espiritismo?

Apesar de minha querida e saudosa mãe ser espírita e me levado ainda quando criança ao centro, de ter visto a materialização, eu não acreditava. Era cético. Na adolescência achei que não tinha que dar bola para essa história.

E como se preparou para o personagem?

Em março fomos para Uberaba, em Minas Gerais, na casa onde Chico morou, e para Pedro Leopoldo (cidade onde Chico nasceu). Lá tem recortes lindos... Delirei, queria morar lá. É um lugar de paz. Todos os lugares que ele frequentou são carregados de uma energia arrebatadora. Nessas visitas tive notícias de muitos colegas que visitavam o Chico. Toda vez que eu falo dele me emociono (fala com olhos marejados) e a figura da minha mãe ficou muito presente, porque ela se foi há uns 10 anos e o Chico me aproximou dela de novo. Conheci as pessoas de lá, os lugares por onde ele passou, as revelações. Foi uma forte emoção. Agora vou fazer uma digressão: não me acho uma pessoa inteligente. Todo mundo se acha inteligente. Eu me acho intuitivo.

Em que sentido?

É me emocionando que conheço as coisas. O Brasil me emociona. Sou um indignado com o país. Jesus me emociona, quando falou há mais de dois mil anos: “Amai-vos uns aos outros como a vós mesmos”. Minha formação é de comunista e acredito na solidariedade humana. Nunca me voltei para esse lado da religião. Mas não posso negar que fui tocado. Espiritismo é uma militância. As pessoas devem trabalhar pelo próximo.

O que mudou em sua vida depois que conheceu a obra de Chico Xavier?

Estou me cobrando para trabalhar em função disso, de ajudar ao próximo. Nunca neguei a existência de energias, de forças. Só que a minha crença era que depois da morte sua identidade acaba. Não acredito mais nisso, agora acho que ainda permanecem indivíduos distintos. É uma coisa forte. Não posso continuar com a atitude que tinha antes. Acredito no progresso da humanidade como todo comunista. É lento, mas há progresso. É o amor que leva a isso. Democracia é uma falsidade.

Voltando ao filme, você frequentou o Lar Frei Luiz, no Rio, para ajudá-lo?

Busquei antes do filme por causa da minha doença (ele tem câncer na próstata), para ver se enfrentava de uma maneira diferente. Isso me ajudou muito a lidar com ela com mais tranquilidade. Foi por uma bobeira. Nunca fui de excessos. Se não tivesse sido ignorante, teria evitado. Fui acolhido pelo Carlos Vereza, que me encontrou no Frei Luiz. Lá, é um lar de caridade e muito amor.

Você disse que as pessoas o confundiam com o Chico por conta do mesmo sobrenome. Isso te incomodava?

Ficava indignado. Eu me sentia desqualificado porque ignorava quem era Chico Xavier. Hoje essa ordem inverteu: me sinto elogiado. Se eu soubesse quem era me sentiria enobrecido.

Qual foi a reação das pessoas quando descobriram que você viveria Chico Xavier?

Tanto as pessoas de Uberaba, quanto o Daniel acham que, por eu não ser comprometido com o espiritismo, vejo com mais amplitude. É um olhar de quem é de fora. O filme vai ser um sucesso não só no Brasil quanto internacionalmente. O Chico é uma pessoa de importância equivalente ao Alan Kardec. É tido como reencarnação do Kardec. O Chico vai dar uma força. Ele é uma das pessoas mais queridas e conhecidas no mundo, mais que o Pelé.

E como foi o contato com Eurípedes, filho adotivo de Chico Xavier?

Ele é uma pessoa recatada, reservada, não é expansiva. Guardou 22 ternos do pai e todas as outras roupas e ainda me deu três ternos. Trouxe aquilo na viagem feito um manto sagrado. Fiquei com um terno, que é inglês, lindo (risos), e dei os outros para a produção. São roupas que vou usar no filme. Eu me senti o máximo com a roupa dele. Coube em mim, só fiz alguns ajustes. Mas era como se fosse meu...

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

CHICO XAVIER : PRODUÇÃO ESCOLHE LOCAÇÕES



O produtor executivo Júlio Uchoa, da Globo Filmes, visitou em maio os municípios candidatos a sediar as locações para o filme biográfico sobre Chico Xavier (veja trailer acima). Os possíveis cenários, em Uberaba e Araxá, ambas em Minas Gerais, estão sendo fotografados para a realização dos ajustes. Segundo Uchoa, o filme deverá ser rodado não só em São José das Três Ilhas (MG) e Paulínia (SP), e em Araxá (MG), onde os trabalhos poderão ter duração de uma semana, como também em São João del-Rei (MG), durante duas semanas. “Já estamos aprovando os cenários nestes lugares. Em Paulínia serão feitas, principalmente, as tomadas do trem”, revela. “Se não pudermos mostrar as imagens reais de Uberaba, construiremos um universo para o filme seguindo pesquisas sobre o tema e a história do município, referências arquitetônicas e culturais”, explica.

Ainda de acordo com o produtor, faltam quatro semanas e meia para o início das filmagens. “Portanto, este é o tempo que Uberaba tem para apresentar um projeto viável para receber este trabalho. Nada é irreversível. Mesmo que algumas tomadas sejam planejadas para outros municípios e realizados neles, a terra onde Chico Xavier ficou conhecido poderia ganhar outras filmagens, como na Casa da Prece, por exemplo. Gostaríamos de resgatar também as ladeiras daquela época”, informa.

Júlio Uchoa garante que com os recursos técnicos é possível resgatar as características das ruas e praças uberabenses da década de 70. “Utilizaríamos o que chamamos neste mundo cinematográfico de stock-shot. Tiraríamos das imagens, com recursos tecnológicos, prédios que não estavam presentes no cenário da cidade naquela época. Com o apoio da computação gráfica podemos construir aquela Uberaba em variadas localidades”, garante.

O produtor lembra que, durante as mais de duas semanas que ficaria em Uberaba, cerca de mil figurantes da cidade seriam mobilizados e circulariam por diferentes pontos. “Teríamos em ação, também, entre 120 e 140 pessoas integrando a equipe de produção”. Uchoa destaca também que o elenco pode contar com mais artistas de peso, além de Nelson Xavier e Ângelo Antonio, que viverão o médium em diferentes momentos da vida. “Tony Ramos e Christiane Torloni estão quase certos”, admite.

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quarta-feira, 11 de março de 2009

FILME SOBRE CHICO TERÁ O ATOR NELSON XAVIER

O diretor Daniel Filho e a produtora Globo Filmes escolheram o intérprete de Chico Xavier nos cinemas, o ator Nelson Xavier. O ator paulista foi o escolhido para protagonizar a cinebiografia do médium, que começa a ser rodada a partir deste mês, no Rio de Janeiro e Minas Gerais. O ator já está estudando para o papel através de visitas freqüentes ao Lar Frei Luis, no Rio de Janeiro. A data do lançamento do filme já está marcada para o dia 2 de abril de 2010.

Para Nelson Xavier, viver Chico Xavier no cinema não é só um próximo trabalho, é quase uma imposição do destino. Desde que começou a carreira de ator, ele vem sendo confundido com o famoso médium por conta do mesmo sobrenome. Nelson já se irritou com a confusão, mas hoje a vê com outros olhos: "Ficava indignado de ser chamado de Chico e respondia grosseiramente. Hoje, aceito com satisfação, mesmo antes de saber que faria o filme". O convite para dar vida ao médium na telona veio há cinco anos, desde quando Daniel Filho decidiu levar a biografia escrita por Marcel Souto Maior para os cinemas.

"Parece que meu destino está envolvido com essa história. Cansei de escutar das pessoas que, um dia, eu interpretaria Chico Xavier. Mas a vida dele é mesmo extraordinária e merece ser contada", diz Nelson. O ator tem se preparado para o papel visitando o Lar Frei Luís, conhecido centro espírita localizado em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Nelson Xavier tem se impressionado com o que tem visto por lá, apesar de nunca ter sido religioso. "Nunca me voltei para esse lado da religião. Minha formação é de comunista e acredito que só o amor e a solidariedade podem salvar o homem. Não se trata de uma conversão, mas não posso negar que fui tocado. Tenho presenciado muitas coisas e tive contato com entidades. Isso me emociona muito".

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sábado, 7 de fevereiro de 2009

LIVRO TRAZ CURIOSIDADES SOBRE CHICO XAVIER


O vídeo acima é um boletim eletrônico da TV CEI, no qual é entrevistada a escritora Nena Galvez, autora do livro "Para Sempre Chico Xavier". Trata-se de uma obra ilustrada, na qual a autora relata sua convivência com Chico Xavier, ajudando a compreender a personalidade do médium mineiro.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O MENINO CHICO XAVIER E A FERIDA

Chico Xavier foi criado em meio a preces. Quando ele tinha dois anos, Maria João de Deus, sua mãe, já apontava o céu estrelado e dizia: Foi Deus quem fez tudo isso. Às vezes, exibia um retrato de Jesus e alertava: A maior ofensa que podemos fazer à nossa consciência é negar a existência de Deus. A mãe reunia os filhos para a oração da noite, confessava aos sábados, comungava aos domingos. Já na casa da madrinha, as rezas eram raras e as surras, fartas. Numa delas, Rita se empolgou e enfiou com força demais o garfo na barriga do afilhado. A ferida demorou a cicatrizar e, para evitar o atrito da pele com a roupa, a madrinha obrigou o menino a usar uma espécie de camisola conhecida como mandrião, vestida por meninas e confeccionada com tecido de ensacar farinha. Os vizinhos se divertiram com a fantasia.

O menino não conseguia achar graça. Chorava muito e só tinha sossego quando a madrinha tomava o rumo da estação para ver o trem de luxo passar. Ela adorava admirar os passageiros da primeira classe. Numa das escapadelas de Rita, Chico correu para o quintal e se ajoelhou embaixo de uma bananeira. Repetia o pai-nosso quando, de repente, viu na sua frente Maria João de Deus. Até que enfim. Ela cumpriu o prometido. Adeus surras e garfos. Chico se agarrou à recém-chegada e pediu socorro. "Carregue-me com a senhora, não me deixe aqui, eu estou apanhando muito". A aparição desfez as ilusões do desesperado. "Tenha paciência. Quem não sofre não aprende a lutar. Se você parar de reclamar e tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre juntos". Em seguida, evaporou. Chico ficou ali, no quintal, sozinho, gritando pela mãe.

Daquele dia em diante, apanhou calado, sem chorar, para desespero da madrinha, que adotou um novo grito de guerra: Além de louco, é cínico. O menino se defendia da acusação com um argumento absurdo. Toda vez que suportava as surras em silêncio, com paciência, via sua mãe. A vara de marmelo zunia, Chico engolia o choro e depois se refugiava no quintal para ouvir os surrados conselhos maternos: era preciso sofrer resignado, era fundamental obedecer sempre, porque logo um anjo bom apareceria para ajudá-lo. O menino ficava esperando.

Numa tarde, a "educadora" Rita de Cássia brindou o aluno com uma prova surpresa. Moacir, primo de Chico, apareceu com uma ferida na perna esquerda, que não cicatrizava. A madrinha, preocupada com o sobrinho, mandou chamar dona Ana Batista, uma benzedeira de Matuto, hoje Santo Antônio da Barra, cidade vizinha de Pedro Leopoldo. A curandeira examinou o ferimento e aviou a receita. Só uma simpatia daria jeito. Uma criança deve lamber a ferida três sextas-feiras seguidas, pela manhã, em jejum. "Chico serve?" perguntou a madrinha.

O garoto ficou em pânico. Correu para debaixo das bananeiras e ouviu o repetido conselho materno: "Você é uma criança e não deve contrariar sua madrinha". "E isso vai curar o Moacir?", perguntou o menino. "Não, porque não é remédio. Mas dará bom resultado para você, porque a obediência acalmará sua madrinha".

Chico perdeu a paciência. Por que sua mãe não voltava para casa? Onde estava o tal anjo bom? A aparição acalmou o menino: "Seja humilde. Se você lamber a ferida, faremos o remédio para curá-la". No dia seguinte, pela manhã e em jejum, Chico iniciou a missão. Fechava os olhos, pedia forças à mãe e lambia a perna do garoto. O gosto era amargo e ele só queria ter a língua maior para acabar logo com o suplício. Na terceira sexta-feira, o ferimento estava cicatrizado. Pela primeira vez, Rita de Cássia elogiou o afilhado: "Muito bem, Chico. Você obedeceu direitinho. Louvado seja Deus". O menino não sabia, mas passaria a vida lambendo feridas alheias.

Trecho do livro "As Vidas de Chico Xavier", Marcel Souto Maior

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

COMEÇA PRODUÇÃO DE CHICO XAVIER, O FILME

Em fevereiro, inicia em Minas Gerais pesquisa para um novo projeto do diretor Daniel Filho, coordenador da "Globo Filmes": filmar a vida do médium Chico Xavier. “Não sou espírita, nem católico. Sou materialista. Estou mais para física quântica que para espiritualismo. Mas a insistência dos espíritas para que fizesse o filme me comoveu. É a história interessante de um homem abnegado, um tema que merece atenção”, explica.

Daniel conheceu pessoalmente o médium mineiro. “Chico Xavier é um dos homens mais importantes do Brasil. Vou mostrar o ser humano, o homem que tem aura, que puxa para si a responsabilidade de paz e de espiritualidade, no sentido de paternidade. Quero manter o respeito que os brasileiros têm por esse homem humilde, que disse que só queria ir embora quando o povo estivesse feliz. Por coincidência, morreu aos 92 anos, no dia em que o Brasil ganhou a Copa do Mundo de 2002”, observa.

Para ele, o melhor momento do cinema é a hora de filmar. “O resto é trabalho”, diz. Daniel compara o cinema à música, a direção à regência de orquestra. O mais importante, na opinião dele, é a boa história. Por isto, justifica, a escolha pela biografia do médium, baseada no livro "As Vidas de Chico Xavier", de Marcel Souto Maior.

João Carlos Daniel, filho único de pais artistas, começou ainda criança trabalhando em circo, e não parou mais. Fez de tudo – foi ator, diretor, produtor e criador de programas e novelas – até se tornar um dos homens mais importantes da televisão do país. “Não fui criado pela Globo, sou um dos criadores dela”, afirma, com orgulho. Aos 71 anos, Daniel experimenta momento especialmente feliz. “Sempre quis viver de cinema e estou tendo essa possibilidade. Apesar de acharem meus filmes antigos, rejuvenesci. A vida tem jeito depois dos 60”, brinca. Jogando em várias posições, ele participou de quase 40 filmes, projetos desenvolvidos desde 1999. Estima-se que essas produções bateram a casa dos 9 milhões de espectadores.

Daniel dirigiu Se eu fosse você 1 e 2. Foi ele quem reuniu os atores Glória Pires e Tony Ramos, que nunca tinham trabalhado juntos na telona. Têm o dedo dele trabalhos indicados ao Oscar, como o longa Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, do qual foi co-produtor. A lista de sucessos é grande: 2 filhos de Francisco, Auto da Compadecida, Carandiru e Vinicius, para ficar nos títulos mais conhecidos. “Amo cinema como um todo. Sou fã, rato de cinema – não de cinemateca. Fazer televisão foi só uma forma de pagar as contas”, afirma.

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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

LIÇÕES DE CHICO XAVIER - III

Esta é a terceira postagem com lições de vida de Chico Xavier, colhidas das inúmeras entrevistas concedidas ao longo de sua vida. Hoje os temas são história, força do pensamento e pór-morte.

HISTÓRIA - Em meados de 1978 um guru indiano visitava o Brasil e o assunto no alpendre da casa de Chico Xavier girava em torno da meditação transcendental e sua aplicação na vida do homem ocidental, conforme apregoado pelo religioso recém-chegado das montanhas do Himalaia. O médium ouviu com acatamento as notícias acerca dos prodígios obtidos pelos gurus e a seguir contou a seguinte história:

Chico Xavier: Às margens do Ganges vivia um guru que se propunha a meditar e a jejuar até que conseguisse cruzar as águas do rio sagrado, levitando o corpo. Nesse mister de esforços empreendeu dez anos de sua vida, até julgar-se apto a fazer aquela travessia a seco.

No dia escolhido, certo de que conseguiria volitar sobre a superfície líquida caminhou resolutamente e, para espanto de muitos, realmente chegou a seco no outro lado do rio.

Ao pisar a outra margem, embora com o coração cheio de júbilo, perguntou ao seu guia por que foram necessários dez anos para cruzar sobre as águas do rio sagrado.

"Muito simples"- respondeu-lhe o Espírito, "não terias esperado tanto se há dez anos tivesses construído aí uma pinguela para fazer essa travessia..."

Depoimento dado pelo médium e escritor Carlos A. Baccelli, de Uberaba, MG, em agosto/1980, publicado no livro Lições de Sabedoria - Chico Xavier nos 23 anos da Folha Espírita. Escrito por Marlene R. S. Nobre.


APÓS A MORTE - Por que, na maioria dos casos, após a morte, a fisionomia dos desencarnados adquire uma expressão de suave paz?

Chico Xavier: A maioria das criaturas, em se desencarnando, de maneira pacífica, isto é, com a paz de consciência, quase sempre reencontra entes queridos que a antecederam na viagem da chamada morte física e deixa no próprio semblante as derradeiras impressões de paz e alegria que o corpo consegue estampar.

Resposta dada em entrevista feira pelo jornalista Fernando Worm, publicada no jornal "O Espírita Mineiro", de Belo Horizonte, MG, número 171, fevereiro/abril de 1977. Página 241 do livro "Chico Xavier - mandato de amor"/União Espírita Mineira - Belo Horizonte, 1992


PENSAMENTO - Sempre me pareceu que nós, a maioria das pessoas, desconhecemos a imensa força do pensamento na formulação da existência. O pensamento pode reformular a vida de uma pessoa?

Chico Xavier: Sem dúvida. Os benfeitores espirituais são unânimes em asseverar que toda renovação do espírito, em qualquer circunstância, começa na força mental. O pensamento é a força criadora nas menores manifestações.

Resposta dada em entrevista feira pelo jornalista Fernando Worm, publicada no jornal "O Espírita Mineiro", de Belo Horizonte, MG, número 171, fevereiro/abril de 1977. Página 241 do livro "Chico Xavier - mandato de amor"/União Espírita Mineira - Belo Horizonte, 1992

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

HISTÓRIAS DE CHICO : A HORA DA DESPEDIDA

Eram pouco mais de 19h30 de domingo 30 de junho de 2002 , quando o coração de Chico Xavier parou. Chico tinha acabado de deitar-se na cama estreita de seu quarto acanhado para mais uma noite de sono. Pouco antes de dormir, ergueu as mãos para o alto, como sempre fazia, e rezou pela última vez.

Chico morreu em casa, como queria, sem dor nem sofrimento. Poucas horas antes, ele chamou o enfermeiro que sempre o acompanhava. Precisava de ajuda para fazer a barba, mas Sidnei tinha viajado. A reação de Chico, ao saber da viagem, foi rápida e intrigante: “Não vai dar tempo”.

Nos últimos dias, a cozinheira da casa, Josiane Alberto, estranhou o comportamento de Chico. Bastava ela trazer um copo de água para Chico agradecer: “Jesus vai te abençoar. Muito obrigado”. Passou a semana agradecendo. Era como se estivesse se despedindo. Foi esta a sensação que teve o médium César de Almeida Afonso ao visitá-lo na semana anterior. “Agora vieram todos” — Chico disse ao vê-lo, depois de uma sucessão de visitas de outros médiuns.

O líder espírita morreu exatos oito dias antes da data em que seria alvo de uma série de homenagens e comemorações: os 75 anos de sua mediunidade. Para os amigos mais íntimos, a morte, naquele momento, o poupou de novos desgastes com eventos e compromissos. Chico planejou, com cuidado, a própria despedida. Uma de suas principais preocupações era impedir que impostores divulgassem, após sua morte, supostas mensagens transmitidas por ele.

Temia que, em busca de projeção, médiuns se apresentassem como porta-vozes de seu espírito. Para evitar fraudes, Chico combinou um código secreto com três pessoas de sua confiança: o médico e amigo Eurípedes Tahan Vieira, o filho adotivo Eurípedes Higino dos Reis e Kátia Maria, sua acompanhante nos últimos anos de vida. Três informações deveriam constar da primeira mensagem enviada do além. Na tarde anterior à própria morte, Chico confirmou o código com Eurípedes Tahan e avisou: Vocês saberão quem sou eu.

Traduzindo: depois de morto, Chico revelaria um dos seus segredos mais bem guardados: quem ele teria sido na última encarnação. Ele pensou em cada detalhe. Seu corpo deveria ser velado no Grupo Espírita da Prece durante 48 horas, para que todos tivessem tempo de se despedir, sem confusão. O enterro seria feito no cemitério São João Batista, em Uberaba, a cidade que o acolheu em janeiro de 1959, quando Chico deixou para trás a família e os amigos da cidade natal, a também mineira Pedro Leopoldo. Foram feitas, é claro, as suas vontades.
Trecho do livro "As Vidas de Chico Xavier", Marcel Souto Maior

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sábado, 20 de setembro de 2008

VIDA DE CHICO XAVIER EM QUADRINHOS

Será lançada no mês de outubro, pela Ophera Graphica, a revista "A Vida de Chico Xavier", uma versão em quadrinhos da biografia do médium brasileiro. O projeto foi desenvolvido pelo ilustrador italiano Eugenio Colonnese, criador de Mirza, que morreu em agosto de 2008, aos 79 anos. Radicado no Brasil, Colonnese completaria 79 anos no dia 3 de setembro. O motivo de sua morte foi falência múltipla de orgãos.

Colonnese sofreu um desmaio em fevereiro deste ano, quando passava férias com a familia de sua filha Liliana no Guarujá, no litoral paulista. Descobriu-se então que ele estava com o pulmão muito debilitado devido ao intenso consumo de cigarros. Após o seu primeiro internamento hospitalar em fevereiro deste ano, Colonnese realizou uma história em quadrinhos com sua personagem mais conhecida Mirza, e outra de "Morto do pântano". Também concluiu a graphic novel "A vida de Chico Xavier", que será lançada em outubro pela Opera Graphica.

Eugênio Colonnese foi um dos grandes mestres dos quadrinhos mundiais que desembarcaram no Brasil na segunda metade do século XX para consolidar uma tradição tipicamente nacional: as histórias de terror. Italiano de nascimento, com uma longa passagem pela Argentina, migrou para São Paulo. Sua criação mais famosa é a irresistível mulher vampira “Mirza”, que criou em 1967 no Estúdio D-Arte para a editora Jotaesse, de José Sidekerskis. Portanto, dois anos antes da americana “Vampirella”. Com passagens também pelos livros didáticos, especializou-se quadrinhos de guerra e super-heróis. Criou seres fantásticos a partir de seu traço inconfundível que se destaca pelo completo domínio do pincel e da narrativa em preto e branco. Nas duas últimas décadas, manteve intensa produção de quadrinhos para as revistas “Calafrio” e “Mestres do Terror”, de Rodolfo Zalla; e chegou a fazer cinco números das aventuras do herói “Beto Carreiro”, na década de 1980.

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sábado, 23 de agosto de 2008

CHICO XAVIER, O BESOURO E AS FORMIGAS


Chico Xavier e Waldo Vieira saíam das sessões públicas e, ao chegarem em casa, costumavam datilografar os textos ditados pelos "benfeitores espirituais". Tinham muito trabalho pela frente: ainda estavam longe do centésimo livro. Numa dessas jornadas noturnas, um besouro caiu sobre a máquina do companheiro de Chico. Waldo atirou o inseto com força na parede. O bicho voou e tornou a cair sobre sua mesa. Waldo arremessou o recalcitrante com violência contra o chão. Mais uma vez, ele levantou vôo.

Dessa vez, aterrissou no lugar certo: a mesa de Chico. Com cuidado, o companheiro de Waldo pegou o inseto, abriu a janela e o soltou lá fora enquanto comentava:

- Besouro, se você não conseguiu desencarnar através de Waldo, é porque você é como eu: tem uma missão a cumprir no mundo. Vá com Deus.

Waldo olhava torto para o sentimentalismo de Chico. E evitou fazer comentários quando soube como o parceiro tinha cuidado das formigas em seu quintal.

À noite, o batalhão avançava sobre a horta e devorava verduras e legumes plantados para as sopas dos pobres. Os amigos já tinham providenciado o veneno quando Chico tentou um último recurso: dois dedos de prosa. Ele se debruçou sobre o formigueiro e começou a conversar:

"Vocês precisam ser mais piedosas, mais humanas. Estão faltando com a caridade ao seu semelhante. Estão tirando o alimento de quem precisa, e não há justificativa para tal procedimento. Usou todos os argumentos possíveis e até se deu ao trabalho de sugerir um caminho para as adversárias. Ao lado desta modesta horta (e apontou) tem um enorme terreno todo plantado das mais variadas gramíneas, uma grande mata que a natureza colocou à disposição de todos. Mudem-se e nos deixem em paz. Caso contrário, se isso não ocorrer dentro de três dias, tomarei enérgicas providências".

No dia seguinte, sobrou apenas uma formiga, a "subversiva", segundo Chico. Com paciência e um arsenal de "causos", apólogos e conselhos do além, Chico se tornava a cada dia mais persuasivo. Aprendia com a sucessão de histórias trágicas e cômicas que desfilavam diante de seus olhos e passava as lições adiante. Era um bom aluno e, portanto, um bom professor.

Trecho do livro "As Vidas de Chico Xavier", de Marcel Souto Maior

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quinta-feira, 24 de julho de 2008

AS VISITAS DE CHICO XAVIER


Em seu livro "Mediunidade", Divaldo Franco conta que Chico Xavier, além da tradicional sopa distribuida na casa espírita de que participava, tinha o hábito de realizar visitas a famílias necessitadas, sem horário definido e fazendo-o, por vezes, mesmo à noite. O médium, ainda em Pedro Leopoldo, costumava visitar pessoas que ficavam embaixo de uma velha ponte, numa estrada abandonada. Iam ele, sua irmã Luiza e mais duas ou três pessoas muito pobres de sua comunidade. E, na medida que eles aumentavam a frequência de visitas, os necessitados foram se avolumando, e mal conseguiam alimentos suficientes para o grupo. Afinal, as doações eram custeadas com seus próprios salários.

O esposo de Luíza, que era fiscal da prefeitura, recolhia na xepa das feiras-livres legumes e outros alimentos, e que eram doados para distribuir anonimamente, nos sábados, à noite, aos necessitados da ponte. Um dia, porém, o pequeno grupo não tinha absolutamente nada. Decidiu-se, então, não irem, pois aquela gente estava com fome e nada teriam para oferecer. E eles próprios estavam vivendo com extremas dificuldades. Foi quando apareceu-lhe o espírito do Dr. Bezerra de Menezes, que sugeriu colocassem algumas garrafas com água, que seria magnetizada para ser distribuída, havendo, ao menos, alguma coisa para dar. Feito isto, o líquido teria adquirido um suave perfume, e então o Chico tomou as moringas e, com suas amigas, após a reunião convencional do sábado, dirigiram-se à ponte.

Quando lá chegaram encontraram umas 200 pessoas, entre crianças, adultos, enfermos em geral, pessoas com graves problemas espirituais, necessitados. "Lá vem o Chico", gritou alguém, enquanto o médium, constrangido e angustiado, pretendeu explicar a ocorrência. Levantou-se e falou: "Meus irmãos, hoje nós não temos nada", e narrou a dificuldade. As pessoas ficaram logo ofendidas, tomando atitudes de desrespeito e ele começou a chorar. Neste momento, uma das assistidas levantou-se e disse: "Alto lá! Este homem e estas mulheres vêm sempre aqui nos ajudar e hoje, que eles não têm nada para nos dar, vamos nós dar-lhes alguma coisa. Vamos dar-lhes a nossa alegria, vamos cantar, vamos agradecer".

Neste momento, apareceu um caminhão carregado e o motorista procurava por Chico Xavier. Quando ele atendeu, o motorista perguntou se ele se lembrava de um certo Dr. Fulano de Tal? Chico recordava-se de um senhor de boa posição financeira, morador de São Paulo, que um ano antes estivera em Pedro Leopoldo e lhe contara o drama de vivia. Seu filho falecera e o desespero atormentava o casal. Durante a reunião, o jovem veio trazido pelo Dr. Bezerra de Menezes e escreveu uma consoladora mensagem. Ambos ficaram muito gratos e garantiram que haveriam de retribuir a ajuda. Foi quando o motorista lhe narrou: "'Estou trazendo este caminhão de alimentos mandado pelo Dr. Fulano de Tal, que me deu o endereço do Centro onde deveria entregar a carga, mas tive um problema na estrada e atrasei; quando cheguei, estava tudo fechado".

"Olhei para os lados -- prosseguiu o motorista -- e apareceu-me um senhor de idade com barbas brancas, e perguntou o que eu desejava. Disse que estava procurando Chico Xavier e ele me falou que, debaixo de uma ponte caída, estaria seu grupo. Este homem insistiu, ainda, para que dissesse ao Sr. que foi ele quem o orientou"

"E qual o seu nome?", perguntou o médium.

"Bezerra de Menezes", respondeu o morotista. Suas amigas ficaram espantadas, mas Chico limitou-se a dizer: "É um velho amigo".

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sábado, 12 de julho de 2008

ESPIRITISMO E DINHEIRO : LIÇÃO DE CHICO XAVIER

Recentemente, uma nova leitora nos escreveu perguntando se nosso "trabalho" teria "algum custo" e "quanto". Passado o espanto inicial com a dúvida e pensando que esta seja uma indagação muda na mente de outras tantas pessoas que ignoram o verdadeiro sentido do Espiritismo, decidi reproduzir aqui a resposta que a enviei.

De fato, muitas das pessoas que chegam às nossas páginas não têm familiaridade com a Doutrina Espírita, e desconhecem que Chico Xavier escreveu quatrocentos e doze livros e que nunca admitiu ser o autor de nenhuma dessas obras. Dizia reproduzir apenas o que os espíritos lhe ditavam. Por esse motivo, não aceitava o dinheiro arrecadado com a venda de seus livros, mais de 20 milhões de exemplares. Doou os direitos autorais para a FEB (Federação Espírita Brasileira), organizações espíritas e outras instituições de caridade. "O livro não é meu, é dos espíritos", repetiu por toda a vida. Quando lhe ofereciam dinheiro, o jovem Chico, rapaz pobre, ainda assim recusava: "Ajude o primeiro necessitado que encontrar", aconselhava.

Outros lhe entregavam presentes. Chico se livrava deles com pressa e discrição. Numa noite, ganhou um relógio de ouro suíço. Na tarde seguinte, visitou uma doente, Glória Macedo. Pobre, ela costumava perder a hora de tomar os remédios receitados pelo Dr. Bezerra por falta de relógio. Chico deixou o presente da véspera sobre a mesa da "paciente". Ao próprio pai, João Cândido, que não se conformava com o trabalho voluntário do filho, Chico Xavier abria "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e lia a recomendação de Jesus: "Dai de graça o que de graça recebestes".

Evidentemente, não podemos nos comparar ao médium mineiro, mas a regra vale para todos. Regra de honestidade e justiça. O 'trabalho' ou a escrita é dos espíritos. A nossa parte, a doação de tempo a esta atividade, não passa de mero cumprimento de uma obrigação, de caridade cristã. Portanto, a paga, o recebimento de dinheiro ou mesmo de presentes em troca do trabalho mediúnico é inaceitável. Assim ensinou Chico Xavier e assim exige o bom senso. Não creia na seriedade de quem se disser espírita e agir de maneira diversa.

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